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25 trabalhadoras souberam por SMS que iam ser despedidas, advogado da empresa diz que foi “uma forma simpática”

As 25 trabalhadoras da Modelo e Ponto foram informadas durante o fim de semana que não precisavam de ir trabalhar na segunda-feira. A empresa ia entrar em processo de insolvência. As cartas de despedimento devem começar a chegar esta terça-feira

“Amanhã não venham trabalhar.” Era mais ou menos isto que seguia no SMS que as trabalhadoras da empresa Modelo e Ponto, em Santo Tirso, no Porto, receberam este domingo. O amanhã era esta segunda-feira. E o pedido para não irem trabalhar era porque a empresa ia entrar em processo de insolvência e fechar.

“Sim, é verdade. Enviámos uma mensagem de telemóvel às funcionárias a dizer que estavam dispensadas de comparecer no trabalho”, diz ao Expresso Hernâni Gomes, advogado da entidade patronal. “Queríamos evitar que fizessem deslocações desnecessárias. Até foi uma forma simpática de contactar as trabalhadoras. Há empresas que fecham e nem dizem nada”, acrescenta, lembrando que a Modelo e Ponto “agradeceu na SMS o serviço prestado”.

As cerca de 25 trabalhadoras receberam a mensagem mas esta segunda-feira de manhã estavam à porta da fábrica têxtil - queriam saber o que se passava. “Nada fazia prever” este desenlace, garante quem lá trabalhava. “A SMS da gerente Aurora Augusta Ferreira informava que a empresa encerrava e que nos devíamos dirigir ao nosso advogado para levantar os papéis para o fundo de desemprego”, explicava Tânia Santos, uma das funcionárias, à agência Lusa.

Havia (e há) ordenados em atraso, o subsídio de Natal não foi pago na totalidade. “A firma não tem condições para continuar a trabalhar”, diz o advogado. A Modelo e Ponto tem “dívidas à Segurança Social” e quando um pagamento dos clientes entra na conta da empresa é penhorado. “Não havendo condições para pagar salários, foi decidido avançar com processo e insolvência”, que ainda esta segunda-feira deu entrada no Tribunal de Santo Tirso.

O SMS enviado em dia de descanso às funcionárias “não foi o despedimento”. Esse deve começar a ser comunicado esta terça-feira, quando a cada uma das trabalhadoras for entregue em mão a carta de despedimento.

Contactados pelo Expresso, vários sindicatos da área têxtil e vestuário da região norte referiram que ainda não lhes tinha sido comunicada qualquer queixa em relação à Modelo e Ponto.