Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Ministério Público investiga denúncia anónima contra diretor de campanha de Rui Rio

DR

Negócios de Salvador Malheiro, presidente da Câmara de Ovar, no radar do Ministério Público. Autarca queixa-se de estar a ser alvo de “perseguição maluca”

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou ao Expresso que os negócios de Salvador Malheiro, diretor de campanha de Rui Rio nas diretas do PSD e presidente da Câmara de Ovar, estão a ser seguidos de perto pelas autoridades.

Em resposta às perguntas enviadas na semana passada, o gabinete de comunicação da PGR confirma a receção de uma denúncia anónima, a qual deu origem a um inquérito. "Este processo corre termos no DIAP de Aveiro, não tem arguidos constituídos e está em segredo de justiça", avança a PGR.

Esta quinta-feira, o "Observador" dava conta que o autarca entregou 2,2 milhões de euros a clubes e associações desportivas do concelho para a instalação de relvados sintéticos nos respetivos campos de futebol.

De acordo com o diário digital, muitos dos contratos foram diretamente adjudicados pelos clubes à Safina, empresa de Pedro Coelho, líder da concelhia do PSD de Ovar e vereador no executivo camarário de Salvador Malheiro.

Ao Expresso o autarca nega qualquer tipo de intervenção na escolha na adjudicação de colocação de relvados sintéticos a sete clubes locais, sublinhando que as suspeitas de irregularidades ou favorecimento à empresa Safina, Sociedade Industrial de Alcatifas, “não têm qualquer fundamento”.

Salvador queixa-se de perseguição maluca

“Visam apenas atingir o meu bom nome . Estou a ser alvo de uma perseguição maluca, mas não vou deixar isso acontecer”, afirmou o diretor de campanha de Rui Rio nas diretas à liderança do PSD.

Em esclarecimento escrito, “em nome do rigor e da verdade e para dissipar todas as dúvidas”, Salvador Malheiro esclarece que o apoio aos clubes foi aprovado no executivo municipal, no início do seu primeiro mandato, em 2013, em virtude das necessidades demonstradas no terreno pelas associações desportivas.

Segundo o autarca, o investimento de 2,2 milhões foi atribuído mediante a celebração de contratos-programa de desenvolvimento desportivo com associações sedeadas em São Vicente de Pereira, Arada, Cortegaça, Válega, Furadouro, Ovar e Esmoriz. “A concretização dos projetos enquadra-se no âmbito das atribuições e competências municipais e reveste interesse público municipal”, refere a autarquia.

De acordo com o presidente da Câmara de Ovar, o regulamento municipal de apoio ao associativismo do concelho de Ovar permite a comparticipação municipal da totalidade do investimento desde que se trate de um projeto fundamental e estratégico para a autarquia e reconhecido interesse público. Malheiro refere que o valor do apoio a cada associação foi sempre fixado em função do valor do orçamento mais baixo, “sendo sempre apresentados três orçamentos”.

“Todos os apoios atribuídos foram aprovados pela pelo executivo camarário e não pelo presidente da Câmara”, frisa o autarca, que acrescenta exigiu a certificação legal das contas das entidades-alvo de contratos-programa. “O município de Ovar é alheio aos contratos de empreitada e de aquisição de bens e serviços celebrados pelas associações”, garante que não será com suspeitas que o afastarão da atividade política.

“Gosto de política, pois fazer política é ajudar o povo, e foi isso que fiz no meu primeiro mandato e vou continuar a fazer”, conclui.

O líder da concelhia do CDS-PP de Ovar, Fernando de Almeida, já reagiu à notícia das hipotéticas irregularidades na adjudicação de relvados sintéticos, cujos contornos “pela extrema gravidade devem ser cabalmente esclarecidos” com a intervenção do Ministério Público, para evitar julgamentos na praça pública.