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Rói-te de inveja, Aladino!

A Citroen renovou o Cactus. De lado ficou o estilo crossover, que deu lugar a uma berlinda assumida. Os controversos Airbumps também abandonaram as laterais do carro. A principal novidade é uma nova suspensão, que a marca francesa apelida de tapete mágico. O jornalista Rui Pedro Reis esteve ao volante na região francesa da Provença e diz que este é o carro certo para Aladino

Rui Pedro Reis/SIC em Marselha, França

Tempo frio e a paisagem da Provença francesa, num ambiente romântico q.b. com o interior do Citroen C4 Cactus nuns agradáveis 20ºC. Esta não é uma história de amor mas tem um final feliz. Até porque desde que nasceu que o Cactus é um daqueles casos de amor/ódio. O modelo francês desde sempre que colheu diferentes reações e agora, a marca do grupo PSA quer torná-lo mais consensual.

Em 2004, quando o vimos pela primeira vez, o C4 Cactus era um Crossover pouco convencional, mas abria caminho para um estilo único e sem rival. Agora, de um crossover passou a berlina, com uma imagem mais consensual. Os Airbumps, que a Citroen tanto enalteceu há quatro anos e que preenchiam boa parte da lateral do automóvel, estão agora reduzidos a uma tira de pequenas “almofadas” na zona inferior das portas. O design da traseira também mudou, assim como a frente que assume agora um visual mais estilizado.

O tapete mágico

A designação é da própria Citroen. O tapete mágico não se vê mas sente-se. A suspensão adopta batentes hidráulicos progressivos, que resultam numa suavidade e conforto que são notórios em estradas com mau piso. O trabalho de insonorização faz o resto. Há muita suavidade neste C4 Cactus, que acaba por tirar algum prazer de condução mas torna a viagem bastante mais refinada face ao modelo anterior. Os duas versões do motor Pure Tech 1.2, a gasolina, assentam bem a este francês. Uma debita 110cv, outra 130 cv. Neste primeiro contacto, não notei uma diferença grande de rendimento. A alternativa é o motor diesel 1.6 BlueHDI, com 100 cv. Mas a oferta a gasolina parece uma escolha bem mais acertada. Mesmo nas estradas sinuosas do sul de França, o motor 1.2 110 cv conseguiu consumos na casa dos 6 litros aos 100 km. O comportamento em curva é muito preciso, ainda que a direção não seja muito informativa. E a suspensão de que se fala, até começa por se estranhar, mas depois entranha-se e resulta num conjunto que os passageiros agradecem porque representa uma experiência de conforto pouco habitual neste segmento. A versão de 110cv pode estar equipada com a caixa automática EAT6, que custa €1600 mas assenta bem neste familiar compacto. Com este conjunto, dei por mim a chegar ao final dos cerca de 200 km da viagem com vontade de mais e até com a sensação de me ter divertido ao volante do C4 Cactus. Coisa rara num automóvel que privilegia o conforto.

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Sinta-se em casa

O interior do C4 Cactus foi desenhado para transmitir uma sensação de espaço. Neste novo modelo, há materiais melhores mas continua a existir uma tendência para alguns plásticos menos nobres. Entra as coisas que não mudam estão as janelas traseiras que abrem em forma de compasso e os bancos tipo poltrona, que oferecem muito pouco apoio lateral. A personalização é outra das apostas, com cinco ambientes interiores e 31 combinações de cores da carroçaria. Com três níveis de equipamento: Live, Feel e Shine, o equipamento é bastante completo e o nível intermédio (Feel) consegue ser um bom compromisso. Com 358 litros de bagageira e um espaço a bordo generoso, o Citroen C4 Cactus consegue bater-se com rivais como o Volkswagen Golf. A favor do modelo da marca francesa está o preço bastante competitivo e o conforto, com o familiar alemão a levar a melhor em comportamento dinâmico. O Citroen C4 Cactus chega ao mercado português em Abril. Numa era em que a moda SUV ganha cada vez mais terreno, a aposta da Citroen é fazer a diferença. Até porque os adeptos de SUV já têm a opção do C3 Aircross, que até ganha em bagageira e consegue oferecer uma habitabilidade semelhante. O tempo dirá se ainda há muito público para um familiar compacto com C4 Cactus onde a posição de condução algo elevada se combina com a imagem de um automóvel urbano e de design simples.

Ficha técnica Citroen C4 Cactus 1.2 PureTech 110 cv

Motor
1199 cc
110 cv
205 nm às 1 500 r.p.m.

Transmissão
Dianteira
Manual de 5 velocidades

Prestações
188 km/h vel. máxim
10,3s 0-100 km/h

Consumos
4,5l/100 km ciclo misto
104g CO2/km

Preço Desde €19 000