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BE e Verdes querem que Governo trave mina de urânio em Retortillo 

Infografia Carlos Esteves

Duas recomendações entregues na Assembleia da Republica, uma do Bloco de Esquerda e outra do partido Os Verdes vão ser votadas na próxima semana. O objetivo é levar o Governo a adotar medidas junto das autoridades espanholas para travar a instalação de mina de urânio a 40 km da fronteira portuguesa

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Alertando para “os vários riscos para a saúde pública e para os ecossistemas” que uma mina de urânio acarreta, o Bloco de Esquerda entregou esta quinta-feira na Assembleia da República um projeto de resolução que recomenda ao Executivo de António Costa que “tome todas as diligências junto do Governo espanhol no sentido de garantir a não instalação da mina de urânio de Retortillo-Santidad (Salamanca)”.

Lembrando que uma mina de urânio a céu aberto localizada a 40 kilómetros do concelho de Almeida pode afetar Portugal, os bloquistas querem que Lisboa “exija” a Madrid “a realização da avaliação de impacte ambiental transfronteiriço e recorra para esse efeito a todos os mecanismos bilaterais e europeus disponíveis”.

Um projeto no mesmo sentido, foi apresentado pelo partido os Verdes e vai ser votado a 16 de março em Plenário. A recomendação do PEV salienta que “a extração e a exploração mineira de urânio é uma atividade de elevado risco, dado o potencial radioativo deste minério” e “com consequências que perduram por demasiados anos”, podendo entrar na cadeia alimentar humana e animal, “aumentando o risco de contaminação e de doenças graves”.

A mina projetada pela empresa mineira Berkeley para Retortillo-Santidad (Salamanca), a cerca de 40 Km da fronteira portuguesa, ficará junto ao rio Yeltes, que é um afluente Huebra, que desagua no Douro. Como tal, há riscos não só de contaminação pelo ar como pela água, sobretudo para os concelhos raianos de Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo e Freixo de Espada à Cinta, assim como para outros municípios banhados pelos rio Douro. A Agência Portuguesa do Ambiente já reconheceu que o projeto “é suscetível de causar impacto em território português”.

Lembrando que “o Governo já declarou que o Estado espanhol não está a cumprir o Protocolo de Atuação”, o BE considera que “são necessárias consequências mais efetivas por parte do Estado português”.

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, indicou que o tema estará na agenda do encontro que vai ter com a sua homóloga espanhola, durante o Fórum Mundial da Água, que decorre de 18 a 22 de março em Brasília.