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Família de sem-abrigo que morreu em Londres já foi avisada

O sem-abrigo português foi encontrado na entrada do metro de Londres pelos serviços de emergência

Olivia Harris/ reuters

Morte de Marcos G. em Westminster causou comoção entre os deputados britânicos

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A família de Marcos G., o sem-abrigo de 35 anos que morreu dia 14 em Londres, já foi alertada pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. O português vivia há alguns anos no Reino Unido e já tinha sido por duas vezes deportado daquele país por problemas com as autoridades locais.

Como a família não reside em Portugal, o Governo teve alguma dificuldade em encontrar o seu paradeiro de modo a comunicar formalmente da morte do homem que há alguns meses vivia entre as ruas e os centros de abrigo da capital britânica.

Ao Expresso, o assessor da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, revela agora que "a família foi contactada no princípio desta semana".

Em 2014, Marcos G. foi deportado para Portugal pelas autoridades britânicas. Nesse regresso, foi apoiado através da colaboração entre a Direção-Geral de Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas e a Segurança Social. Em 2016, voltou a ser deportado do Reino Unido, por se encontrar ilegalmente no país.

Há dois anos que as autoridades portuguesas não sabiam do paradeiro de Marcos G. Na altura, os Serviços Consulares não conheciam a existência de familiares diretos deste cidadão em Portugal, "sabendo-se que poderão residir noutros países, nomeadamente em Angola, onde o cidadão tinha raízes familiares”, afirmou na altura o Governo.

O português foi encontrado dia 14 junto à saída do metro perto do Parlamento britânico. Eram 7h16 quando os serviços de emergência foram alertados para um homem que estava caído e sem respirar na saída 3 da estação de metro de Westminster. “Enviámos o nosso chefe de equipa, paramédicos e duas ambulâncias. Infelizmente, e apesar dos esforços para o reanimar, morreu no local”, informava ao Expresso o porta-voz da London Ambulance Service.

O caso gerou uma onda de solidariedade entre os deputados de Westminster, que se cruzavam com o sem-abrigo quase todos os dias. Jeremy Corbyn, líder trabalhista, deixou um ramo de flores e um bilhete a homenagear o português.

Marcos G. já tinha trabalhado como modelo e aspirava trabalhar na área do entretenimento mas vivia em abrigos no centro de Londres. Com experiência no ramo da hotelaria, há uma semana tinha preenchido uma candidatura para empregado de mesa. Testemunhas citadas pela imprensa britânica descrevem-no como sendo uma pessoa desequilibrada, com problemas mentais e de alcoolismo.

Em comunicado enviado ao Expresso, a The Connection at St. Martin-in-the-Fields, centro que acolheu Marcos G. nos últimos meses, refere que embora o português estivesse em “circunstâncias complexas”, gostava de cantar e participava “com frequência” nas aulas de ioga.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta morte “desumana”.