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Sociedade

Burlona das sapatilhas condenada a 28 meses de prisão com pena suspensa

O tribunal foi sensível aos argumentos de Ana Filipa Maia, a jovem de 24 anos que burlou dezenas de pessoas através de um esquema de venda de sapatilhas pelo Facebook. A arguida confessou os crimes, disse estar arrependida e devolveu o dinheiro aos oito lesados na Madeira

Marta Caires

Jornalista

É a 17ª condenação de Ana Filipa Maia, uma jovem de 24 anos, natural do Porto e mãe de dois filhos menores, também conhecida como a rainha das burlas do Facebook. Por ter lesado oito pessoas na Madeira, com vendas fictícias de sapatilhas de marca, foi condenada, esta quarta-feira, a dois anos e quatro meses de pena suspensa, mas soma já outras 16 condenações por vários tribunais do país e até já cumpriu pena. O crime é sempre o mesmo: burla na venda de sapatilhas através de páginas do Facebook.

O esquema era simples. Os ténis de marcas conhecidas apareciam em páginas com nomes como Tenis World Lowcost a metade dos preços praticados nas lojas, mas para receber a mercadoria os interessados teriam de pagar primeiro. E dezenas de pessoas do Norte ao Sul e ilhas acreditaram nas boas intenções da vendedora. Os pagamentos eram feitos por transferência bancária para duas contas de Ana Filipa Maia, uma jovem com o 9º ano de escolaridade incompleto que fazia serviços de limpeza, outros de esteticista e que por um breve período foi empregada de balcão numa perfumaria.

A franqueza das conversas – Ana Filipa disse mesmo a um dos clientes que os preços eram assim por se tratar de material desviado dos armazéns – convenceu gente em Lisboa, em Faro, em Arcos de Valdevez, em Ponta Delgada, nos Açores, e no Funchal, na Madeira, mas todos descobriram depressa que tinham sido burlados. As sapatilhas baratas não chegavam, a página onde as tinham comprado desaparecera e o único contacto era um número de uma conta bancária. As primeiras queixas surgiram em 2013, mas o esquema prolongou-se por vários anos, um tempo durante o qual a vendedora foi também acumulando condenações.

Quando a primeira queixa da Madeira deu entrada na Polícia Judiciária, em 2014, já o modus operandi era conhecido das autoridades: sapatilhas de marca a 50 ou 60 euros em páginas do Facebook, pagamento por transferência bancária, dois ou três dias para desculpas com os correios e atrasos no envio para depois desaparecer na rede e reaparecer com um nome diferente e outra página. As vendas fictícias mantiveram-se até pelo menos 2016, mas durante esse período a arguida foi engrossando o registo criminal com condenações, uma delas com cumprimento de pena na cadeia. Com a sentença proferida esta quarta-feira são já 17 condenações

Apesar do longo historial de burlas, a juíza da Instância Central do Tribunal da Comarca da Madeira foi sensível à situação da arguida, mãe de dois filhos menores, um dos quais de poucos meses. Para a pena suspensa contribuíram o facto de ter confessado os crimes e ter devolvido o dinheiro aos oito lesados que, na Madeira, apresentaram queixa contra a jovem do Porto. Além de confessar, a mulher garantiu que está arrependida e prometeu que, desta vez, vai mesmo cessar a atividade criminosa e dar outro rumo à vida. No entanto, quando o caso começou a ser julgado no Funchal, no início de março, corriam em várias comarcas do país processos e inquéritos contra Ana Filipa Maia, muitos ainda numa fase inicial.

É a 17ª condenação, mas não é garantido que seja a última do já extenso registo criminal da jovem. Na Madeira, se o tribunal não tivesse sido sensível às circunstâncias e ao arrependimento, a arguida arriscava oito anos de prisão por cada crime de burla qualificada de que vinha acusada.