Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Lexus entra na era dos Super Coupés

Lexus LC 500h: um modelo de vocação desportiva que aposta na motorização híbrida

Toyota Caetano Portugal

Com o LC 500h a marca de topo do grupo Toyota levanta a fasquia: um híbrido imponente com alguma vocação desportiva e preço a condizer

Permita-me o leitor que comece esta crónica com uma declaração de interesses: a menos que me saia o Euromilhões não me parece que alguma vez venha a ter 120 mil euros (mais 12 mil na versão efectivamente ensaiada, a Sport+) para comprar o Lexus LC 500h Não se infira, contudo, daí que isso distorça a forma como olhei para este carro.

A primeira coisa que chama a atenção é o porte da viatura: comprido com quase 4,80 m e bastante largo, com mais de 1,90 m. Enche o olho, a estrada e a maior parte dos lugares onde se pode parar em Lisboa.

Esta impressão de coupé futurista que não ficaria mal numa série de ficção científica transmite uma ideia de desafogo interior que não é totalmente confirmada quanto nos sentamos a bordo. É claro que piloto e pendura estão bem sentados e nunca terão a sensação de andar às cotoveladas um ao outro. Mas psicologicamente falando a habitabilidade não parece (embora seja) muito maior que num desportivo do grupo como o Toyota GT-86. Quanto aos bancos de trás são mais para fazer figura que outra coisa e o mesmo se diga da bagageira que, à evidência, não chega aos 200 litros.

Ou seja, fica a pergunta: para onde foi o espaço? Em parte para o alojamento das baterias de iões de lítio do sistema híbrido mas essencialmente é uma questão de desenho e de filosofia do carro. Para andar com a família a marca tem outras propostas.

 Uma posição de condução baixa mas onde todos os comandos estão à mão de semear

Uma posição de condução baixa mas onde todos os comandos estão à mão de semear

Toyota Caetano Portugal

E que tal é em movimento? É altura de passarmos das reticências aos elogios. A motorização híbrida agrega um motor V6 de 3,5 litros a gasolina e um conjunto motor eléctrico-bateria debitando 185 cv. Conjuntamente são 360 cv e mais de 400 Nm de binário. Ou seja, o CT 500h é um sonho a andar. Acelera suavemente, recupera com prontidão mas se pisarmos o acelerador a sério vai dos 0 aos 100 km/h em cinco segundos, com um ronco de motor a condizer.

Onde o trabalho dos engenheiros que conceberam este carro é verdadeiramente notável é em matéria de suspensão e de direcção. Nada daqueles modelos desportivos que curvam espectacularmente mas nos dão cabo das costas no mau piso: uma eficiência total que nunca é inimiga do

conforto. Quanto à direcção, é perfeita: apontamos o carro e este vai para onde foi mandado, sem reacções temperamentais nem hesitações.

A qualidade de vida a bordo é, sem dúvida, boa, com cuidado expresso nos materiais, a começar pelos bancos e revestimentos. Há, como seria de esperar nesta gama, um sistema de projecção virtual de informações no pára-brisas (head up display). Do sistema de som Mark Levinson apenas direi que apetece desmontar e levar para casa.

Táctil ou fácil?

Contrariando a moda, os painéis de informação (rádio, climatização, navegação, etc) não são tácteis. São comandados por uma superfície, essa sim táctil, situada na consola central junto ao selector da caixa (automática mas com patilhas sequenciais no volante, o que é uma novidade nesta gama da marca). A documentação da Lexus diz que “a interface de toque remoto” permite “uma utilização rápida e intuitiva”. Outros construtores, tanto nipónicos como europeus, usam o sistema da rodela, análoga a um rato de computador, de manuseamento mais simples. Por uma vez na vida aquela máxima segundo a qual os japoneses nunca inventam e optam sempre pela solução mais simples não se parece ter verificado.

Já a solução do painel virtual deslizante em que um ecrã se desloca para o lado se quisermos seleccionar outra informação no mostrador principal (velocidade, rotações do motor, situação de carga do sistema híbrido, etc) é francamente bem conseguida. Esta tecnologia de mostradores TFT (Transistor de Película Fina) inclui um anel central que se pode deslocar para os lados.

Falta falar no consumo, variável que não sendo crítica para quem compra um carro destes, tem apesar de tudo significado, ou não tivesse a Lexus deixado de usar motores a gasóleo por razões ambientais. Pois bem, andando com suavidade, o que não quer dizer a pisar ovos, conseguem-se consumos abaixo dos dois dígitos (da ordem dos nove litros, mais décima menos décima) o que é obra. Carregando um pouco mais no prego, o pior que pode acontecer é o gasto de gasolina subir para os 12 ou 13 litros aos cem. Quanto a preços, de 120 a 132 mil euros, consoante a versão.