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Câmara de Lisboa usa falcões para amedrontar pombos

Nuno Botelho

Aves de rapina estão agora a ser usadas para resolver um dos problemas mais “persistentes” do coração de Lisboa, a grande concentração de pombos

Depois de no ano passado, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) ter instalado pombais contracetivos para controlar a população de pombos no município, este ano uma outra medida já esta a ser testada: a libertação de falcões por pontos estratégicos da cidade para assustar os pombos.

Rossio, Cais do Sodré, Praça do Comércio, Santa Apolónia e Martim Moniz são as principais áreas no centro de Lisboa onde se tem registado maior concentração de pombos - um problema “persistente”- e onde se pretende intervir, segundo diz a secretaria-geral da CML por escrito ao Expresso.

Esta alternativa - que começou a ser implementada na semana passada e que será levada a cabo nos próximos três meses – terá um custo de pouco mais de 18 mil euros e será levada a cabo por uma empresa especializada. Estas aves de rapina, treinadas para o efeito, serão acompanhadas por um tratador em cada momento de intervenção, que vigia e supervisiona a atividade, pelo que a população em nada corre perigo, segundo a CML.

A CML esclarece ainda que “o método consiste na utilização de aves de presa em voo livre, todas elas com certificado CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção), não podendo estas causar a morte ou ferimento nas aves [neste caso pombos], conforme expresso na licença concedida pelo ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas)”.

Esta é mais uma solução apresentada pelo município que foge a soluções letais, já que “esta medida não visa promover a diminuição dos pombos da cidade de Lisboa, pois apenas pretende encaminhá-los para locais com menor densidade populacional e com maior aptidão para receber as comunidades columbófilas”, escreve a CML.

O município de Lisboa recorda que há dois lados da balança a serem considerados: se “por um lado há que considerar os potenciais riscos para a saúde pública, danos no património e insalubridade, por outro, há uma preocupação crescente com o bem-estar animal”.

E esta preocupação com o bem-estar animal tem-se “refletido na adoção de outras soluções, no controlo efetivo da população de pombos, nomeadamente com a construção do primeiro pombal contraceptivo [em maio do ano passado], em Benfica e a expansão deste conceito por outras freguesias como Alcântara, Alvalade, Arroios, Carnide, Lumiar, Olivais e Penha de França”, diz a CML. Os pombais contracetivos são uma solução que consiste em substituir os ovos dos pombos por réplicas de plástico, trabalho esse muito dependente da colaboração de grupos de voluntários, de acordo com o município.

Afugentar pombos recorrendo a falcões não é uma medida nova em Lisboa, nem em grandes metrópoles pelo mundo. O aeroporto de Lisboa já usa este método - que se tem revelado eficaz - para evitar que haja a entrada de pombos nos reatores dos aviões. Em Nova Iorque, Los Angeles e Londres são outras cidades que também já o implementaram, conta a secretária-geral da CML.

Se os resultados optidos forem positivos nesta primeira fase, alargar este método a outros pontos da cidade poderá ser um próximo passo, diz o municipio de Lisboa.