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Sociedade

Fitch prevê crescimento anual de 5% do preço das casas em Portugal

Luí­s Barra

Moderação do crescimento é justificada pela oferta limitada de imóveis e pela procura mais confiante

Os preços das casas em Portugal devem crescer torno de 5% este ano e outro tanto no próximo, prevê a agência de notação financeira Fitch no relatório divulgado esta segunda-feira sobre tendências do mercado de habitação.

A moderação do crescimento é justificada pela oferta limitada de imóveis e pela procura mais confiante, sustentadas por um melhor contexto macroeconómico.

As subidas acima da média devem ocorrer em cidades maiores como Lisboa e Porto, assim como na região do Algarve, "locais com mercados de trabalho mais fortes do que outras regiões e que são influenciados por investidores imobiliários corporativos que visam capitalizar as oportunidades de mercado".

No relatório recorda-se que a recuperação de preços se tem consolidado com subidas de 4% a 5% por ano desde o final de 2015, "apoiadas por uma melhoria da perspetiva macroeconómica, confiança do consumidor e oferta limitada de imóveis".

A Fitch referiu que, apesar da construção "continuar frágil, a recuperação está a começar", acrescentando que as estatísticas oficiais mostram que os licenciamentos e as finalizações cresceram pelo segundo ano consecutivo, "embora de uma base muito baixa".

"Por exemplo, a contagem anual de licenciamento de novas casas cresceu 30% a partir do 2.º trimestre de 2017, apesar desse valor representar apenas 25% do valor máximo desde 2006/2007", lê-se no relatório.

Para quem compra casa pela primeira vez deverá continuar a ter dificuldades nos próximos dois anos, devido ao facto de os preços da habitação estarem a crescer mais do que o rendimento disponível dessas famílias.

Já para quem paga crédito à habitação, deve contar com taxas de juro estáveis, por não se esperarem aumentos significativos nos próximos dois anos.

Os novos contratos têm obrigado ao pagamento entre 1,7% e 2% de juros anuais, enquanto os contratos existentes registam taxas de 1,2%, segundo dados de agosto de 2017 citados no documento.
A empresa notou ainda a redução do crédito malparado.

A Fitch perspetiva que aumente o crédito nos próximos anos, num contexto de subida do Produto Interno Bruto (PIB), descida do desemprego e não alteração significativa das taxas de juro.

O ritmo dos novos empréstimos bancários para aquisição de casas tem sido mais forte desde 2014, de acordo com os dados do Banco Central Europeu (BCE), crescendo 44% em 2016 e deverá crescer em 35% em 2017. O valor de 2017 é equivalente a 35% - 40% do pico registado em 2007/2008.

A taxa de crescimento para compra deve desacelerar em 2018 e 2019 em relação aos dois últimos anos, considerando principalmente o decréscimo na previsão do PIB e as restrições de acessibilidade para os compradores de primeira casa.