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Inundações, queda de árvores, obstrução das vias, abatimento de pisos e mais de 400 ocorrências: um dia de Felix

Abatimento de piso na Rua Garrett em Lisboa

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ Lusa

Fortes rajadas de vento e chuva forte têm causado mais estragos no sul mas a previsão é que durante o fim de semana a depressão Felix passe para o centro e o norte

Soraia Pires

Soraia Pires

Jornalista

A chuva manifestou-se forma intensa nas últimas horas com a tempestade Félix. Os primeiros estragos resultantes desta depressão que vem do mar começaram a ser reportados esta madrugada, principalmente no sul. Chuva muito forte, rajadas de vento e agitação marítima intensa fizeram com que a Proteção Civil tenha recebido cerca de 450 ocorrências entre as 00h e as 18h30. “A maior parte das situações reportadas estava associadas a inundações na via pública e no domicílio, quedas de árvores e ramos e obstrução das vias”, diz ao Expresso fonte da Proteção Civil.

Os distritos mais afetados pela depressão são Lisboa, Santarém, Setúbal e Castelo Branco. Na capital há relatos de muitas inundações na via pública, abatimento de solo e deslizamento de massas. Devido à chuva forte, o piso abateu nalguns locais, como na Rua do Arco do Carvalhão (Campo de Ourique), Rua de Angola (freguesia dos Anjos) e Rua Garret (Baixa), onde houve um abatimento de piso devido à erosão do terreno da calçada. Devido ao mau tempo, a Torre de Belém vai continuar de portas fechadas.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ Lusa

Em Vila Franca de Xira também ocorreu um deslizamento de terreno que levou ao corte da estrada N10 durante algumas horas. “A situação já está regularizada”, diz fonte da Proteção Civil. Em Setúbal registou-se mais a queda de árvores do que inundações.

No total, foram reportadas 203 inundações em todo o país e a chuva forte obrigou o corte de algumas estradas. “É possivel que existam estradas municipais e no interior que tenham sido cortadas devido à queda de árvores, mas são situações que rapidamente são resolvidas”, clarifica a Proteção Civil.

O mau tempo também afetou o arquipélago da Madeira. Até às 12h30, com rajadas que chegaram a atingir os 118km/h, a torre de controlo do aeroporto não tinha realizado nenhuma operação aérea. Foram cancelados pelo menos 26 voos. O trânsito em Santa Cruz está bastante condicionado devido à queda de árvores nas estradas.

HOMEM DE GOUVEIA/ Lusa

As fortes rajadas de vento e a chuva forte têm causado mais estragos no sul mas a previsão é que durante o fim de semana esta depressão passe para o centro e o norte. “No Porto temos oito ocorrências. Em Lisboa 219. Temos estado a presenciar a evolução desta depressão mais a sul mas, pelo que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) nos disse, ao longo do dia de sábado ela vai passar para a zona do litoral centro e norte, podendo afetar mais a zona do Porto”, refere a mesma fonte da Proteção Civil.

O mau tempo vai prolongar-se nas próximas horas e está a motivar avisos laranja por parte do IPMA e alertas das autoridades marítimas para o estado do mar, onde as ondas podem chegar aos 15 metros.

Adotar um comportamento adequado

A Proteção Civil fez algumas recomendações para nos prepararmos para o mau tempo. Primeiramente, é necessária a limpeza dos sistemas de escoamento para evitar inundações. “Tivemos um longo período sem precipitação e é normal que as pessoas não as limpem tão regularmente. Mas agora é mesmo necessário que o façam”, clarificou a Proteção Civil. Os condutores precisam de ter cuidado com o piso escorregadio e molhado, precisando de adotar uma condução defensiva e uma velocidade adequada às condições atmosféricas.

Evitar as zonas inundadas e a zona costeira são outros dos conselhos dados e, embora possa parecer óbvio, “existem pessoas que querem ver o estado do mar, que está realmente agitado, com ondas a atingirem uma altura significativa, e não é mesmo nada apropriado”. Averiguar as estruturas que possam estar soltas nas ruas e que possam ser arrastadas pelas rajadas de vento é outra das recomendações. “Assim evitamos mais estragos e até lesões em pessoas.”

As pessoas que morem em habitações mais térreas devem fazer a proteção da entrada das suas casas com sacos de areia para evitarem que a água entre dentro das mesmas.