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EPL: reclusos que provocaram distúrbios fechados nas celas

Mais de 200 presos que provocaram ontem distúrbios ficaram este domingo fechados nas celas. Os incidentes foram “muito graves”, pois levantarem ” problemas de segurança, apesar de não ter chegado a haver um motim"

Os mais de 200 reclusos que no sábado provocaram distúrbios no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) estão este domingo fechados nas celas e o grupo de intervenção policial dos serviços prisionais está de prevenção em Monsanto, disse fonte sindical à Lusa.

O presidente do Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional (SINCGP), Júlio Rebelo, adiantou que a situação continua instável no EPL com os mais de 200 reclusos da ala E fechados na cela o dia todo, sem sair para comer as refeições.

Júlio Rebelo disse também que o grupo de intervenção policial dos serviços prisionais, com cerca de 20 elementos, está de prevenção no Estabelecimento Prisional de Monsanto.

O presidente do sindicato considerou os incidentes de sábado no EPL de “muito graves”, pois levantaram “problemas de segurança”, apesar de não ter chegado a ser um motim.

Na base dos distúrbios este o facto de a hora da visita ter sido encurtada para meia hora no sábado. Foi por isso que os reclusos da ala E partiram caixotes do lixo, deitaram a comida para o chão, vandalizaram o refeitório à hora de jantar, tendo sido necessário chamar à cadeia o grupo de intervenção policial dos serviços prisionais.

Júlio Rebelo disse que alguns reclusos chegaram a incendiar caixotes do lixo.

Em declarações à agência Lusa, o diretor geral dos Serviços Prisionais afirmou que o abandono do posto por vários guardas do EPL provocou “alguma gritaria” entre os reclusos, “mas não passou disso”, referindo que o grupo de intervenção policial dos serviços prisionais foi chamado à prisão, como “faz parte dos procedimentos, mas nem sequer atuou”.

Celso Manata disse que “houve um conjunto de guardas que às quatro horas da tarde abandonaram o serviço ilegalmente”, o que provocou “dificuldade em manter os horários normais” nas visitas, refeições e medicação.

O presidente do Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional refutou estas declarações de Celso Manata, sublinhando que os guardas prisionais “não abandonaram” o serviço, uma vez que o seu horário terminava às 16:00.

“Com o novo horário imposto, o diretor-geral quer obrigar os guardas prisionais a trabalhar mais duas horas”, acrescentou.

Celso Manata indicou que o novo horário por turnos de oito horas, que começou em janeiro deste ano em seis estabelecimentos prisionais “em estado a funcionar bem em todo lado, menos em Lisboa”, devendo os guardas que saem às 16:00 sair às 19:00.

Também o presidente do Sindicato Nacional do Corpo dos Guardas Prisionais, Jorge Alves, disse no sábado à Lusa que o EPL se debate com falta de efetivos da guarda prisional, o que tem levado a que serviços, como as consultas médicas, sejam sistematicamente adiados.