Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

O sobreiro assobiador e casamenteiro é a árvore europeia do ano. Tem 234 anos e é português

É conhecido pelos pássaros que chilreiam nos seus ramos ao final do dia. É um barulho tão intenso que até lhe deu nome - sobreiro assobiador. Foi plantado em Águas de Moura, perto de Setúbal, há 234 anos e foi agora distinguido como a árvore europeia do ano

Soraia Pires

Soraia Pires

Jornalista

Os numerosos pássaros que cantam intensamente enquanto estão pousados nos seus ramos, principalmente no fim do dia, valeram-lhe a alcunha “sobreiro assobiador. Também lhe chamam “árvore casamenteira” porque era o local onde muitas vezes os casais aproveitavam para namorar. Tem 234 anos, 16 metros de altura e 29 metros de diâmetro. Este sobreiro (quercus suber) é considerado árvore do interesse público desde 1988 e o livro de recordes do Guinness aponta-o como o maior e mais velho do mundo. É português - a sua morada é em Águas de Moura, perto de Setúbal - e venceu esta quarta-feira o concurso da Árvore Europeia do Ano, uma iniciativa da Environmental Partnership Association (EPA). Teve mais de 26 mil votos num total de 186.351.

De uma árvore não muito conhecida passou a ser a mais conhecida em Portugal. João Branco, que faz parte da direção da Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA), diz que este sobreiro começou a ser falado no ano passado: “Ele era apenas conhecido na aldeia de Águas de Moura, mas a maior parte das pessoas não fazia ideia de que existia. No ano passado começou a haver algumas notícias em jornais locais, que depois acabaram por ir parar ao Facebook. Foi o início de tudo, porque alguns canais de televisão acabaram por fazer reportagem sobre ele e foi assim que foi a este concurso”.

Para as associações que defendem o ambiente, esta é uma grande vitória. João Branco espera que este acontecimento leve a que as pessoas se interessem mais pelo património arbóreo que Portugal tem: “Fazemos votos para que isto seja um alerta e apelamos às pessoas para que comuniquem quando souberem da existência de árvores monumentais para que se possa proceder à sua classificação antes que sejam cortadas”.

“Esperamos que esta distinção lance a luz sobre o nosso património arbóreo classificado, porque ele está muito esquecido, e que aponte também para a necessidade de proteção de árvores monumentais que existem em Portugal e que não estão classificadas nem têm qualquer tipo de proteção legal”, explica ao Expresso João Branco.

Este anúncio coincidiu com o dia internacional da floresta e a cerimónia decorreu no Parlamento Europeu (PE), em Bruxelas. Foi a União da Floresta Mediterrânica (UNAC) que escolheu esta árvore para representar o país nesta estreia no concurso europeu. Em segundo lugar, com cerca de 22 mil votos, ficou um ulmeiro espanhol, e em terceiro um carvalho com o nome “O Velho das Florestas”, de Belgorod, na Rússia.