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Sintomas, riscos, prevenção, consequências: o que precisa de saber sobre o sarampo

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Transmite-se “mais facilmente do que uma constipação”, basta um espirro ou uma tossidela. O sarampo foi eliminado em 2015 de Portugal. As autoridades de saúde insistem na vacinação e lembram que “grande parte da população está protegida”. Texto originalmente publicado a 18 de abril de 2017

O que é o sarampo? Quais os sintomas?

É uma infeção vírica que afeta o organismo todo. Normalmente curada em alguns dias.

Os principais sintomas na fase inicial são febre alta, tosse expectoração, olhos muito vermelhos e o nariz muito congestionado. Só ao fim de três ou quatro dias, começam a aparecer as pintas no corpo (primeiro na cabeça).

Ainda antes de essas manchas surgirem, já é possível diagnosticar o sarampo através da observação da mucosa oral, onde surgem as chamadas “manchas de Koplik” que os médicos sabem identificar. O mais aconselhável, quando surgem os primeiros sintomas, é ser observado por um médico.

Não há tratamento específico para o sarampo. É aconselhado repouso e são prescritos cuidados e terâpeuticas para aliviar os sintomas.

Como se transmite?

É provavelmente a grande preocupação em relação à doença. “Diria que a sua transmissão é até mais fácil do que a de uma constipação”, explica ao Expresso José Lopes dos Santos, presidente do Colégio de Pediatria.

“O sarampo é altamente contagioso. Se tivermos um doente numa sala e se estiver uma pessoa suscetível no mesmo espaço, a probabilidade de apanhar a doença é bastante grande”, diz o médico. “Habitualmente, transmite-se pelo contacto e através das partículas que ficam em suspensão no ar”, acrescenta.

Basta um espirro ou uma tossidela, por exemplo, para contagiar alguém que não esteja imunizado. O virus é transmitido pelo ar, através de gotículas ou aerossóis.

Atualmente, estão confirmados em Portugal dois casos de sarampo. Estão a ser analisados mais.

Quais são os grupos de risco?

Em Portugal, grande parte da população está protegida. Os mais novos foram vacinados, uma vez que a vacina contra o sarampo faz parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV) desde 1974, os mais velhos já tiveram a doença em criança, por isso estão imunizados.

Portanto, é considerado como grupo de risco quem não está vacinado ou nunca teve sarampo. Para o presidente do Colégio de Pediatria, os casos que suscitam alguma preocupação são as crianças com menos de 12 meses (a vacina só é administrada nessa idade), e um “grupo de pessoas relativamente pequeno, talvez entre os 35 e os 45 anos, que por motivos vários não chegaram a apanhar a vacina nos anos iniciais da sua implementação no PNV e nunca tiveram sarampo porque, quando eram crianças, a doença já era menos prevalente”.

“O grande risco do sarampo são os antivacinas. Aqueles pais que acham que sabem o que é bom e que acham que as vacinas são muito más e que fazem mal porque não são naturais. As pessoas com essas manias não vacinam as crianças”, diz ao Expresso o médico. “Felizmente, a maior parte da população portuguesa vacina as crianças. Neste momento, não tem condições para ser um problema de saúde pública, mas a continuar assim tem todo o potencial para o ser. É uma pena as crianças não estarem vacinadas”, acrescenta.

A vaci­na contra o sarampo foi incluída no programa e 1973, tendo sido atualizado ao longo dos anos. Atualmente, está prevista que a primeira dose da vacina seja administrada aos 12 meses. Uma segunda dose, que não é um reforço mas sim “uma nova oportunidade de vacinação”, está prevista por volta dos cinco anos. Em 2014, 98,2% das crianças até aos dois anos de idade cumpriram o plano de vacinação.

À partida, quem foi vacinado não será contagiado. “Mesmo que alguma pessoa vacinada tenha a doença será sempre um quadro muito ligeiro”, garante Francisco George, diretor-geral da Saúde.

Quais são as consequências do sarampo?

As complicações do estado de saúde devido ao sarampo não são muito comuns, pois “na maioria das vezes tudo é evolução corre pelo melhor”, no entanto as crianças e os adultos com mais de 20 anos são os mais suscetíveis.

As complicações mais comuns do sarampo são as otites e a diarreia. No caso da infeção do ouvido, estima-se que uma em cada dez crianças seja afetada. Já em relação à diarreia, esse valor é inferior a um por cada dez.

Também a pneumonia pode ser uma consequência do sarampo. Mais raros são os casos em que se desenvolve uma encefalite.

Embora seja raro, a longo prazo, uma pessoa que tenha tido sarampo pode desenvolver-se a panencefalite esclerosante subaguda (PESS), um infeção do cérebro. A infeção e o aparecimento dos sintomas pode demorar entre sete e dez anos. “É muito raro. Em toda a minha carreira, e vi milhares e milhares de doentes com sarampo, talvez tenha acontecido uma ou duas vezes”, diz José Lopes dos Santos

O sarampo mata?

A taxa de mortalidade difere consoante o país, a época do ano e até a etnia ou a nutrição. Em Portugal, o sarampo foi eliminado em 2015, com a Organização Mundial da Saúde a emitir o certificado. O Plano Nacional de Vacinação foi apontado como um dos principais motivos para o sucesso da erradicação.

Não é frequente, mas quanto o sarampo mata isso acontece na sequência das complicações do desenvolvimento da doença. Segundo dados norte-americanos, uma a duas pessoas morrem por cada mil a quem é diagnosticada a infeção. “Embora não seja muito alta, é certo que existe”, alerta José Lopes dos Santos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o plano de vacinação contra o sarampo conseguiu reduzir em todo mundo, entre 2000 e 2015, 79% o número de mortes.

Texto originalmente publicado a 18 de abril de 2017