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Os dez nomes mais populares em 2017: regresso ao passado

Tiago Pereira Santos

Dez nomes próprios femininos e masculinos agora muito populares em Portugal, durante décadas estiveram longe dos dez preferidos – e alguns até dos 100 primeiros. Há outros que teimam em permanecer nos primeiros lugares por mais que o tempo passe – é o caso de Maria. E há ainda os que saíram e não mais voltaram

O que têm em comum os nomes Santiago e Leonor? À partida nada, mas se olharmos para as listas dos dez nomes próprios mais atribuídos em 2017 em Portugal, a resposta é imediata. Santiago foi o mais escolhido entre os nomes masculinos e Leonor foi o segundo mais popular entre os femininos. E olhando para as listas compiladas no Instituto dos Registos e do Notariado desde os anos 50, nota-se uma tendência evidente: pelo menos cinco dos dez nomes próprios mais populares no ano passado – tanto para raparigas como para rapazes – estiveram durante décadas longe dos dez primeiros e até dos 100 mais atribuídos. Santiago e Leonor são dois desses exemplos.

Santiago assinala, aliás, o maior dos saltos nas preferências entre os nomes masculinos: se no início do milénio apenas foi atribuído a 16 crianças, em 2017 foram contabilizados 1914 registos. Com Leonor aconteceu quase o mesmo. Apenas surge acima da centésima posição nos anos 90 e só 16 anos depois é que entra na lista dos dez mais atribuídos. Desde então, foi ganhando popularidade, até que no ano passado foi dado a 1668 meninas.

Mas que razões estão por detrás desta popularidade dos nomes que há décadas eram quase esquecidos? Ivo Castro, professor catedrático de linguística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, explica que há uma tendência para ceder a modas, por mais que se tente individualizar uma criança através de um nome. E as modas podem ter várias origens: os santos do calendário, as novelas, os filmes, os famosos do desporto e até da política, defende Ivo Castro.

O quarto nome masculino mais popular em 2017, Afonso, também é um dos cinco que apenas se vulgarizou nos últimos anos. A tendência entre os anos 50 e 60 era de claro decréscimo, de tal modo que o nome chegou mesmo a desaparecer dos 100 primeiros nas duas décadas seguintes. Reapareceu na década de 90 e em 2006 entra pela primeira vez no pódio, quando se registaram 2188 Afonsos.

Outro exemplo: o nome Rodrigo – ausente das listas de preferências até ao final da década de 70 – foi o quinto mais popular em 2017, ano em que foi atribuído a 1420 recém-nascidos. Este não é caso único entre os nomes masculinos: também Tomás, agora o sétimo nome mais atribuído, apenas surge nos primeiros 100 nos anos 90 e Martim, atualmente 6.º classificado, só surge no início do milénio.

Nas listas femininas há nomes próprios que descem da centésima posição: Matilde, agora no terceiro lugar, passou esta fasquia entre década de 60 e 80; e Beatriz e Carolina, os quarto e quinto nomes próprios mais populares em 2017, estiveram duas décadas afastados destas listas.

Mariana foi sempre um dos 100 nomes mais atribuídos, embora com oscilações. Ora perdeu popularidade – chegando mesmo a baixar à 70ª posição na década de 70 —, ora a recuperou de forma gradual, até atingir em 2002 o melhor lugar até ao momento, o terceiro entre os nomes femininos, sendo atribuído a 3394 meninas. No ano passado foi o sexto mais escolhido.

Os que saíram do pódio e os que teimam em lá ficar

Entre décadas, numa passagem entre milénios, as listas de nomes transformam-se: uns sobem posições e entram para o pódio, outros são cada vez menos atribuídos e descem da centésima posição, e há ainda outros que, por mais que o tempo passe, teimam em permanecer no top-10.

O nome feminino mais popular em 2017 voltou a ser Maria, mas este não foi o seu primeiro nem único ano na liderança de escolhas dos pais portugueses. Na verdade, esteve no lugar cimeiro décadas a fio – 50, 60 e 70 – e embora no início do milénio houvesse mais Anas do que Marias, desde 2005 até à atualidade passou a haver registadas mais Marias do que qualquer outro nome feminino.

Este é o nome próprio que nunca saiu de moda desde que há registo e o principal motivo, segundo o professor Ivo Castro, deve-se à sua religiosidade católica. Como quase todas as santas se chamam Maria, à semelhança da mãe de Jesus Cristo, a maioria das crianças do sexo feminino recebia esse nome, explica Ivo Castro. Por esse motivo, Maria nunca desceu do terceiro lugar, sendo hoje em dia o nome próprio de mais de um milhão de mulheres e meninas portuguesas.

Ana também foi sempre um dos dez nomes mais escolhidos desde que há registos contabilizados. Foi o mais atribuído por duas décadas – 80 e 90 –, mas desde do início do milénio tem sido cada vez menos preferido. Resultado: em 2017 ocupou o pior lugar da tabela até então – o sétimo e foi atribuído a 1004 meninas.

O nome próprio João – o terceiro mais registado em Portugal o ano passado entre os recém-nascidos do sexo masculino – é um caso semelhante: ocupa os dez primeiros lugares da tabela desde a década de 50 e alcançou o primeiro lugar no ranking nos anos 80 e 90.

Mais irregular é a história da popularidade de Francisco. Nos anos 50 foi o oitavo nome mais escolhido, mas rapidamente saiu de moda e esteve décadas longe de ser dos mais atribuídos. Mas a tendência inverteu-se e agora Francisco ocupa o segundo lugar na tabela – por causa do Papa?

Já os nomes José e António perderam popularidade e não voltaram, até agora, a recuperá-la, tal como Rosa e Isabel no sexo oposto.

Para prever quais os próximos nomes que poderão mexer no pódio nos próximos anos, o professor Ivo Castro, professor catedrático de linguística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, deixa uma sugestão: “É olhando para o meio da tabela que se pode supor quais serão os que vão subir no ranking”. Partindo dessa pista, Salvador e Benedita, ambos na 16ª posição no ano passado, são dois grandes candidatos aos lugares cimeiros da tabela da popularidade nos próximos anos.

Os dez nomes mais populares em 2017

Para os amantes das estatísticas, aqui ficam os dez nomes mais escolhidos em 2017, bem como o número de crianças a quem foram atribuídos.

Femininos
1.º Maria (5699)
2.º Leonor (1668)
3.º Matilde (1639)
4.º Beatriz (1259)
5.º Carolina (1134)
6.º Mariana (1027)
7.º Ana (1004)
8.º Sofia (975)
9.º Francisca (911)
10.º Inês (873)

Masculinos
1.º Santiago (1914)
2.º Francisco (1772)
3.º João (1708)
4.º Afonso (1479)
5.º Rodrigo (1420)
6.º Martim (1334)
7.º Tomás (1257)
8.º Duarte (1220)
9.º Miguel (1201)
10.º Gabriel (1182)