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O céu é o limite para os novos motores Mazda Skyactive-X

A Mazda promete uma revolução com os motores Skyactive-X. A marca japonesa criou o primeiro motor comercial do mundo a fazer ignição por compressão. Só chega em 2019, mas Rui Pedro Reis esteve em Ílhavo, local escolhido pela Mazda para um fórum de tecnologia e design onde foi desvendado um pouco do que aí vem

Texto Rui Pedro Reis/SIC

O carro é um Mazda 3, pelo menos na aparência. Mas quando se olha com atenção, descobre-se que a carroçaria do Mazda 3 está apenas 'assente' numa plataforma nova, que há de servir um novo modelo, a lançar em 2019. O tal que já vai estar equipado com os novos motores Skyactive-X. Quando entro a bordo, percebo que o mesmo princípio foi aplicado no interior, montado de forma 'tosca' apenas para acomodar o essencial e vários sensores e 'caixas negras' que registam todos os dados de utilização. É mais um passo no plano de sustentabilidade Zoom Zoom 2030, que a Mazda lançou em 2007. Os engenheiros da marca defendem que a prioridade é reduzir as emissões de CO2, mais do que apostar na eletrificação. Assim se explica que a Mazda esteja a projetar os primeiros híbridos para 2020. Mas a prova de que estão atentos ao mercado é que anteciparam o primeiro híbrido plug-in de 2025 para 2021.

Uma fórmula improvável

É seguro dizer que a Mazda não foi pelo caminho mais fácil. A nova tecnologia Skyactive-X usa um processo de ignição comprimida, em que a mistura combustível-ar entra em combustão de forma espontânea quando comprimida pelo pistão. Mas o motor Skyactive-X também funciona de forma tradicional. Quando está frio ou a altas rotações, é a faísca da vela que gera a ignição do combustível. Não valerá a pena uma explicação demasiado técnica, que os interessados podem encontrar na internet. O mais importante é o resultado prático, que é conseguir num motor a gasolina as vantagens dos blocos diesel, mas sem um impacto tão grande a nível ambiental. O binário tem um ganho de 10% a 30% face aos atuais motores Skyactive-G a gasolina, enquanto o consumo desce 20% a 30%. De tal forma que os engenheiros da marca dizem que, daqui a sensivelmente um ano, os números anunciados podem revelar melhores consumos que a atual geração de motores diesel Skyactive-D.

Futuro a gasolina

A Mazda admite o fim anunciado do diesel mas garante que ainda vamos ter muitos anos de automóveis apenas com motor de combustão a gasolina. Neste passo a caminho de motores mais limpos e eficazes, a janela de utilização ideal é agora muito mais ampla. Nos motores atuais, há um ponto de utilização ideal muito estreito. É isso que vemos na utilização de um carro atual. Se fizermos as passagens de caixa na zona ideal, os consumos ficam mais perto dos anunciados pela marca. Só que a margem de eficácia é muito curta. Nos quilómetros que fiz ao redor de Ílhavo, um painel instalado a bordo do carro mostrava a zona de utilização ideal. De facto, neste Skyactive-X 2.0 estendia-se bastante desde muito baixa rotação, até quase às 2500 r.p.m.. Mas como é um protótipo, não foram revelados números de consumos. No entanto, é possível acreditar que represente mesmo o melhor de dois mundos. Um motor com a performance de um bloco a gasolina, com os consumos de um diesel e sem os problemas de emissões associados.

Mudanças de corpo e alma

Mas o futuro da Mazda não se faz só de novos motores. A próxima geração de veículos vai estar assente numa plataforma que quer adaptar-se mais aos ocupantes. Desde logo, com uma nova geração de bancos que suportam melhor a pélvis, que permite obter uma posição de condução mais correta. A rigidez da carroçaria também foi melhorada, com materiais mais leves e soldaduras de última geração que permitem reduzir a transmissão de energia do piso para a estrutura em cerca de 30%. Há ainda um trabalho designado de controlo vetorial, que passou por mudanças na arquitetura das suspensões, cujos braços funcionam em V invertido e que em conjunto com uma nova tecnologia de pneus, faz com que as vibrações a bordo sejam menores, com mais conforto e sem concessões a nível de segurança ou habitabilidade.

Design Kodo

Se este composto de mudança é quase todo invisível ao olho humano, há uma parte que não vai passar despercebida. É que a Mazda vai acompanhar todas estas mudanças com uma nova fase de design. O trabalho já está a ter resultados práticos. O Vision Coupé foi considerado o Concept do ano no Salão Automóvel de Genebra, que decorre até ao final desta semana. E o design da Mazda quer assentar ainda mais num conceito de simplicidade, tendo como base os princípios da estética clássica japonesa. A filosofia Kodo foi introduzida na gama em 2010. Ou seja, no próximo ano podemos esperar um design mais minimalista, com linhas que exploram as sombras e os jogos de luz. O objetivo é uma imagem de dinâmica integrada, onde design e função se conjugam. É isso que se pode ver no Mazda Kai Concept, que é um estudo (aproximado, garantem) da gama que vai estrear os motores Skyactive-X. Um hatchback compacto com linhas muito simples e pouco vincadas, em especial nas laterais.

Assumidamente minimalista, este design reflete-se também no interior, onde a marca continua a apostar no conceito Jinba Ittai, que significa “o homem e o cavalo como um só”. As linhas são discretas e os elementos principais estão centrados no condutor. Agora é esperar por 2019 e pelo carro que vai ter origem no Kai Concept. Depois o mercado vai tratar de mostrar se estas novas tecnologias e conceitos pouco convencionais são mesmo o caminho a seguir.