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A “surpresa” da Altice aos números da Anacom: “apenas 0,3% dos clientes afetados” pelos incêndios continuam sem comunicações

Ainda há falhas de comunicações em algumas das zonas devastadas pelos incêndios de 2017. A maior pressão é sobre a PT

Luis Barra

A empresa garante que são “poucas centenas de pessoas” que ainda não têm o serviço a funcionar, a maioria diz respeito à rede fixa em “zonas remotas e isoladas”

É com “surpresa” que Altice reage aos números divulgados esta quinta-feira pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom). A entidade reguladora dava conta que os cerca de 4600 clientes que continuam sem serviço de telecomunicações, após os incêndios de 2017, são da MEO. A empresa detentora da operadora apresenta números muito diferentes: “poucas centenas de pessoas”.

“À data de hoje [quinta-feira], estão em processo de religação poucas centenas de pessoas, o que corresponde a apenas 0,3% do total de clientes afetados, estando estas pessoas, na sua maioria, servidas por meios alternativos de comunicação da Altice Portugal, e ainda assim assumindo a viabilidade de religação”, informa a Altice em comunicado. “Estes são números que são atualizados dia a dia, em função das religações que estão a ser efetuadas no terreno e de acordo com a disponibilidade dos próprios clientes para as efetuar”. Os problemas que subsistem dizem respeito à rede fixa, na maioria dos casos “zonas remotas e isoladas”.

A empresa sublinha ainda que foi “a única que sempre atualizou a informação e a divulgou de forma transparente à opinião pública”, acrescentando que a Anacom “nunca o fez com a regularidade que se exigia”.

“A conclusão do processo de reposição dos serviços envolve o contacto efetivo com o cliente, a concordância deste e sua disponibilidade, o que só por si motiva atrasos por razões variadas, desde dificuldades em contactar com os clientes ou em acordar os agendamentos para a reinstalação dos serviços, até à recusa da solução tecnológica que a MEO oferece para reposição dos serviços”, justifica ainda a empresa.

Esta quinta-feira, em que se assinalou o Dia Mundial dos Consumidores, a Anacom anunciou que existem ainda cerca de 4600 clientes sem serviço de telecomunicações restabelecido, após os incêndios de 2017. O alerta foi dado com base no volume de reclamações recebidas e dos contactos efetuados com as populações afetadas, “com as juntas de freguesia das áreas ardidas e com os operadores” prestadores dos serviços. Segundo a entidade reguladora, desse total “99% são clientes da MEO e os restantes são clientes da NOS e Vodafone que tinham o respetivo serviço suportado no operador grossista MEO”.