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D. Manuel Linda em carta aberta aos portuenses: “Estou feliz com as teias que Deus tem urdido a minha existência”

Em mensagem confessional dirigida aos seus novos paroquianos, o novo bispo do Porto promete não defraudar a confiança de quem apostou no seu nome. Das Forças Armadas e das Forças de Segurança despede-se com saudade mas lembra que os militares sabem bem o que é ter “guia de marcha”

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Numa longa mensagem confissional enviada à diocese do Porto, D. Manuel Linda revela que a sua nomeação foi uma das “felizes surpresas com que Deus tem urdido as teias“ da sua existência ao longo da vida. O novo bispo do Porto começa por agradecer ao Santo Padre, o Papa Francisco, a prova de confiança, prometendo não defraudar a confiança a quantos apostaram no seu nome.

D. Manuel Linda afirma que “não é sem emoção” que regressa ao Porto passadas quase quatro décadas de se ter formado no Seminário Maior, casa de onde surgiu para a vida sacerdotal, exerceu o sacerdócio colaborando na formação de novos padres: “Aqui volto como mais um de entre os muitíssimos que apostam tudo na evangelização e na promoção humana desta Diocese que sempre se distinguiu pela cultura dos seus membros, zelo missionário, santidade operante e sadia presença na sociedade”

No regresso à Invicta, D. Manuel Linda saúda em especial "os mais pobres, desempregados, doentes, idosos, detidos e quantos perderam os horizontes da esperança". Na missiva divulgada, o bispo do Porto deixa ainda um cumprimento às famílias, que considera a “a célula básica da sociedade” e também da Igreja. No dia em que foi nomeado, o novo bispo do Porto não se esquece de felicitar também os portuenses, o mundo do trabalho e suas organizações, os sectores da cultura e do desporto, os organismos voltados para a saúde e para a assistência social, “pilares da liberdade e da felicidade possíveis”.

D. Manuel Linda deixa ainda uma palavra de admiração aos dirigentes da comunidade que zelam pela autarquia, pelo ensino, segurançao ou administração. Por último, agradece a todos os que empenham muitas das suas energias ao serviço do Evangelho: “Os fiéis leigos que dão corpo aos organismos paroquiais e diocesanos e fermentam o mundo com o humanismo cristão; as religiosas e os religiosos que nos oferecem o exemplo do seguimento radical de Jesus; os Diáconos que testemunham a caridade como primeira característica do Reino de Deus; os Seminários que nos asseguram a esperança; os caríssimos Padres, alguns já tão cansados, que aguentam o peso do trabalho e a desconfiança de uma sociedade em continua mutação; o Cabido, instância de saber e de dinamismo sacerdotal; o Vigário Geral e membros das estruturas de participação, garantia da co-responsabilidade; o Reverendíssimo Administrador Diocesano, D. António Taipa e os Senhores Bispos Auxiliares, D. Pio Alves e D. António Augusto, os quais, no seu conjunto, constituem o verdadeiro centro nevrálgico da intensa vida diocesana”.

Na sua nova missão na “cidade do trabalho”, o bispo do Porto deixa a grantia que irá procurar “reconduzir a Igreja a uma tal simplicidade evangélica que a constitua referencial ético para o mundo actual”. “No caso desta nossa Diocese, legaram-nos um tal património histórico-moral que constitui uma referência incontornável para a Igreja e para a sociedade portuguesas. Tendo presente, apenas, aqueles que conheci pessoalmente, não deixarei de me inspirar na determinação granítica de D. António, no zelo pastoral de D. Júlio, na arguta perspicácia de D. Armindo, na lucidez intelectual de D. Manuel e na afectividade pura e contagiante de D. António Francisco”.

Na longa missiva, D. Manuel Linda lembra que "se daqui houve nome Portugal", também floresça uma Igreja aberta aos sinais dos tempos e sempre "reformanda, como pede o Papa Francisco e exigem os nossos contemporâneos”.

Na hora da despedida das Forças Armadas e de Segurança, o novo bispo do Porto realça que o pedido do Papa Francisco foi “irrecusável”, lembrando que os militares e polícias “sabem bem o que é obedecer” e a força moral de uma “guia de marcha para onde os nossos superiores entendem que somos necessários”.

“Por este motivo, partirei, com gosto, para o trabalho apostólico numa grande diocese que muito amo e admiro. Não obstante, esta mudança de actividade gera no meu interior uma extensa mancha de nostalgia e de saudade, já que, os quatro anos passados no meio castrense criaram relações e enraizaram amizades que não se podem ignorar. Agora, compreendo melhor uma conhecida frase de Santo Agostinho de Hipona e que se aplica a mim próprio: não se deixa sem dor o que se possuiu com amor”, escreveu D. Manuel Linda, em mensagem enviada aos militares.

  • Bispo das Forças Armadas e Segurança foi esta quinta-feira nomeado sucessor de D. António Francisco dos Santos, falecido em setembro. D. Manuel Linda, de 61 anos, tem por lema episcopal “Sede alegres na esperança”