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O Nissan Leaf é o automóvel elétrico mais vendido do mercado. A nova geração está a chegar e representa um salto em frente num mercado que continua a evoluir. O jornalista Rui Pedro Reis esteve em Tenerife para comprovar os argumentos do novo Leaf, em especial a maior autonomia e a estreia do e-pedal, que quase dispensa o uso do travão

Rui Pedro Reis/SIC em Tenerife, Espanha

Quando o Nissan Leaf nasceu, em 2010, foi alvo de muitas críticas dos mais céticos que não acreditavam na propulsão elétrica. À data, lembro-me que dava para cerca de 120 km e era preciso algum cuidado na utilização. Oito anos depois, é o automóvel elétrico mais vendido em todo o mundo, com 300 000 unidades na estrada. Agora chega a segunda geração, que faz esquecer a primeira num piscar de olhos. E ainda que o novo Leaf possa não ser perfeito, melhora tanto em tecnologia e design que, só por isso, já merece que lhe prestemos atenção.

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Mais autonomia e não só

Já lá vão os dias em que um automóvel elétrico era sinónimo de ansiedade. A autonomia era pouca e o fator novidade juntava-se numa mistura explosiva que se traduzia em muita desconfiança. Hoje o Leaf já tem concorrência à altura. É o caso do Hyundai Ioniq ou do Volkswagen e-Golf. Duas propostas mais recentes e que competem no mesmo segmento. Mas esta nova versão do Leaf foi profundamente revista. Desde logo estreia a bateria de 40 kw, que lhe permite fazer mais quilómetros.

No primeiro teste dinâmico ao novo Leaf, a Nissan divulgou os dados de autonomia segundo o novo ciclo WLTP, que entra em vigor em setembro deste ano e reflete de forma mais real a utilização quotidiana de um automóvel. Segundo a marca japonesa, o Leaf consegue fazer 270 km em ciclo misto, com a distância percorrida com uma carga completa a subir para 415 km em ambiente urbano. Já chega e sobra para a maioria dos utilizadores mas a Nissan já anunciou para 2019 uma versão com maior autonomia.

Como se isto não bastasse, o Leaf está mais rápido. Faz 7,9 segundos dos 0 aos 100 km/h e tornou-se mais divertido de conduzir. A direção podia ser mais precisa, mas a suspensão faz um bom trabalho e o baixo centro de gravidade (as baterias estão colocadas por baixo dos bancos), ajudam a um comportamento dinâmico com algum entusiasmo.

A minha estreia ao volante do Leaf, na ilha de Tenerife foi mais do que um desafio. Pouco ambiente urbano, alguma autoestrada e muito percurso de montanha, com subidas pronunciadas e curvas sinuosas. A condução de um elétrico é mais fácil e eficaz no meio de uma cidade, mas compensei o esforço e entusiasmo das subidas com muita regeneração de energia nas descidas. No fim, tinha percorrido cerca de 200 km e ainda tinha 10% da carga das baterias.

Quanto ao carregamento das baterias de 40 kw, numa tomada convencional de 10A demora 21h a chegar aos 100%. Já com a Wallbox de 32A e que custa cerca de 500 euros, o valor desce para as 7h30. Quando aos carregadores rápidos de 50 kw, uma carga de 80% demora cerca de 40 minutos. A Nissan confirma que está a trabalhar numa solução de carregamento a 150 kw que vai reduzir consideravelmente o tempo de carga e cujos testes começam ainda este ano.

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Conduzir apenas com um pedal

A principal novidade tecnológica do Leaf é o e-pedal. Ao pressionar o botão na consola central, a regeneração de energia da travagem aumenta, ao ponto de anular a necessidade de uso do pedal do travão. A habituação é rápida. Basta dosear a utilização do pé direito no acelerador para controlar a aceleração e a travagem. Funciona muito bem, em especial dentro das cidades.

Dentro do pacote de tecnologias disponíveis, destaque também para o Propilot, um sistema de ajuda à condução de segunda geração. Com recurso a quatro câmaras que garante visão 360º e um conjunto de sensores, o sistema mantém a distância ao veículo da frente e o carro na faixa de rodagem. Como a condução autónoma não é para já, o condutor tem de manter as mãos no volante. Nas estradas de Tenerife, com muito vento, o sistema revelou algumas limitações, mas sem dúvida que é uma boa solução para enfrentar trânsito intenso. Podem não ser novidades absolutas no mercado, mas o construtor japonês assegura que fez melhorias nos sistemas de auxílio ao condutor.

Outras novidades passam também pela tecnologia Car to Grid. Em resumo, permite ao utilizador vender à rede a energia acumulada nas baterias quando a rede elétrica mais precisa (nas horas de maior consumo) e depois recarregar durante a noite quando a energia é mais barata. Uma solução que já existe na Dinamarca e está em teste noutros países mas que por enquanto não é possível nem tem previsão de introdução no mercado português.

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Um arranque promissor

O novo Nissan Leaf chega ao mercado português no final de março já como um recordista. Na fase de encomendas, a Nissan recebeu 550 pedidos. Um recorde absoluto. Basta referir que em 2016 foram vendidos 250 Leaf e no ano passado o número não ultrapassou as 200 unidades, já que a produção do modelo parou em outubro, para dar lugar à produção do novo. Daí que a marca tenha como objetivo chegar aos 1400 Leaf vendidos em Portugal em 2018, num total de mercado previsto de 3250 carros elétricos.

Pode não ser perfeito, mas é um passo importante na tecnologia dos automóveis que dispensam motor a combustão. É preciso conduzi-lo, como a alguns dos concorrentes, para perceber que este caminho tem cada vez mais potencial. Agora, mais do que autonomia e carregamentos rápidos, é preciso investimento em infraestrutura. E marcas como a Nissan também estão a trabalhar nesse sentido.

Ficha técnica Nissan Leaf

Motor
Elétrico
110 kw (150cv)
320 Nm entre as 0 r.p.m. e as 3 283 r.p.m.

Transmissão
Dianteira

Prestações
144 km/h
7,9s dos 0-100 km/h

Autonomia
415 km (Ciclo Cidade WLTP)
270 km (Ciclo Combinado WLTP)

Preço Entre €32 250 (Nissan Leaf Visia) e €37 750 (Nissan Leaf Tekna)