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Celtejo apela à divulgação dos resultados das análises

PAULO CUNHA/ Lusa

A Celtejo, suspeita de estar na origem da poluição do Tejo na zona de Abrantes, defende a divulgação dos resultados das análises.

A Celtejo, a unidade de pasta de papel da Altri em Vila Velha de Ródão, defende a divulgação dos resultados das análises à poluição no rio Tejo, como já pediram as associações ambientalistas. Os resultados estão em segredo de justiça, por ordem do Ministério Público.

A Celtejo "concorda com os ambientalistas na importância da divulgação dos resultados das análises feitas pela Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território", afirmou à Lusa fonte oficial da Celtejo.

Foi o Ministério Público que aplicou o segredo de justiça à investigação, numa altura em que continuam a ser retirados diariamente sacos de lixo do fundo do rio. O Ministério Público limita-se a reafirmar que o caso "se encontra em investigação".

São os resultados das análises à Celtejo que estão por divulgar, As outras "cinco entidades suspeitas" foram apresentados na segunda- feira.

Ambientalistas defendem divulgação

As associações ambientalistas, Quercus e Zero, concordam que deve ser respeitado o segredo de justiça determinado pelo Ministério Público de Castelo Branco. Mas, em nome da saúde pública, defendem que os resultados devem ser públicos.

O presidente da Quercus, João Branco, diz que se trata de "uma informação relevante para a opinião pública". Por questões "de segurança e saúde pública os resultados deviam ser conhecidos", refere.

Já Francisco Ferreira, da Zero, acha fundamental que se "averiguem as circunstâncias" do episódio de poluição no Tejo, para se perceber se houve ou não um acidente relacionado com a fábrica de celulose da Celtejo. "É importante que toda esta informação seja pública para se perceber o que se pode e deve decidir em relação à produção naquela zona", diz Francisco Ferreira.

Em nota divulgada na sexta-feira, o Ministério do Ambiente anunciou que recebera uma notificação sobre o inquérito em causa que diz que "todos os elementos já coligidos, bem como todos os demais elementos juntos e a obter, relativos à investigação no âmbito do processo de inquérito (...) se encontram sujeitos a segredo de justiça".

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, pronunciou-se sobre o caso no dia 31 de janeiro, revelando que a carga poluente no rio Tejo na zona de Abrantes, teve origem nas descargas da indústria da pasta de papel.