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Incêndios. Mais de 4500 clientes ainda sem serviço de telecomunicações

Ainda há falhas de comunicações em algumas das zonas devastadas pelos incêndios de 2017. A maior pressão é sobre a PT

Luis Barra

Alerta partiu da entidade reguladora do sector. Na data em que se assinala o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores, a Anacom faz o balanço das reclamações registadas em 2017 e lança o primeiro de uma série de vídeos para informar os consumidores sobre os seus direitos

Existem ainda cerca de 4600 clientes sem serviço de telecomunicações restabelecido, após os incêndios de 2017. O alerta foi dado esta quinta-feira pela entidade reguladora do sector, a Anacom, com base no volume de reclamações recebidas e dos contactos efetuados com as populações afetadas, “com as juntas de freguesia das áreas ardidas e com os operadores” prestadores dos serviços. Segundo a Anacom, desse total “99% são clientes da MEO e os restantes são clientes da NOS e Vodafone que tinham o respetivo serviço suportado no operador grossista MEO”.

A informação foi adiantada no âmbito do Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores, assinalado também pelo lançamento de uma série de vídeos que a entidade reguladora irá divulgar ao longo de 2018, dedicada à informação dos consumidores sobre os seus direitos. O primeiro destes vídeos alerta para os cuidados a ter nos contratos à distância.

Segundo o apuramento estatístico que a Anacom está a ultimar, fazendo o balanço das reclamações registadas em 2017, estas aumentaram 35% - percentagem que considera “o livro físico de reclamações existente nos estabelecimentos”, mas também “as reclamações que os consumidores passaram a poder fazer no livro eletrónico, a partir de julho” último.

Considerando os totais, foram registadas 72 mil reclamações em 2017, sendo 55 mil no livro físico e 17 mil no livro eletrónico.

No caso das reclamações no sector das comunicações eletrónicas, adianta a Anacom, os três maiores operadores (MEO, NOS e Vodafone) foram responsáveis por 94% do total de queixas.

Já no que toca ao sector das comunicações postais, “os CTT foram responsáveis por 93% do total de reclamações recebidas”. As reclamações relativas a este operador aumentaram 47% face a 2016, e tiveram como principais motivos questões relacionadas com atrasos significativos na entrega da correspondência, extravios e demoras no atendimento.

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