Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Advogado diz que Rangel está indiciado de três crimes e nenhum é de corrupção

José Caria

Medidas de coação a aplicar a Rui Rangel e a Fátima Galante, arguidos na Operação Lex, foram conhecidas esta quarta-feira. Advogado de Rangel esclareceu quais os crimes de que este está indiciado

Helena Bento

Jornalista

Já são conhecidas as medidas de coação a aplicar aos juízes desembargadores Rui Rangel e Fátima Galante, arguidos na Operação Lex.

Rui Rangel ficou proibido de contactar com alguns arguidos cujos nomes não foram revelados, foi suspenso das funções de juíz desembargador e obrigado a pedir autorização de cada vez que pretender deslocar-se ao estrangeiro, uma vez que tem dupla nacionalidade, portuguesa e angolana. A Fátima Galante foram aplicadas as mesmas medidas de coação, à exceção da última.

As medidas foram divulgadas aos jornalistas presentes esta tarde no Supremo Tribunal de Justiça por João Nabais, advogado de Rui Rangel, que esclareceu que o seu cliente não está indiciado do crime de corrupção/recebimento indevido de vantagens, conforme foi noticiado pelos meios de comunicação social, mas sim dos crimes de tráfico de influências, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

João Nabais, advogado de Rui Rangel.

João Nabais, advogado de Rui Rangel.

José Caria

O Ministério Público tinha apresentado na sexta-feira a sua proposta, já depois Rui Rangel e Fátima Galante terem sido interrogados no Supremo Tribunal de Justiça, sessão durante a qual se mantiveram em silêncio. Foi dado aos advogados o prazo de segunda-feira para se pronunciarem.

Rui Rangel e Fátima Galante, juízes desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa, já tinham sido suspensos preventivamente das suas funções pelo plenário do Conselho Superior da Magistratura, que também suspendeu a promoção ao Supremo Tribunal de Justiça de Fátima Galante.

Além de Rui Rangel e de Fátima Galante, a Operação Lex tem pelo menos outros 11 arguidos, entre os quais se encontram o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o vice-presidente do clube Fernando Tavares e o ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol João Rodrigues. A Procuradoria-Geral da República diz que estão a ser investigados no âmbito do inquérito os crimes de tráfico de influências, de corrupção/recebimento indevido de vantagem, de branqueamento e de fraude fiscal.

Cinco dos arguidos que se encontravam detidos já foram ouvidos no Supremo Tribunal de Justiça - saíram todos em liberdade, tendo um deles pago uma coima de 25 mil euros.

Na operação, que começou a 30 de janeiro, foram realizadas 33 buscas, nomeadamente no estádio da Luz, em três escritórios de advogados e nas casas de Rangel, Fátima Galante e Luís Filipe Vieira.