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“Conhecem alguém mais competente para este cargo do que Nuno Artur Silva?” Abaixo-assinado questiona decisão do CGI

Jose Caria

Duas centenas de músicos, atores, escritores, advogados, académicos, políticos, jornalistas e realizadores – entre outros – subscrevem abaixo-assinado que questiona a decisão do Conselho Geral Independente da RTP de não reconduzir Nuno Artur Silva na administração do operador público. “Queremos entender o porquê e perceber a razão”

O abaixo assinado é curto e tem um objetivo concreto. "Queremos entender o porquê e perceber a razão", explicam os cerca de 200 músicos, atores, escritores, advogados, editores, encenadores, académicos, políticos, jornalistas ou realizadores que subscrevem o documento. Em causa está a decisão do Conselho Geral Independente da RTP de não reconduzir Nuno Artur Silva para um novo mandato de três anos como administrador com o pelouro dos conteúdos da RTP. "Conhecem alguém mais competente para este cargo do que Nuno Artur Silva? Nós, não", apontam.

A decisão do CGI, anunciada a 25 de janeiro, foi justificado com o facto de Nuno Artur Silva não se ter ainda desfeito da participação que detém nas PRoduções Fictícias, facto que foi agora invocado como potencial causador de conflitos de interesses no operador público. Mas os subscritores do abaixo assinado - onde se encontram nomes como Jorge Silva Melo, José Mário Branco, Miguel Vale de Almeida, Rui Tavares, Capicua, Ricardo Sá Fernandes, João Galamba, José Eduardo Agualusa ou Clara Ferreira Alves - questionam essa explicação.
"Quando o CGI diz existir uma “irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados”, também confessa "não ter [sido] verificado que isso tenha sido lesivo da empresa, no decurso do seu mandato". Aguardámos uns dias, continuamos sem entender. Enquanto cidadãos interessados na coisa pública, enquanto profissionais e espectadores, pedimos explicações. A que se deve esta decisão? A explicação dada no comunicado não nos esclarece", justificam os subscritores.
Na semana passada, o próprio Nuno Artur Silva tinha abordado publicamente o assunto pela primeira (e única) vez até ao momento. Fê-lo através do Facebook, para agradecer as "dezenas e dezenas e dezenas de mensagens” de apoio que disse ter recebido depois de conhecida a decisão do CGI e para criticar o que considerou ser o resultado de uma campanha difamatória reles, miserável, sem escrúpulos", lançada "precisamente neste momento" e "com o intuito de impedir" a sua continuidade na RTP. Uma referência às várias notícias que foram publicadas nas últimas semanas sobre as incompatibilidades que teria no exercício do cargo - por não se ter desfeito ainda da sua participação na empresa Produções Fictícias - e a polémicas internas suscitadas na RTP pela Comissão de Trabalhadores, pelo mesmo motivo.
No mesmo post no Facebook, Nuno Artur Silva revelava que tinha sido "inundado por manifestações de pessoas que, não tendo contacto com tablóides onde trabalham pessoas que se fazem passar por jornalistas e que representam a pior escumalha da comunicação social", lhe diziam que "não percebem o que se passou e que estão a gostar cada vez mais desta RTP e a encontrar nela a evidência de serviço público".
No comunicado da CGI, de resto, apesar de anunciar que apenas o presidente da RTP Gonçalo Reis seria reconduzido no cargo, o organismo presidido por António Feijó reconhecia o "modo altamente meritório e sucessivamente reconhecido pelas instâncias de escrutínio da empresa" como Nuno Artur Silva liderou a "reconfiguração estratégica da política de conteúdos da empresa, numa ótica de serviço público de media" nos últimos três anos.
  • Nuno Artur Silva vai sair da administração da RTP

    Presidente Gonçalo Reis foi convidado pelo Conselho Geral Independente a cumprir um novo mandato de três anos na estação pública. Nuno Artur Silva sai devido à "irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados"