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Mapa interativo: o retrato das médias nos exames em cada concelho do país

José Carlos Carvalho

Na maioria dos concelhos, as médias alcançadas nos exames nacionais do ensino secundário são positivas, mas os melhores resultados concentram-se claramente a norte do Tejo. Arruda dos Vinhos volta a destacar-se. E há um problema grave nas Regiões Autónomas

Mais de 70% dos concelhos do país onde no passado ano letivo se realizaram exames nacionais do ensino secundário conseguiram alcançar média positiva nas provas. Olhando para o mapa desenhado com base nas notas por município, é a norte do Tejo que a mancha verde, associada aos melhores resultados, mais sobressai.

As médias mais elevadas concentram-se sobretudo no litoral, embora alguns distritos do interior, como Viseu, se destaquem pela positiva. Entre os seis concelhos que registaram uma média igual ou superior a 12 valores (pintados de verde escuro), dois estão no distrito do Porto: Trofa e Póvoa do Varzim.

O concelho da Trofa é, aliás, o que conseguiu a melhor prestação nas provas, muito graças aos bons resultados dos alunos do Colégio da Trofa e da Secundária da Trofa, que em 2017 entrou diretamente para o Top 10 das escolas públicas a nível nacional.

Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, também merece destaque: é o segundo município com a média mais alta no secundário e o primeiro no ranking do básico. O êxito deve-se à unica escola do concelho com 3º ciclo e secundário - o Externato João Alberto Faria, uma escola privada que acolhe todos os alunos sem cobrar mensalidades por ter contrato de associação com o Estado.

Além de Arruda dos Vinhos - o município do país que mais cresceu em população nos últimos cinco anos -Trofa e Póvoa do Varzim, só outros três concelhos conseguiram médias acima de 12 valores: Anadia, em Aveiro, Caldas da Rainha e Figueiró dos Vinhos, ambos no distrito de Leiria. Este último, no entanto, não deve ser considerado dado o reduzido número de provas lá realizadas.

Olhando para o extremo oposto da tabela, salta à vista um problema grave nas ilhas. Dos 76 concelhos com média negativa nas provas, quase 30% estão nas Regiões Autónomas. Nos Açores, 15 dos 19 municípios não conseguiram chegar aos 10 valores de média, o mesmo acontecendo com 6 dos 11 municípios da Madeira.

A nível do Continente, Idanha-a-Nova (Castelo Branco) teve o pior desempenho, com uma média que não foi além dos 7,9 valores. Na lista dos dez concelhos com média mais baixa (pintados a vermelho escuro), dois estão no distrito de Portalegre (Nisa e Ponte de Sor) e outros dois no distrito de Bragança (Carrazeda de Ansiães e Mogadouro).

Os concelhos assinalados a cinzento no mapa são aqueles onde no passado ano letivo não se realizaram exames nacionais do ensino secundário, concentrando-se sobretudo no Alentejo.

No que diz respeito às médias nos exames do 9º ano, é o bom desempenho da região Centro que salta à vista. Quase metade dos 26 municípios que tiveram uma média igual ou superior a 60% está localizada nos distritos de Viseu (Carregal do Sal, Sátão, Tondela, Viseu e Vouzela), Coimbra (Coimbra, Figueira da Foz, Miranda do Corvo e Penela) e Guarda (Fornos de Algodres, Guarda e Manteigas). É caso para dizer que não é no meio mas no Centro que está a virtude, pelo menos no que às pautas diz respeito.

Na “mancha verde” que pinta a Região Centro, representando os melhores resultados, há no entanto pontos vermelhos que destoam, nomeadamente os concelhos de Góis e Pampilhosa da Serra, que registaram médias negativas, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos.

A nível nacional, os tons de vermelho, associados a resultados negativos, concentram-se, mais uma vez, na Região Autónoma dos Açores, onde se situam cinco dos 24 concelhos que, em todo o país, registaram uma média inferior a 45% (Velas, Povoação, Lagoa, Ribeira Grande e Corvo). Neste panorama, o Alentejo também tem motivos de preocupação, com quatro municípios na lista dos que estão em “alerta vermelho”: Ferreira do Alentejo, Vidigueira, Barrancos e Mértola. Mesmo assim, a região consegue colocar um concelho entre os melhores do país — Ourique (Beja), com média de 67,7%.

No mapa, também é possível notar uma maior concentração de “vermelhos” no distrito de Bragança, onde se situam três concelhos entre os que tiveram pior desempenho (Alfândega da Fé, Freixo de Espada à Cinta e Carrazeda de Ansiães).

Médias subiram

Globalmente, a situação melhorou de forma significativa em comparação com o ano anterior: enquanto em 2017 cerca de 75% dos municípios tiveram média positiva nas provas finais do 3º ciclo, em 2016 só 54% tinham conseguido o mesmo feito. A evolução era expectável, tendo em conta que as médias dos alunos subiram de forma acentuada, sobretudo a Matemática, com a percentagem de positivas a passar de 49% para 57%. A Português, que normalmente não traz tantas dores de cabeça aos estudantes, a média subiu de 73% para 76%.

Arruda dos Vinhos (Lisboa) teve a melhor prestação, um sucesso que tem alcançado várias vezes nos últimos anos. No extremo oposto está o Corvo, a ilha mais pequena dos Açores, com pouco mais de 400 habitantes e onde se realizaram apenas 16 provas, com uma média de 35,7%. No Continente, Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, teve o pior resultado, com uma média que não foi além dos 39,7%.