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スナック (o título não é engano, é uma sugestão)

Jose Caria

A partir desta sexta-feira pode provar um lanche japonês em Lisboa - com o ritual do chá a que tem direito


スナック. Esta é a palavra "lanche" escrita em japonês. Lê-se "sunakku". A partir de agora pode pronunciá-la e prová-la às sextas e sábados no Kanazawa, o espaço a que o chef Paulo Morais chama casa desde o verão de 2017. Entre as 13h e as 18h, quem quiser um lanche diferente e requintado pode rumar a Algés. "O chá será preparado em frente às pessoas, a quem são oferecidas sobremesas de entre quatro caixas com doces típicos do Japão", conta o chef, especializado em gastronomia kaiseki. Haverá vários tipos de chá, do maatcha ao chá de jasmim e ao chá verde.

Namagashi, dorayaki, yaki manju ou yokkan? Você decide

Namagashi, dorayaki, yaki manju ou yokkan? Você decide

Jose Caria

Quanto aos doces, começa-se com os "namagashi", sobremesas macias de grande beleza visual, "feitas de feijão branco com yuzu (um limão japonês), laranja ou morangos secos, recheados com castanha, batata doce ou feijão azuki", explica Paulo Morais. Depois chegam os "dorayaki", panquecas fechadas com doce de feijão, e os "yaki manju", que têm o formato de uma castanha e recheio da mesma. A última caixa traz a seleção de "yokkan", uma espécie de marmelada à base de feijão, castanha ou batata doce.

Um lanche japonês é bastante mais saudável - e menos calórico - do que o seu homólogo lusitano

Um lanche japonês é bastante mais saudável - e menos calórico - do que o seu homólogo lusitano

Jose Caria

No fim há espaço para "uma brincadeira: um queijo curado em miso, para fazer o contraste entre o doce e o salgado". A carta vai variar ao longo dos meses. Esta opção saudável - "os doces têm apenas proteína vegetal (o feijão), estando isentos de gordura, já que não há natas, nem ovos. E o chá tem muita qualidade e é muito benéfico para a saúde" - não fará um rombo no orçamento, pois o preço do lanche rondará os €10, com um chá e três doces.

A preparação é morosa e obedece a inúmeros passos, como bom ritual da cultura japonesa. No caso do feijão branco, explica o chef, este "tem de ser demolhado de véspera, cozido durante 5 minutos para soltar a casca, que depois é retirada. Então, leva-se ao lume com alga kumbu, durante cerca de uma hora, até o feijão se desfazer. É depois passado por um peneiro, triturado, e a água mudada umas quatro vezes. De seguida é colocado num tabuleiro para secar e vai novamente ao lume com uma farinha de arroz, durante 10 minutos. De novo a secar, a massa está pronta para se lhe adicionarem sabores - raspa de laranja, chá matcha, yuzu, que lhe darão a cor. Ao todo, é um processo de três a quatro horas", um tempo que traduz bem o rigor da gastronomia nipónica.

Tal como a gastronomia japonesa, a pastelaria nipónica também se caracteriza pelo rigor e a delicadeza

Tal como a gastronomia japonesa, a pastelaria nipónica também se caracteriza pelo rigor e a delicadeza

Jose Caria

A região de Kanazawa, no Japão, que dá o nome ao restaurante, é rica em pastelaria - pelo que fez todo o sentido a Paulo Morais, que se entusiasmou pela primeira vez com esta pastelaria há 17 anos, oferecê-la agora. Será certamente um lanche diferente. 食欲!