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“Honorários de 5 milhões de euros de Duarte Lima não me causaram estranheza”

José Carlos Carvalho

Gestor Michel Canals veio da Suíça para depôr no caso em que Duarte Lima é acusado de ficar indevidamente com 5 milhões de euros de Rosalina Ribeiro, que foi assassinada em 2009

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O suíço Michel Canals Gestor foi gestor de conta de Lúcio Tomé Feteira, de Rosalina Ribeiro e Duarte Lima na União de Bancos Suiços (UBS). E foi ouvido esta quarta-feira no Campus da Justiça, em Lisboa no caso em que o Ministério Público acusa o ex-deputado português do PSD de abuso de confiança, por apropriação indevida de mais de cinco milhões de euros de Rosalina Ribeiro, de cuja morte é acusado no Brasil.

O gestor suíço, que é arguido no caso Monte Branco e foi detido preventivamente em 2012 no âmbito desse processo, garante que as transferências realizadas da ex-companheira de Feteira, que lhe foram reportadas na altura por Rosalina, não lhe levantaram suspeitas. "Os honorários de Duarte Lima como advogado de Rosalina, não causaram estranheza", afirmou Canals.

Mesmo atrás de si na sala estava Duarte Lima, que tira apontamentos durante toda a audiência.

O suíço garante que não se recorda dos montantes transferidos na altura e tem apenas ideia de que foram feitas "uma ou duas" destas operações financeiras de "valores elevados" em 2001.

Nessa altura, Rosalina, que viria a ser assassinada no Brasil em dezembro de 2009 (o Ministério Público do Rio de Janeiro suspeita que o autor do crime é Duarte Lima, que Ainda não foi julgado neste caso), tinha aberto uma conta na Suíça depois da morte de Feteira, um ano antes, e com quem detinha anteriormente uma conta-conjunta.

Segundo Canals, a portuguesa detinha oito milhões de euros nessa conta. Quanto a Duarte Lima, diz desconhecer qual era o montante da sua fortuna depositada na UBS.

Durante as mais de duas horas de inquirição o tom entre a testemunha, magistrados e advogados foi quase sempre cordial. Só ficando um pouco mais crispado durante as perguntas feitas por José António Barreiros, advogado de Olímpia Feteira, filha do milionário de Vieira de Leiria que morreu em 2000 e que estava em litígio com Rosalina Ribeiro por causa do dinheiro da família. O advogado quis saber detalhes da conta-conjunta criada na Suíça por Lúcio Feteira e Rosalina mas Canals não conseguiu esclarecer muitos pormenores que diz já não se recordar.

No final a juíza até agradeceu ao suíço. "Foi um prazer conhecê-lo. Obrigado pela sua presença. Pode ir à sua vida." Canals, que tinha viajado da Suíça de propósito para esta audição, já não terá que prestar depoimentos, pelo menos presencialmente, sobre o caso. Mas poderá voltar a Lisboa se houver desenvolvimentos no caso Monte Branco, que seis anos depois, ainda não tem acusação finalizada.

Para o Ministério Público, Duarte Lima recebeu 5.240.868,05 euros de Rosalina Ribeiro em cinco tranches, a título provisório, em 2001, para uma conta na Suíça para que este guardasse a verba enquanto decorressem as ações judiciais interpostas pelos herdeiros do empresário português Lúcio Feteira contra Rosalina Ribeiro.

"Na posse de tal montante, Duarte Lima utilizou-o em proveito próprio, apropriando-se do mesmo, sem nunca o ter restituído a Rosalina Ribeiro", explica o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Duarte Lima, ex-líder da bancada parlamentar do PSD, foi acusado em 2011 pelo Ministerio Público do Brasil pela morte de Rosalina Ribeiro e deverá ser julgado à revelia no Tribunal de Saquarema.

O homicídio ocorreu 7 de dezembro de 2009. Rosalina Ribeiro, que foi secretária e companheira do milionário português radicado no Brasil Lúcio Tomé Feteira, falecido em 2000, foi morta a tiro e o corpo foi encontrado numa estrada de terra batida em Maricá, nos arredores do Rio de Janeiro.