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Bispos do centro defendem integração de recasados "em pleno direito"

Documento conjunto de seis dioceses segue "linha de acolhimento" dos casais em "situação irregular" que queiram regressar à Igreja. À margem da polémica criada em torno da nota do patriarca de Lisboa, bispos defendem integração "em pleno direito, como deve ser"

Os bispos de seis dioceses do Centro do país aprovaram, na segunda-feira (26 de fevereiro), em Viseu, uma posição conjunta sobre a situação dos recasados na Igreja Católica. “O texto é comum” às dioceses e “vai na linha do acolhimento e integração”, disse ao Expresso fonte oficial de uma diocese. Caberá, agora, a cada uma das dioceses a divulgação do documento, na data que achar mais oportuna.

Conforme o Expresso noticiou na edição semanal de 17 de fevereiro, os bispos de dioceses da região Centro optaram por redigir um "documento comum" sobre a forma como a Igreja deve lidar com a situação dos recasados e responder ao desafio lançado pelo Papa Francisco na sua exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’.

A iniciativa envolve Aveiro, Viseu, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima e Portalegre-Castelo Branco. Fonte da diocese de Lamego, que o Expresso escrevera fazer parte do movimento, esclareceu entretanto que D. António Couto, bispo de Lamego, "não participa (nem nunca participou) nas reuniões dos bispos do Centro do país e não assinou qualquer documento elaborado pelos restantes" prelados".

O gesto inédito dos prelados do centro do País foi conhecido dias depois de ter estalado a polémica em torno da nota pastoral emitida pelo patriarca de Lisboa precisamente sobre o mesmo tema. D. Manuel Clemente punha como condição para a reintegração dos recasados a "continência sexual" e, mais tarde, assumiu ao Expresso ter sido "mal compreendido".

Um dos prelados envolvidos na elaboração do documento conjunto agora aprovado, D. Ilídio Leandro, bispo de Viseu, explicou à Renascença que o texto vai permitir "integrar as pessoas na Igreja em pleno direito como deve ser". "Desde há um ano que andamos a estudar a exortação apostólica do Papa 'A Alegria do Amor' e, então, temos um documento para o acolhimento e acompanhamento aos divorciados recasados”, explicou.

D. Ilídio Leandro identifica uma das directrizes desse documento: “Prevê-se que todos os casais que queiram continuar a fazer a sua vida na Igreja tenham um acompanhamento de algum tempo, de alguns encontros com um padre que os ajude a reflectir a situação que os motivou à separação e todo o caminho que têm feito, procurando uma reconciliação absoluta com a pessoa de quem se divorciaram e também com os filhos de quem por ventura tenham ficado afastados, no sentido de poderem participar totalmente na Igreja, na comunhão e na Eucaristia."

Uma linha de orientação que foi dada, em primeiro lugar, pelo arcebispo de Braga. Em junho do ano passado, contrariando a passividade de outros responsáveis da Igreja, D. Jorge Ortiga fixou "critérios para o funcionamento de acolhimento e apoio à família" e assumiu como "uma tarefa urgente" e "missão prioritária o acolhimento dos recasados. Desde janeiro, Braga tem equipas multidisciplinares a trabalhar no terreno. "O feedback é muito positivo. Da parte dos casais há muito interesse, há muitas questões e há muitas dúvidas.Na semana seguinte ao anúncio do Serviço recebemos muitos telefonemas a pedir esclarecimentos", diz Alexandra Araújo, que coordena o projeto.

(Texto alterado às 12h15m de 5 de março, indicando o local da reunião onde foi aprovado o documento e rectificando a situação da diocese de Lamego, que não assinou a posição conjunta)