Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Há cinco anos consecutivos que 16 escolas inflacionam as notas dos alunos

O Colégio de Nossa Senhora do Rosário no Porto é uma das escolas que aparece na lista das que nos últimos cinco anos letivos mais inflacionou as notas

Rui Duarte Silva

As escolas mais benevolentes com as notas são na sua maioria privadas e localizam-se no Norte do país. Pelo contrário, as 21 escolas que há cinco anos são mais exigentes a dar notas são sobretudo públicas no distrito de Lisboa

Há 16 escolas que nos últimos cinco anos letivos estão entre as mais benevolentes com os alunos. Ou seja, são escolas onde ano após ano as notas internas ficaram tendencialmente acima das notas que os alunos obtiveram nos exames nacionais. A realidade já não é nova e em 2015 a Inspeção-Geral da Educação e Ciência chegou a abrir quatro processos de inquérito para investigar o problema.

O que também não tem mudado é o facto de a maioria destas escolas ser privada - é o caso de 13 dos 16 estabelecimentos de ensino - e localizar-se no Norte do país em concelhos como Braga, Porto ou Gondomar.

O Colégio de Nossa Senhora do Rosário, que ocupa o primeiro lugar nos rankings do Expresso, o Colégio Luso-Francês e o Externato Ribadouro, os três localizados no Porto, ou o Colégio D. Diogo de Sousa e o Externato Carvalho Araújo situados em Braga são alguns dos colégios privados entre as 16 escolas que têm sido mais benevolentes no momento de dar notas aos alunos entre os anos letivos de 2012/13 e 2016/17. A Secundária de Fafe e a Secundária de Monção, ambas públicas, também integram a lista.

Este indicador, que o Ministério da Educação designa por "alinhamento" e que está disponível no site Infoescolas, não mede apenas a diferença entre as notas internas e as notas de exame, já que é 'natural' haver uma discrepância entre ambas - até porque a nota interna da escola tem em conta outros parâmetros que não são medidos nos exames. Por isso, este indicador de “alinhamento” destaca quais as escolas que registaram os maiores desvios acima ou abaixo de uma diferença média considerada 'natural' entre as notas internas e as de exame, o que o torna mais consistente.

As mais exigentes

O que também se mantém ano após ano é o outro lado: o das escolas que tendem a ser mais exigentes na classificação dos alunos. Nesses casos verifica-se que as notas internas dos alunos são tendencialmente mais baixas do que aquelas que depois conseguem obter nos exames nacionais.

Há 21 escolas que nos últimos cinco anos letivos que têm ocupado esse lugar. Ao contrário das mais benevolentes a dar notas, a maioria das escolas mais exigentes é do ensino público - é o caso de 16 das 21 - e localiza-se no distrito de Lisboa.

A Escola Secundária do Restelo, a Secundária Rainha D. Amélia e a Secundária D. Pedro V, todas em Lisboa; a Secundária de Mem Martins em Sintra ou o Colégio Rainha D. Leonor nas Caldas da Rainha fazem parte das 21 escolas com notas internas tendencialmente mais baixas do que as de exame.

Em resultado dos quatro processos de inquérito abertos em julho de 2015 pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência, “para investigação mais aprofundada de indícios de responsabilidade disciplinar” em escolas suspeitas de inflação de notas, o Ministério da Educação informou no ano passado ter feito "recomendações" a essas escolas, que "tiveram várias intervenções de acompanhamento”.