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Marcelo pede "esforço de mentalidade" para integrar comunidades ciganas

José Sena Goulão/Lusa

O Presidente disse hoje, depois de visitar a comunidade cigana desalojada em Faro, que "é do interesse de todos que ninguém se marginalize a si próprio". E que "todas as comunidades queiram integrar-se, queiram que os seus filhos e netos se integrem, que tenham uma profissão e exerçam essa profissão sem discriminações".

O Presidente da República pediu hoje, no final de uma visita à comunidade cigana de Faro que ficou desalojada após o mau tempo, um "esforço de mentalidade" coletivo para integrar as pessoas dessa etnia na sociedade.

"Este esforço recíproco é um esforço de mentalidade, que temos de todos os dias fazer. É uma luta de todos os dias", salientou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à comunicação social no pavilhão municipal da Penha, onde mais de cem pessoas da comunidade cigana do Cerro do Bruxo estão alojadas temporariamente desde domingo.

O chefe de Estado considerou que se trata de um processo longo, mas importante, e que merece um esforço coletivo para aceitar a integração de todos e "não marginalizar ninguém".

"A coisa mais difícil de mudar é a mentalidade das sociedades. É mais fácil mudar as leis, é mais fácil mudar a economia, é mais fácil mudar outra coisa, a cabeça das pessoas demora mais tempo. Demora mais tempo e é um processo mais importante", garantiu.

Marcelo Rebelo de Sousa disse também que "é do interesse de todos que ninguém se marginalize a si próprio" e que "todas as comunidades queiram integrar-se, queiram que os seus filhos e netos se integrem, que tenham uma profissão e exerçam essa profissão sem discriminações".

Mais de 100 desalojados

Desde domingo à noite que mais uma centena de pessoas de etnia cigana estão alojados, de forma temporária, no pavilhão da Penha, depois de o seu acampamento, situado na zona do Cerro do Bruxo, à saída da cidade de Faro, ter sido afetado pelo mau tempo.

Na visita à infraestrutura, o Presidente da República cumprimentou quase todos os membros da comunidade e esteve à conversa com alguns dos seus principais membros, que lhe contaram como vivem e o que aconteceu no dia do tornado, em 4 de março.

O chefe de Estado destacou o "acompanhamento permanente" que as entidades locais têm feito, nesta "situação de emergência", e sublinhou estar a ser garantida a ida das crianças à escola.

"É muito importante não haver interrupção [da situação escolar]. É tão importante, por um lado, de valorização pessoal e social e de integração comunitária, a ida à escola é uma prioridade", frisou Marcelo Rebelo de Sousa sobre os jovens, que disse constituírem cerca de metade dos membros desta comunidade cigana.

Consciente das dificuldades da Câmara Municipal de Faro para arranjar realojamento para esta comunidade específica, e para outras também à espera de habitação, o Presidente da República disse esperar ver soluções globais para um problema com mais de duas décadas.

"Foi dito que esta situação dura há 20 anos. [Tem de ser encontrada uma fórmula] que permita realmente aquilo que hoje se entende que deve acontecer, que é não haver segregações, nem separações, nem distanciamentos. Tem de haver uma integração comunitária e isso começa desde logo no alojamento, na habitação", salientou Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, reafirmou que a comunidade terá de voltar ao acampamento do Cerro do Bruxo, assim que as condições climatéricas o permitam.

"A perspetiva é que, logo que as condições climatéricas o permitam, possam voltar. Vamos ajudar a que as condições que tenham sejam melhores", referiu o autarca, informando que a secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, visitará o local na segunda-feira.