Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

CGD. Trabalhadores manifestam-se em Santa Maria da Feira contra "apagão" sobre o futuro

Cerca de 100 trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) manifestaram-se junto ao Europarque, onde decorre uma reunião de quadros. Querem informações sobre o plano de reestruturação do banco. O que está previsto em termos de redução de pessoal é a pergunta

Cerca de 100 trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) manifestaram-se hoje em Santa Maria da Feira contra "o apagão completo" a que a administração os vem sujeitando no que concerne ao plano de reestruturação do banco.
O protesto foi organizado pela FEBASE - Federação do Setor Financeiro e verificou-se à entrada do centro de congressos Europarque, onde hoje decorre uma reunião de quadros com cerca de 5.000 funcionários da Caixa.
"Queremos ser informados sobre o que se está a perspetivar em termos da redução de pessoal - se vai ser com recurso a reformas antecipadas ou por outra via - e o que está a acontecer é que, entre os sindicatos do setor, há um apagão completo em termos de nesta matéria", declarou à Lusa o secretário-geral da FEBASE, Mário Mourão.
"Devia haver uma comissão que acompanhasse o plano de reestruturação, o que permitiria acabar com o clima de medo que se está a viver hoje dentro da Caixa", acrescentou o dirigente sindical.
Para Mário Mourão, as regiões do interior serão as mais prejudicadas com os cortes previstos no futuro da CGD, o que contribui para que a população em geral esteja a "perder confiança na Caixa" enquanto instituição financeira cujo desempenho deveria ser "serviço público".
Nesse contexto, o aumento das comissões cobradas aos clientes é outro fator de preocupação entre os participantes no protesto, com o secretário-geral da FEBASE a defender que, embora a CGD tenha que reger-se pelas mesmas regras da generalidade do setor, essas taxas "não podem ser cobradas de forma cega, sem distinguir entre quem pode pagá-las e quem não tem condições para isso".
Também presente no protesto, Álvaro do Bem é funcionário da Caixa "há mais de 35 anos" e considera que, nesse período de tempo, aquilo a que assistiu foi à "involução" da instituição.
"A Caixa esteve sempre virada para o serviço público e hoje tornou-se uma máquina trituradora, interna e externamente, para prejuízo dos clientes e também do seu maior capital, que são os trabalhadores", argumentou.
"É preciso restituir-lhe o caráter de instituição destinada ao serviço público, rentabilizar os conhecimentos que os funcionários têm quanto às populações com que vêm trabalhado e garantir que não se perde esse contacto, essa firmeza e solidez", afirmou.
Álvaro do Bem criticou a insensibilidade da administração da CGD para "o facto mais relevante, que é a perda de confiança geral na instituição", sobretudo numa altura em que, face ao aumento do custo dos serviços bancários prestados ao cliente, "toda a gente sabe que os bancos portugueses tiram às pessoas cinco milhões de euros em comissões bancárias todos os dias".
Entre os motivos de apreensão na origem do protesto de hoje inclui-se, segundo a FEBASE, o incumprimento da CGD quanto ao acordo de empresa com os trabalhadores; o "encerramento discricionário" de agências do banco por todo o país; o esvaziamento de instalações com o intuito de as "alienar em benefício da concorrência"; o tratamento dos funcionários como "meras peças descartáveis que vivem na incerteza do seu destino"; a degradação da imagem da instituição devido à introdução de carrinhas transformadas em agências ambulantes; e as ameaças e intimidações como forma de pressão visando a consecução de objetivos, "numa prática continuada de assédio".