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O futuro a nós pertence

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Quando se muda de ano criam-se sempre novas expectativas. Queremos saber o que aí vem e quem serão os grandes protagonistas das mudanças que se seguem. Os velhos dão invariavelmente lugar aos novos, costuma dizer-se, e foi isso mesmo que pedimos para fazer aos nossos consagrados das mais variadas áreas. Da literatura à ciência, da gestão ao futebol, das artes plásticas ao teatro e à música, do humor à política, quisemos saber quem são as suas apostas e as novas promessas. Quisemos saber também porque o são e o que se espera delas. As respostas chegaram-nos na primeira pessoa. E, se em alguns casos o futuro é previsível, noutros é absolutamente surpreendente. Quando completa 45 anos de vida, o Expresso faz das apostas deles as suas e avança com os rostos do futuro

João Luís Barreto Guimarães

rui duarte silva

António Lobo Antunes, escritor

António Lobo Antunes, escritor

É um poeta do excelente. Tem muito talento. Gostei de tudo na poesia dele. É melhor do que parece. Conheci-o através do meu irmão João. Foi ele que me disse, o que é uma coisa muito rara nele, “tens de ler este tipo. Ele é ótimo”. O João foi ao Porto para o conhecer. Depois, ele veio a Lisboa, com a mulher e a filha. É um homem adorável, de uma modéstia... É quente. Gosto de homens e mulheres quentes. É um homem encantador. Tem uma alegria. Claro que por baixo daquilo tudo há muita inquietação. Gostei imenso dele, da mulher, da filha. Já tinha gostado muito da poesia dele quando o João me ofereceu um livro dele. As minhas admirações confundem-se sempre com as minhas paixões. Acabo por misturar tudo. Não sou nada assético. A minha mãe costumava dizer que o que interessa num homem não é a inteligência mas a bondade. Eu reajo muito afetivamente, e depois tenho de pensar sobre as emoções. Fiquei com inveja. Entre os 15 anos e os 20 e tal só escrevia versos, e depois percebi que não tinha talento nenhum e comecei a tentar fazer outras coisas. Na prosa não encontro ninguém que escreva alguma coisa que me encha as medidas. Não tenho inveja de ninguém que escreva prosa. Porque escritores não temos.

João Pedro Mamede, Nuno Gonçalo Rodrigues e Catarina Salgueiro

tiago miranda

Jorge Silva Melo, encenador e dramaturgo

Jorge Silva Melo, encenador e dramaturgo

Chama-se “O Novo Mundo”, não é Dvorak, é o próximo espetáculo de Os Possessos, novo e enorme grupo cujo nascimento e afirmação tenho acompanhado com atenção, surpresa e carinho. São singulares, sim. Estreia em junho, na Culturgest, Lisboa. São atores que conheci nem 20 anos tinham, andavam no Conservatório (agora diz-se ESTC), talentosos, determinados, firmes. São atores com quem tenho também trabalhado — e com surpresa e carinho também. São o João Pedro Mamede, o Nuno Gonçalo Rodrigues (com estes dois trabalho todos os dias, feriados inclusive), a Catarina Salgueiro (com quem nunca trabalhei), vi-os formarem-se, gosto que, divididos por muitos trabalhos diferentes, não se percam de vista, teimosos. Ouvi dizer que é o derradeiro espetáculo calendarizado pelo Francisco Frazão para a sua (ex-) Culturgest e fico contente por este encontro, afinal de contas também vi o Francisco começar, estava ainda na Faculdade de Letras, fez-me uma entrevista sobre “A Selva das Cidades” de Bertolt Brecht e trabalhámos desde então. E fico contente por ousarem fazer o novo espetáculo no Grande Auditório, sem ser na redução (aquela coisa “com bancada” que nunca apreciei), fico contente de fazerem um espetáculo de grandes dimensões, uma catrefada de atores, música e tudo. E vários escritores, sim — conheço alguns que andam a trabalhar, sim. Vejo-os, no fim dos meus ensaios, partirem para reuniões (a que chamam “clube”) e juntarem a eles gente que vão conhecendo aqui e ali, vejo-os, sorridentes, abraçarem-se. Vejo-os com curiosidade falarem de David Foster Wallace, de Zadie Smith, vejo-os receberem encomendas de livros que nunca li, ouço-os falar de Thomas Pynchon — mas também os vejo rir e falar de noitadas em casa uns dos outros, jantares, essas coisas. Olho-os. Com surpresa e carinho. Vejo-os virem dos espetáculos que vão ver, todos os espetáculos que não perdem, entusiasmados quase sempre, quase nunca maldizentes (essa parte é a minha e tento não lhes estragar com o meu velho azedume o seu lindíssimo prazer). Estão a começar, claro, não têm casa, não têm dinheiro, não têm nada, nunca tiveram apoios estatais, mas é gente decidida, tenaz, inventiva, amiga. E há um irresistível vento de poesia que sopra por aquelas pessoas, sim. Ponho, por isso, as mãos no fogo. Naquele que arde sem se ver.

Salvador Sobral

Rui Bandeira

Carlos 
do Carmo, cantor

Carlos 
do Carmo, cantor

Penso que o Salvador Sobral será provavelmente a nova grande figura da música portuguesa. Por várias razões. Uma, que não é despiciente, é a cultura. Trata-se de um rapaz culto. Uma pessoa que canta e é culta tem outra forma de transportar os versos. Depois, tem, como a maioria dos jovens cantores, que se movem no jazz e no hip-hop e que cantam em inglês, essa capacidade de cantar português de uma forma autónoma. Não há nele nenhuma sonoridade que tenha que se confundir com o inglês. Finalmente, espero e desejo que ele perceba a dimensão do país, os entraves imensos que vai ter, que saiba superá-los porque a qualidade dele merece isso tudo.

Igor Jesus

Rui Chafes, artista plástico

Rui Chafes, artista plástico

Associo a ideia de “aposta” à ideia de “curiosidade”. Não é fácil escolher apenas ‘um’ artista: felizmente, neste momento, temos muitos artistas, de todas as gerações, disciplinas e áreas, com obras muito sérias e estimulantes. Neste caso, opto por um artista mais jovem, Igor Jesus, pela consistência, coragem e seriedade do seu trabalho e da sua pesquisa poética. É um daqueles artistas como eu gosto: trabalha sem rede nem medo de falhar. E quando falha, falha bem. E, em seguida, recomeça para falhar ainda melhor. Tenho toda a curiosidade por saber de que forma irá continuar a surpreender-nos e a inspirar-nos em 2018.

Rui Tavares

gregório cunha

António Barreto, sociólogo 
e comentador político

António Barreto, sociólogo 
e comentador político

Apesar de ter nascido um pouco antes, pertence, para todos os efeitos, a uma geração do pós-25 de Abril. Já faz política há bastante tempo e foi uma vez deputado europeu. Esteve vagamente ligado ao Bloco de Esquerda. A fim de assegurar a sua independência, deu por terminada essa ligação, o que só lhe fez bem. Fundou um partido político, Livre, que não teve êxito eleitoral. É escritor e historiador. Tem vários livros publicados, entre os quais distingo “O Pequeno Livro do Grande Terramoto” e “Esquerda e Direita: Guia Histórico para o Século XXI”. Entre os políticos, jovens ou não, é um dos mais cultos e informados. Escreve bem. Comenta a vida pública nos jornais, na televisão e nos blogues. Estou muitas, mesmo muitas vezes em desacordo com ele, mas procuro a sua opinião, para me informar, para aprender ou para me confrontar com ele. Só nos encontrámos uma ou duas vezes. Tem um evidente prazer na argumentação e não resiste à teimosia. Creio que hesita entre a teoria e a prática. Ou, como é clássico, entre a ação e o pensamento. Ou ainda, finalmente, entre a doutrina e a política. Estas contradições fazem um político interessante. Penso que vai atenuar as suas tentações teóricas e a sua inclinação doutrinária para, um dia, se deixar envolver na ação mais realista e mais pragmática. Pode parecer uma abdicação, ou uma redução, mas não o é necessariamente. Os políticos só pragmáticos e realistas são enfadonhos e por vezes até perigosos. O que não quer dizer que os teóricos sejam superiores. Os que se resumem à teoria são geralmente conselheiros do tirano. Mas os que se sentem à vontade nos dois universos, o do pensamento e o da ação, são talvez os que mais nos interessam. Pode ser que ele sofra com a contradição, mas talvez a política portuguesa ganhe. Em tudo o que escreve sente-se a veia prática. Mesmo quando pensa teoria, não se coíbe em dar receitas e propor soluções. Entre os socialistas, falta quem pense. Há poucos que se interessam por essa atividade. Nas esquerdas, faltam realistas sensatos. Há também poucos que não considerem o realismo uma espécie de traição. Finalmente, a esquerda carece de políticos e pensadores que não tenham uma veia despótica e que estimem a melhor herança do pensamento liberal. Rui Tavares poderia desenvolver muito do que falta atualmente à esquerda.

Mónica Bettencourt-Dias

nuno botelho

Carlos Fiolhais, professor de Física da Universidade de Coimbra

Carlos Fiolhais, professor de Física da Universidade de Coimbra

A bióloga Mónica Bettencourt-Dias, de 44 anos, é um valor seguro da ciência portuguesa. Doutorada em 2001 em Bioquímica pelo University College de Londres e com um pós-doutoramento em Cambridge, regressou em 2006 a Portugal para um lugar de investigadora principal no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). Beneficiária de várias bolsas “milionárias” europeias, uma delas em 2017 no valor de dois milhões de euros, recebeu diversos prémios e distinções, entre os quais a prestigiada associação ao Laboratório Europeu de Biologia Molecular, um reconhecimento que assenta na publicação em revistas de grande impacto como a “Science” e a “Nature”. O seu trabalho centra-se nos centrossomas, peças de uma complicada maquinaria celular que determina a divisão celular. Nomeada recentemente, após seleção por um comité internacional, diretora daquele Instituto, a Mónica junta agora às suas tarefas de investigação outras de gestão. É dela que se espera não só a manutenção dos altos padrões de qualidade daquele Instituto mas também o acréscimo de colaboração com outros institutos de investigação, designadamente os universitários, no sentido de aproximar o sistema científico nacional do pelotão da frente na União Europeia. Os desafios da ciência portuguesa são exigentes, dado a queda do investimento em ciência na legislatura anterior, mas a Mónica, que representa bem uma geração que atingiu elevados patamares graças à política de José Mariano Gago, tem os conhecimentos e a visão para fazer crescer a ciência nacional. O IGC surgiu em 1961, mas só no ano seguinte o Instituto de Estudos Biológicos, antecessor do atual IGC, que só trabalha em biologia, ganhou corpo. Em 1965 foram inauguradas as instalações do IGC em Oeiras e em 1967 as do Instituto de Estudos Biológicos. Um dos cientistas que pontificou no IGC foi o médico holandês Nicolaas van Uden (consorte de D. Adelaide de Bragança, neta do rei D. Miguel), que criou em 1969 os Estudos Avançados de Oeiras, uma escola de pós-graduação que trouxe a Portugal alguns dos melhores especialistas mundiais. O estabelecimento da biologia moderna em Coimbra e Porto, onde hoje está firmemente implantada, deveu-se a essa “semente” plantada em Oeiras, mostrando como a inovação no sector público pode provir da iniciativa privada. A Fundação Gulbenkian, neste como noutros sectores, tem sido exemplar e espera-se que o continue a ser. O IGC, uma das poucas instituições privadas que faz ciência em Portugal, tem particulares responsabilidades no desenvolvimento do sistema científico português. Dinâmica e determinada como é, a Mónica recebe uma herança que passará a outros ainda melhor do que a que recebeu. Last but not least, a Mónica gosta de fazer comunicação científica. Ela sabe que a ciência é parte da sociedade e não pode viver sem essa ligação forte à sociedade que se chama cultura científica. Com a Mónica à frente do IGC, vai haver mais ciência para todos.

Mariana Cabral — Bumba na Fofinha

tiago miranda

Ricardo Araújo Pereira, humorista

Ricardo Araújo Pereira, humorista

Quem deseja fazer humor hoje tem uma grande vantagem e uma grande desvantagem sobre quem queria fazê-lo há 15 anos. A grande vantagem é que, agora, é muito fácil e barato publicar o nosso trabalho. A grande desvantagem é que, agora, é muito fácil e barato publicar o nosso trabalho. O problema deixou de ser o acesso ao público — uma vez que, com os blogues, o YouTube e as redes sociais, toda a gente tem acesso ao público. O problema passou a ser a dificuldade de se evidenciar no meio de tantos textos, tantas imagens, tantos vídeos de gatinhos e de gente a cair. Se tivesse de apontar apenas uma pessoa, entre as que se confrontam com essa nova dificuldade (ou seja, não contando com a gente idosa que tem mais de 30 anos e já frequenta consistentemente os jornais, a rádio, a televisão e as grandes salas de espetáculos), escolheria a Mariana Cabral, talvez mais conhecida pelo nome Bumba na Fofinha. Ela domina os códigos tanto dos novos como dos velhos media, valoriza a escrita acima do resto, fala um português ágil e impecável, tem um olhar inteligente e uma espécie de exasperação com as coisas que é muito engraçada. Dentro da mesma faixa de pessoas desagradáveis que costumam ser designadas por “jovens”, há várias outras com capacidade para se distinguirem, e que já estão a fazê-lo em maior ou menor grau. Seria fastidioso referir todas essas pessoas, pelo que mencionarei apenas umas quarenta: Diogo Faro, Guilherme Duarte, Cláudio Almeida, Dário Guerreiro, Miguel Neves, Joana Marques, Daniel Leitão, Cátia Domingues, Manuel Cardoso, Pedro Teixeira da Mota, Guilherme Geirinhas, Carlos Coutinho Vilhena, Soraia Carrega, Miguel Luz, Daniel Carapeto, David Cristina, Nuno Mesquita, João Pinto, Rui Cruz, Carlos Pereira, Paulo Almeida, Hugo Rosa, Rita Camarneiro, Juan Pereira, Duarte Correia da Silva, Pedro Durão, Pedro Sousa, Catarina Matos, Hugo Subtil, Paulo Ferreira, Pedro Figueiredo, Diogo Batáguas, Vasco Correia, Hugo Claro, Rúben Branco e Pedro Soares. Se tudo correr bem, hei de escrever para vários deles. Estou a contar ser um velho guionista com textos para vender e preciso de quem os compre.

Marco Silva

FOTO Matthew Lewis/Getty Images

Manuel José, treinador de futebol

Manuel José, treinador de futebol

Tenho muito clara a ideia de quem será o futuro treinador de top do futebol português: Marco Silva, atual técnico do Watford, da Liga Inglesa. É um treinador muito jovem, que fez um percurso célere no Estoril Praia. Daí, saltou para o Sporting, onde fez um excelente trabalho e foi uma pena não o terem deixado continuar — houve um conflito entre ele e o presidente do Clube. Assinou uma cláusula no Sporting que quase o castrou. Se ele tem saído para o Futebol Clube do Porto, que o cobiçou, a história poderia ter sido outra... Depois, foi para a Grécia, para o Olympiacos, onde foi campeão tranquilamente, e seguiu para a Liga Inglesa (Hull City), na época passada. Quanto a mim, fez uma má opção, porque foi treinar uma equipa que estava para baixar de divisão — mas isso não retira mérito ao treinador. Esta época, teve um início fulgurante, com uma equipa que esteve em 4º lugar e agora está em 10º. Quanto a mim, tem de medir melhor os clubes para onde vai. Não é um treinador que joga para o resultado — joga para uma boa partida de futebol, com um futebol ofensivo e moderno. Dá confiança a cada um dos seus jogadores, retirando assim o melhor deles. Tem uma liderança tranquila. Tenho respeito e admiração por ele. Será uma questão de tempo até saltar para um grande clube.

Luís Araújo

antónio pedro ferreira

Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins

Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins

É um gestor verdadeiramente excecional. Conheci Luís Araújo há mais de 20 anos, quando ele se candidatou ao nosso programa de management trainees. Este programa é exigente e além de testes psicotécnicos, na fase final tem apresentações individuais e entrevistas aos candidatos feitas por membros da administração da Jerónimo Martins. Eu era presidente do conselho de administração na altura. Logo ali percebi que estávamos perante um profissional que iria longe. Todos os membros do conselho de administração têm uma opinião absolutamente extraordinária sobre ele. Tem uma dedicação extrema. Pega nos problemas e resolve-os facilmente, tem interesses vastos, é um trabalhador incansável. Destaca-se pelas qualidades empresariais, de liderança, a visão geral das suas responsabilidades. Teve excelentes notas no seu percurso académico. A sua carreira foi toda feita dentro do grupo. Agora ocupa o cargo de diretor geral da nossa cadeia de lojas Biedronka, na Polónia, onde tem feito um trabalho notável no aumento das vendas. Acredito que vai ter um papel cada vez mais relevante no grupo, nomeadamente no estudo de novos mercados. Ele vai longe, não vai ficar por aqui.

Gelson Martins

FOTO Carlos Palma/NurPhoto/Getty Images

António Simões, jogador de futebol

António Simões, jogador de futebol

De todos os jogadores jovens, o que mais me impressiona e aquele de quem mais gosto é o Gelson. Gosto do estilo, parece-me ser um jogador à antiga, do meu tempo, que não tem receio, vai para cima do defesa, arrisca com segurança ou sem segurança, faz o um contra um com rede ou sem rede, não importa, desequilibra constantemente. Cada vez que ele pega na bola há sempre alguma coisa que acontece. Tem todas as condições para ser um extremo que vai fazer furor, não tenho dúvidas nenhumas. Ainda tem um caminho para percorrer, não tanto de aprendizagem, mas mais de maturidade, mas é um grande jogador. Na próxima década, penso que será aquele que mais vai despontar. É verdade que há outros, como o Bernardo Silva, mas este parece-me melhor. Cada vez gosto mais dele. Da forma como joga, joga em Portugal, em Espanha, em Inglaterra, joga em qualquer país, porque ele joga o jogo independentemente do estilo ou da cultura do país. Tem autoconfiança, que é uma coisa muito importante num jovem, é desinibido, para ele o jogo é um entertainment, e depois, para a idade que tem, já revela responsabilidade da sua função. Mas ele tem outro predicado: vai muito além da sua própria função, é um jogador de multiplicidade de funções. A dinâmica do jogo a isso obriga e ele já o percebeu. Estou plenamente convencido que não vai ficar muito tempo em Portugal, porque é um desequilibrador, um grande driblador, capaz de dar uma sapatada no jogo. Tem a consciência do passe e uma grande capacidade de drible. É deixá-lo jogar, que ele faz depois tudo o resto. Não é um goleador, mas é um grande jogador e é também um grande pensador. Tem outro requisito fantástico que é o último passe, a última decisão. E isso é fundamental. Há quem faça tudo muito bem e depois não chega lá, não finaliza ou não dá a alguém para finalizar. Então, isso é igual a zero. Mas este rapaz tem a inteligência, a cultura de perceber qual é o momento de passar, e faz assistências extraordinárias. Às vezes não dá o último toque, mas fez tudo até ao último toque, é preciso olhar para isso também. Sobre esse aspeto é o melhor de todos. Há quem tenha a tentação de ser o herói do jogo e este miúdo não a tem. Ele quer ter a satisfação pessoal de jogar bem e ganhar e há quem tenha só a satisfação de jogar bem e não se importe de ganhar, põe-se sempre em primeiro lugar. Ele não mostra nada disso. Consegue ser muito desequilibrador e ter um grande conceito de equipa. Se fosse treinador dele estava encantado.