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Sociedade

Sem gráfica, Porto Editora trabalha para distribuir manuais escolares a tempo

Alexandre Bordalo

Editora pede ao Governo preços e quantidades do material do próximo ano letivo. A empresa está em risco de atrasar a distribuição dos manuais caso haja atraso na resposta, depois do mau tempo ter destruído a unidade onde produzia a maioria desse material

Com a gráfica destruída, a Porto Editora pede ao Ministério da Educação rapidez nas decisões sobre a quantidade e preço dos novos manuais escolares para conseguir entregar a tempo os milhares de livros necessários para o próximo ano letivo.

Até agora, a maioria dos manuais escolares dos alunos portugueses era feita na Maia, na gráfica da Porto Editora, que na semana passada foi destruída pelo mau tempo.

"Estamos a viver uma situação muito complicada, com a destruição da nossa gráfica e de parte da nossa estrutura logística. Neste momento estamos parados", contou à Lusa o diretor de comunicação da Porto Editora, lembrando que a gráfica da Maia imprimia diariamente entre 80 a 120 mil livros.

"Em 2017 imprimimos 15 milhões de livros", recorda Paulo Gonçalves, sublinhando que a empresa não faz apenas manuais escolares.
Neste momento, a Porto Editora está a tentar subcontratar gráficas portuguesas e até estrangeiras para conseguir responder às encomendas.

Entre as preocupações da empresa com os manuais escolares estão o saber quantos serão precisos no próximo ano e quais os preços a aplicar, decisões que deveriam ser tomadas ainda este mês em reuniões com os ministérios da Educação e da Economia.

"Não queremos favores. Só queremos fazer o nosso trabalho e para isso queremos que quem tem de decidir, decida", sublinhou Paulo Gonçalves, explicando que as reuniões entre governo e livreiras deveriam realizar-se até ao final do mês.

É nesta altura do ano que a empresa, que tem uma quota de cerca de 60% do mercado dos livros escolares, começa a enviar amostras de manuais para os professores para que as escolas possam decidir qual será o próximo manual a utilizar pelos alunos.

"Em junho, milhares de famílias querem ter os livros nas livrarias. A esta distância não podemos afirmar que estaremos totalmente operacionais. As dificuldades são grandes, mas acreditamos que as vamos ultrapassar", disse Paulo Gonçalves.

Além dos manuais para os alunos das escolas portuguesas, a Porto Editora envia também milhares de livros para Angola, Moçambique e Timor Leste.

A unidade gráfica da Porto Editora deverá estar totalmente reconstruída até ao final do ano, sendo espectável que a logística esteja parada nas próximas semanas, afetando o abastecimento do retalho livreiro e livrarias online WOOK e Bertrand.pt.

"Este é um dos momentos mais difíceis já enfrentados pelo Grupo Porto Editora", lembrou Paulo Gonçalves, que acredita que quando a empresa celebrar 75 anos, em maio de 2019, estará a funcionar em pleno já nas novas instalações.