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OCDE recomenda criação de 25 mil empregos científicos nas empresas para Portugal convergir com a UE

Foto Michael Kooren/ Reuters

São 2000 contratações por ano e o objetivo é que em 2030 cerca de 2/3 do investimento em investigação seja de origem privada e 1/3 de origem pública

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

O relatório da avaliação da OCDE aos sistemas do ensino superior, investigação e inovação em Portugal, apresentado esta sexta-feira de manhã no Teatro Thalia, em Lisboa, recomenda a criação de 25 mil empregos científicos nas empresas para que o país possa convergir com a União Europeia até 2030.

Portugal tem três metas para atingir a média da UE: aumentar o investimento em investigação de 1,3% para 1,8% do PIB em 2020 e para 3% em 2030, cabendo 1/3 ao investimento público e 2/3 ao investimento privado, o que significa duplicar o primeiro e multiplicar por quatro o segundo; passar de 35% para 40% de licenciados na classe etária dos 30-34 anos e para 50% em 2030, com 60% dos jovens de 20 anos a frequentar o ensino superior; e alcançar a liderança europeia no nível de qualificação digital da população em 2030, relativamente ao acesso e uso da Internet, à procura de mercado, ao desenvolvimento dos negócios e ao emprego qualificado.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que abriu a conferência de apresentação do relatório da OCDE, afirmou ao Expresso que “há quatro pontos fundamentais das recomendações do relatório”: manter “a visão de convergir com a UE, o que implica a criação de 25 mil postos de trabalho qualificado até 2030 (dois mil por ano)”; diversificar o sistema, “reforçando muito o papel dos Institutos Politécnicos para atrair mais jovens ao ensino superior e desenvolver o ensino de adultos, com base num processo de colaboração forte, nomeadamente através dos futuros laboratórios colaborativos”; reforçar o emprego e as carreiras académicas e científicas, “que ainda são muito frágeis”, rejuvenescendo o corpo docente e de investigação; e apostar cada vez mais na internacionalização do ensino superior e da investigação, incluindo a desenvolvida pelas empresas.

Investimento de 30 milhões em 6 laboratórios colaborativos

Os primeiros seis laboratórios colaborativos vão ser aprovados em breve pelo Governo e “envolvem um investimento de 30 milhões de euros nos próximos cinco anos”, revela Manuel Heitor. O seu objetivo é “reforçar a inovação e a participação privada e a capacidade de investigação dos institutos politécnicos”.

Os CoLAB são instituições privadas sem fins lucrativos destinadas a promover o emprego através do desenvolvimento de atividades baseadas no conhecimento. Integram universidades, politécnicos, centros de investigação, empresas, associações e instituições sociais e culturais.

Os seis CoLAB pioneiros são o MORE - Montanhas de Investigação (liderado pelo Instituto Politécnico de Bragança), o CoLAB Atlantic - Laboratório Colaborativo para o Atlântico (WavEC Offshore Renewables), o ForestWISE - Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência), o CoLAB Vines&Wines - Vinha e Vinhos Portugueses, Competitividade e Sustentabilidade (Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense), o GreenCoLAB - Laboratório Colaborativo de Tecnologias e Produtos Verdes do Oceano (Centro de Ciências do Mar do Algarve), e o DTx - CoLAB Transformação Digital / Experenciar o Futuro (Universidade do Minho).

A realidade é que os Institutos Politécnicos já estão envolvidos numa nova dinâmica. Assim, no último concurso da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) para o financiamento das unidades de investigação, encerrado a 31 de janeiro, o número de candidaturas passou de 307 para 352, "e a maioria das novas unidades criadas são do ensino politécnico", sublinha Manuel Heitor.

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