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MP põe em causa participação de Orlando Figueira contra Manuel Vicente : “O senhor não decidia nada”

M\303\201RIO CRUZ

Ex-procurador tinha alegado que participou uma transferência suspeita que envolvia Manuel Vicente, mas a procuradora Leonor Machado frisou que a decisão de comunicar às autoridades era da administração onde estava presente Carlos Silva e a Sonangol

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

A procuradora Leonor Machado tentou esta quinta-feira destruir o principal triunfo apresentado por Orlando Figueira para se defender da acusação de corrupção. O ex-procurador alegou que quando estava no comité de compliance do Millennium BCP fez uma participação às autoridades contra Manuel Vicente e o seu enteado Mirco Martins por transferências bancárias consideradas suspeitas com Armindo Pires, também arguido no processo. “Se estivesse conluiado com o todo poderoso Manuel Vicente ou com Armindo Pires ia participar deles?”

A procuradora já tinha frisado na quarta-feira que o documento do banco estava assinado por uma funcionária e esta quinta-feira voltou à carga: “O senhor não decidia nada. A decisão final de participar ou não era da administração e o senhor sabia. E quem era a administração em 2012?” Leonor Machado não concretizou a alusão e não ficou claro se o banco chegou ou não a reportar à Polícia Judiciária a transferência suspeita.Foi nesse ano que a Sonangol ganhou peso determinante na administração do BCP: o conselho de administração passou a ser liderado pelo embaixador António Monteiro (homem com ligações diplomáticas a Angola), tendo a seu lado o banqueiro angolano Carlos Silva (como vice-presidente) e Nuno Amado (que então se tornou presidente executivo do banco). Orlando Figueira argumentou que o relevante é que o seu “parecer” foi no sentido de participar a transferência o que provará que não era corrompido por Manuel Vicente.

“Admito que tenha cometido alguns erros”

Orlando Figueira foi ainda confrontado com o arquivamento “precipitado” do processo em que Manuel Vicente era investigado por branqueamento de capitais em Portugal e que está na base de toda a acusação que está agora a ser julgada.

Leonor Machado lembrou que o processo foi reaberto por outro procurador, Paulo Gonçalves, que criticou o trabalho de Orlando Figueira e ordenou a audição de mais testemunhas antes de, também ele, arquivar as suspeitas contra Manuel Vicente. “Não acha que podia ter feito mais?” Orlando Figueira respondeu a Leonor Machado com o resultado final da investigação : “Admito que tenha cometido alguns erros mas a prova de que arquivei bem é que o processo foi reaberto e rearquivado.” O juiz Alfredo Costa constatou que “o senhor não podia saber que o resultado seria o mesmo se tivesse ordenado mais diligências.”

O interrogatório do MP terminou esta quinta-feira.