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Sociedade

BE aponta sobrelotação no internamento do Sta. Maria e muitos doentes em macas

José Carlos Carvalho

Administrador do hospital de Santa Maria foi ouvido esta quarta-feira na comissão parlamentar de Saúde, a pedido do BE, e alertou para o facto de a taxa de internamento dos doentes naquela unidade ultrapassar os 100%

O Bloco de Esquerda aludiu esta quarta-feira a uma sobrelotação constante nos internamentos no hospital de Santa Maria, em Lisboa, com dezenas de doentes internados em macas e taxas de internamento que ultrapassam os 100%.

"A taxa de internamento no hospital de Santa Maria é na ordem dos 130% nos serviços de medicina, com utentes internados em macas. E não é só no pico da gripe, é sempre", afirmou o deputado do BE Moisés Ferreira, na comissão parlamentar de Saúde.

O administrador do hospital, Carlos Martins, admitiu que a taxa de ocupação do hospital ultrapassa os 100%, com todas as camas ocupadas, mas lembrou que tem hoje 139 doentes a aguardar uma vaga em instituições sociais ou na rede nacional de cuidados continuados.

"Temos 101% de taxa de ocupação na manhã de hoje. Tínhamos as 1.110 camas ocupadas. Mas a saúde move-se por vasos comunicantes", afirmou, indicando que entre 12 a 15 por cento da capacidade de resposta do hospital está ocupada por casos sociais ou pessoas que aguardam vaga noutras instituições sociais.

Carlos Martins reconheceu ainda que o hospital precisa de mais camas na área da medicina, sobretudo tendo em conta o perfil etário dos doentes, que se foi modificando.

"Mas ainda recentemente toda uma ala de internamento de cirurgia geral esteve afeta à medicina, bem como camas de otorrino", disse.

Para o administrador do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, onde se integra o Santa Maria, o essencial "é ter os doentes devidamente instalados e devidamente acompanhados".

"Quando há [doentes em] macas, estão em corredores de internamento e estão com a dignidade possível a aguardar uma cama", indicou.

Depois das respostas de Carlos Martins, o deputado Moisés Ferreira insistiu que as indicações que o seu partido tem relativas a terça-feira à tarde apontam para cerca de 70 pessoas dos serviços de medicina internadas em macas.

Carlos Martins foi ouvido esta quarta-feira na comissão parlamentar de Saúde, precisamente a pedido do Bloco de Esquerda, sobre "o encerramento de 54 camas de agudos no hospital Pulido Valente", que também integra o Centro Hospitalar de Lisboa Norte.

O presidente da administração do Centro Hospitalar rejeitou qualquer encerramento de camas: "Queria deixar claro que não foram encerradas 54 camas, ponto final". Segundo Carlos Martins, forma "deslocalizadas 30 camas" da ala sul do Pulido Valente para a ala norte, enquanto outras 24 camas foram "relocalizadas para o hospital Santa Maria".

"Essas 54 camas estão ativas", insistiu, considerando ainda que a atividade do Pulido Valente tem aumentado.

De acordo com os dados fornecidos aos deputados, o Pulido Valente tinha 16 especialidades quando abriu e tem no momento 20 especialidades. Quanto ao bloco operatório, era usado por cinco especialidades e, no momento, é utilizado por nove.

Carlos Martins referiu ainda que, em 2015, foi criado no Pulido Valente o departamento do tórax, com cirurgia torácica, e que em 2016 abriram as consultas de psiquiatria e no ano passado a pedopsiquiatria.