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O que fica bem com um fato Versace? Sapatos da portuguesa Guava

Inês Caleiro criou a marca Guava há sete anos

Rui Duarte Silva

Berlim vai homenagear o autor e escolheu a marca de Inês Caleiro para calçar todas as modelos

Berlim vai homenagear Gianni Versace, com uma retrospetiva da obra do costureiro italiano que combina um desfile de algumas das suas peças históricas e uma exposição. A acompanhar os modelos há sapatos da marca portuguesa Guava, de Inês Caleiro.
"Ser escolhida foi uma surpresa e é uma honra", diz ao Expresso a jovem designer de calçado, que vê em Versace "uma fonte de inspiração" no percurso que tem vindo a fazer no mundo da moda.

Quando foi contactada pela organização da Berlim Fashion Week para participar no desfile, a 30 de janeiro, e na exposição, a decorrer até 13 de abril, Inês aceitou de imediato. Acabou por perceber que seria a única marca de sapatos presente, o que signfica que teria de calçar as 20 modelos que vão desfilar com peças de Versace.

Na verdade, a organização tinha decidido, logo à partida, ter uma marca portuguesa de sapatos. Viu a oferta existente e terá escolhido a Guava pela cor e pelas formas geométricas dos seus modelos. Selecionou alguns dos sapatos que Inês Caleiro tem no mercado, sem pertencerem a uma coleção específica e escolheu outros que vão chegar ao púlico na próxima primavera-verão.

Inês foi ver as peças, analisou tudo com atenção e concluiu que o cruzamento "faz sentido". Os sapatos da Guava, a marca que batizou com o nome inglês da sua fruta preferida, a goiaba, numa escolha assumida como "simples e elegante", combinam com a roupa que o designer italiano foi desenhando ao longo dos anos.

"O mais interessante no que ele construiu é a forma como enaltece a mulher e a faz sentir única, especial, irreverente, independente e forte", sublinha esta portuguesa, de 33 anos, presente no mundo do calçado com a marca Guava há sete anos.

Este é um dos pares made in Portugal escolhido para a retrospetiva de homenagem a Versace

Este é um dos pares made in Portugal escolhido para a retrospetiva de homenagem a Versace

D.R.

Tudo começa no salto

Melhor aluna do seu curso no London College of Fashion, premiada, em 2016, com um Dream Award, dedicado aos mais promissores designers, descobriu a paixão pelos sapatos depois de um convite da Jimmy Choo para estagiar com a diretora criativa da marca, mas ainda passou pelo mobiliário da Boca do Lobo, em Washington, e por uma start-up de joalharia, em Londres, antes de arriscar tudo na Guava, onde cria modelos "com arquitetura", para "uma mulher jovem, contemporânea, cosmopolita, entre os 30 e os 60 anos".

Nas coleções, gosta de combinar saltos altos, com formas geométricas e um toque de extravagância, com estilo clássico e cor. No seu trabalho, tudo começa no salto. "É a partir daí que o sapato ganha vida", explica Inês, que teve de bater a muitas portas antes de encontrar uma empresa portuguesa disposta a tentar produzir par a par os seus modelos complexos, no mercado a preços que passam facilmente os 300 euros.

Já quiseram pôr uma marca famosa num dos seus modelos, mas ela disse que não. Agora, vai calçar peças que pertencem a colecionadores de todo o mundo e foram assinadas, ao longo dos anos por Versace.