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Sociedade

Ministro da Saúde responsabilizado pela segurança dos doentes

Miguel Guimarães atento ao discurso do ministro da Saúde durante a sua tomada de posse como bastonário da Ordem dos Médicos

José Caria

Bastonário dos médicos afirma que a falta de pediatras no Hospital de Évora “é mais uma das muitas faces visíveis do desinvestimento” no SNS e que Adalberto Campos Fernandes será culpabilizado por eventuais falhas na prestação de cuidados

“A Ordem dos Médicos vai responsabilizar o ministro da Saúde pela segurança clínica dos doentes e dos médicos, instando o Governo a resolver rapidamente a situação e pedindo a intervenção dos deputados da Assembleia da República”, avisa esta terça-feira o bastonário. Miguel Guimarães reage assim ao alerta de rutura na Urgência pediátrica de Évora por falta de especialistas.

O constrangimento nos recursos humanos “é mais uma das muitas faces visíveis do desinvestimento a que tem sido sujeito o Serviço Nacional de Saúde (SNS) na última década”, “dificuldades que se acentuam nas unidades de saúde das regiões do Interior.” O caso chegou à Ordem através de um documento assinado pelos pediatras do Hospital do Espírito Santo de Évora, onde se manifesta o “descontentamento com as condições de trabalho e de assistência que são atualmente praticadas no Serviço de Urgência Pediátrica", explica Miguel Guimarães.

“A Ordem dos Médicos tem vindo a alertar que em muitas unidades de saúde as escalas de serviço só são asseguradas graças ao esforço e dedicação exemplar dos médicos, que asseguram, muitas vezes com prejuízo pessoal, escalas sucessivas para evitar que falhe a prestação de cuidados de saúde aos utentes do SNS.” O bastonário critica ainda o facto de não estar previsto um reforço das equipas.

"No recente concurso para a colocação de jovens médicos especialistas apenas está prevista uma vaga para cirurgia pediátrica no Hospital do Espírito Santo de Évora, não estando contemplada qualquer vaga para a especialidade de pediatria”. Para Miguel Guimarães "não se percebe que o Ministério da Saúde não tenha procurado reforçar uma unidade claramente carenciada, quando se sabe que um terço do quadro médico deste hospital já não faz serviço de Urgência por ter atingido o limite da idade que lhes permite essa dispensa ou por estarem integrados na Urgência da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais”.

Além da falta de especialistas, os médicos do hospital alentejano referem "as instalações desadequadas à atual realidade dos cuidados de saúde prestados, deficiências que a tutela tem ignorado apesar das sucessivas queixas e alertas dos médicos especialistas" e que continuam "a acentuar as clivagens regionais no país, contribuindo, cada vez mais, para que haja portugueses de primeira e de segunda, com acesso a cuidados de saúde condicionado em função do código postal”, afirma o bastonário.

A Administração Regional de Saúde do Alentejo propõe contratar mais médicos em regime de prestação de serviços mas para a Ordem esta opção “apenas pode ser encarada como uma solução temporária para evitar a rotura do serviço enquanto não são contratados especialistas para os quadros do hospital”.