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Operação Fizz. Orlando Figueira volta a tentar destruir acusação: “Só falta dizer que foi o Trump”

JOÃO RELVAS/LUSA

“As acusações são falsas, o processo é uma vergonha e põe em causa as relações com Angola”, diz Orlando Figueira. Antigo procurador está acusado de ter sido corrompido pelo ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

De pé, com um tablet na mão e contestando ponto por ponto (literalmente) toda a acusação, Orlando Figueira continua a ser o one man show no julgamento à alegada teia de corrupção protagonizada pelo ex-vice presidente de Angola, Manuel Vicente.

O ex-procurador do DCIAP, acusado dos crimes de corrupção passiva, branqueamento e falsificação de documento, repete várias vezes no segundo dia do julgamento no Campus da Justiça, em Lisboa, que o ex-ministro e homem forte da Sonangol nada tem a ver com o caso. "Só falta dizer que foi o Trump", enfatiza Orlando Figueira.

Ao longo da manhã desta terça-feira são vários os chavões que enumera para corroborar a sua tese para que tenta destruir a acusação: "Não há qualquer relação com o Manuel Vicente nem com o Manuel dos Anzóis." Ou, "Vicente não tem uma varinha mágica que faz 'Plim'".

Para Orlando Figueira, a necessidade do Ministério Público envolver Manuel Vicente e não Carlos Silva, então presidente do Banco Privado Atlântico (BPA) de Angola, com quem diz ter assinado o contrato de trabalho em 2011 para o banco, "é porque dessa maneira deixaria de haver crime de corrupção". E garante: "Quando na acusação se lê Manuel Vicente deve antes ler-se Carlos Santos. Este processo é uma vergonha."

Tal como se sucedeu na primeira sessão, o ex-procurador da República volta a justificar que o empréstimo de 130 mil euros tinha sido concedido pelo BPA com várias garantias dadas na altura por Orlando Figueira, uma delas o facto de já ter sido apalavrado numa reunião no Hotel Ritz, em Lisboa, meses antes, com o banqueiro Carlos Silva, o referido contrato de trabalho com aquele banco, que se viria a concretizar.

Frisa, também mais do que uma vez, que quem aprovou o empréstimo foi Graça Proença de Carvalho, filha de Daniel Proença de Carvalho, que era advogado de Carlos Silva. "Porque razão Graça Proença de Carvalho, bem como o CEO do BPA André Navarro, não foram constituídos arguidos por co-autoria ou cumplicidade?", interroga-se durante um quase monólogo interrompido algumas vezes, mas não demasiadas, pelo juiz Alfredo Costa.

O juiz vai chamando a atenção do homem suspeito de ter recebido cerca de 760 mil euros por parte de Manuel Vicente, nomeadamente quando Orlando Figueira toca na tecla das relações entre Portugal e Angola. "Não se preocupe com isso", diz o juiz, em tom apaziguador, após o arguido garantir que a Operação Fizz está "a toldar" e em colocar em causa a relação histórica entre os dois países.

A defesa de Figueira baseia-se sobretudo em documentos de sociedades empresariais constituídas "sempre pelas mesmas pessoas", nenhuma delas Manuel Vicente.

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    O arranque do julgamento sobre a corrupção de um procurador do DCIAP pelo ex-vice-presidente de Angola foi marcado pelo tom errante e provocatório do alegado corrompido, Orlando Figueira (na foto) — que perguntou aos juízes por que é que o banqueiro Carlos Silva e a filha de Daniel Proença de Carvalho não estão também acusados —, e pela decisão do tribunal em abrir um processo autónomo só para os factos imputados a Manuel Vicente