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Rio Tejo já começou a ser limpo

PAULO CUNHA

Espuma acumulada está a ser aspirada por vários camiões. Medida tinha sido anunciada na sexta-feira pelo ministro do Ambiente

Seis veículos pesados começaram na manhã deste sábado a aspirar a espuma acumulada no rio Tejo, visível desde quarta-feira sobretudo junto ao açude de Abrantes. A medida de urgência é essencial para assegurar a limpeza das águas e foi anunciada ontem pelo Governo. Na sexta-feira, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, garantiu que será igualmente necessário retirar sedimentos do fundo de albufeiras próximas e, muito importante, diminuir a atividade da empresa Celtejo.
Segundo o governante, a produtora de celulose - que opera no concelho de Vila Velha de Ródão, já no distrito de Castelo Branco - terá de reduzir em 50% o volume de efluente rejeitado. Na prática, limitar a actividade durante 10 dias.

Findo o período de atividade reduzida na Celtejo, os resultados deverão ser os esperados - o valor do oxigénio dissolvido, parâmetro básico da qualidade da água, terá de atingir os cinco miligramas por litro - ou o Governo ditará a suspensão temporária da laboração. E a EDP também já se "comprometeu a reduzir a sua atividade de turbinamento ao caudal mínimo, conservando a água nas albufeiras enquanto se procede à limpeza dos fundos", revelou o ministro.

Este sábado tem ainda início um levantamento topo-hidrográfico para determinar a quantidade de sedimentos que é necessário retirar do fundo das albufeiras de Fratel e Belver. Uma operação que demorará cerca de um mês.

Já colocados, estão "amostradores durante 24 horas nas três maiores ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) e nas três maiores indústrias a montante no rio" e "os resultados das análises em contínuo estarão disponíveis na segunda-feira, dia 05 de fevereiro".

O ministro já reconheceu que as medidas anunciadas pelo Governo permitem apenas uma solução provisória. "Não se resolve desta forma o problema da poluição", mas será "reduzido em parte o seu impacto visual" e impedido que a mesma poluição proceda para jusante".

A poluição no Tejo é visível no açude de Abrantes mas tem origem a montante. João Matos Fernandes explicou que "o fenómeno da poluição que hoje sentimos no Tejo é resultado da libertação da matéria orgânica depositada sob a forma de sedimentos no fundo das albufeiras do Fratel e de Belver, provocada por anos de funcionamento das indústrias aí localizadas e da reduzida precipitação do último ano, que não diluiu essa carga orgânica". E "a regular atividade de produção de energia dos últimos dias, com elevados mas normais caudais, provocou a sua libertação".