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Ministro do Ambiente: Dificuldade para recolher amostras da Celtejo é “estranha” e “insólita”

PAULO CUNHA/ Lusa

Dificuldade para recolher de amostras de água perto das tubagens da empresa Celtejo foi “absolutamente insólita e estranha”, mas daí não advém qualquer responsabilização dos serviços, afirmou Matos Fernandos, ministro do Ambiente, numa entrevista em que se escusou a admitir que o atraso na recolha poderá ter de alguma forma “escondido a possibilidade de um derrame acima do permitido” e em que garantiu que não há planos para encerrar as fábricas junto ao Tejo

Helena Bento

Jornalista

O ministro do Ambiente acredita que foram os limites às descargas da fábrica de pasta de papel da Celtejo que permitiram que a qualidade do rio Tejo melhorasse nos últimos dias. “Foi essencialmente por causa desta limitação, até porque nos últimos dias não tem chovido”, afirmou João Pedro Matos Fernandes em entrevista esta segunda-feira à noite ao Jornal 2 da RTP2. “Temos neste momento melhor qualidade de água no Tejo”.

O ministro alertou, no entanto, para a necessidade de o Tejo “recuperar” de facto e explicou que, ultrapassada “a fase dos ensaios”, já estão “a ser retirados sedimentos do fundo do rio”. Quanto à dificuldade registada pela Inspeção-Geral do Ambiente na recolha de amostras da Celtejo, João Pedro Matos Fernandes disse estarmos perante um “caso absolutamente insólito e estranho”, mas escusou-se a responsabilizar os serviços. “Não se pode concluir que temos dificuldades em recolher amostras”, sublinhou, explicando que o aparelho em causa funcionou “de forma regular noutras cinco instalações”.

Questionado sobre se o atraso poderá ter de alguma forma “escondido a possibilidade de um derrame acima do permitido”, conforme sugeriu o jornalista, o ministro não respondeu diretamente, antes sublinhou não haver quaisquer dúvidas quanto à origem do recente episódio de poluição registado no Tejo, atribuído às empresas de celulose. Mais “importante do que se saber se houve descargas ilegais”, disse, “importa perceber que o Tejo não aguenta a carga orgânica que tem”.

Nesse sentido, Matos Fernandes defendeu que é precio acabar com as licenças “cegas” de descargas para o rio que não têm em conta o caudal. “Isso não estava previsto em lado nenhum da Europa e a próxima diretiva do quadro da água é que propõe aquilo que vamos fazer agora”, disse o ministro, sublinhando a necessidade de haver uma adaptação “aos recursos disponíveis”, que passará pelo “corte na quantidade de efluentes e pela melhoria da sua própria qualidade”.

Questionado sobre a possibilidade de vir a encerrar as fábricas junto ao Tejo, Matos Fernando garantiu que não há quaisquer planos nesse sentido. “Não estamos a trabalhar para isso nem faz sentido isso ser sequer equacionado”. Também negou que haja um “braço de ferro” entre o Governo e a Celtejo, que já veio a público avisar que a diminuição das descargas de efluentes põe em causa a viabilidade da empresa. “Está cada um a fazer o seu papel”.