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Incêndios de outubro. Bombeiros acusam Proteção Civil de “total incompetência e incapacidade de decisão”

Luís Barra

Liga dos Bombeiros Portugueses saúda que os seus alertas tenham sido incluídos no relatório dos fogos de outubro, mas acusa a Proteção Civil - a quem dirigiram os seus avisos – de “passar para os operacionais no terreno a resolução de um problema que ela própria não resolveu por total incompetência e incapacidade de decisão”

"Os nossos alertas poderiam ter ajudado a evitar esta calamidade": esta é a apreciação que a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) faz do relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de outubro, entregue esta quarta-feira ao Parlamento. Qualificando a atuação da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) de "incompetência e incapacidade de decisão", a LBP refere que foram inúmeros os alertas que fez à Proteção Civil mas que esta se limitou a emitir comunicados "na tentativa de passar para os operacionais no terreno a resolução de um problema que ela própria não resolveu".

Em comunicado divulgado sobre o relatório dos incêndios de outubro, no qual a LBP foi um dos parceiros consultados, a LBP diz que teve em conta os fenómenos meteorológicos de junho – que tiveram uma parte importante nos incêndios de Pedrógão Grande – e as alterações climáticas registadas até ao mês de outubro e que alertou "permanentemente" a Proteção Civil para se evitarem "situações anómalas" e "porventura até mais violentas [que os fogos de junho]".

"Constatamos que muitos dos nossos alertas, (...) a terem sido considerados, poderiam ter evitado muitos dos dramáticos cenários com que nos viemos a deparar", lê-se no comunicado.

Do relatório da Comissão Técnica Independente, destacam as melhorias e uma análise "mais sustentada" face ao primeiro relatório divulgado e saúdam a inclusão dos alertas feitos pela LBP.

Porém, consideram que fica "muito aquém das expectativas" e apelam à necessidade do Governo e da Assembleia da República iniciarem conversações com os vários parceiros do sector – nos quais a LBP se inclui – para se proceder a uma análise conjunta do relatório e a uma reflexão sobre as suas conclusões e recomendações que permitam a elaboração de "projetos reformistas" sobre os incêndios florestais e as suas consequências.

Já no que diz respeito à proposta expressa no relatório pela Comissão Técnica Independente da possibilidade da criação de uma Unidade de Missão para reorganizar os corpos dos bombeiros, a LBP considera a medida "desnecessária" e que "não faz sentido para o combate" – ao contrário da associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários e a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais que já disseram que aceitam a iniciativa.