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CGI prepara recondução de Gonçalo Reis na presidência da RTP

Gonçalo Reis, presidente da RTP

Alberto Frias

Presidente da RTP será convidado para novo mandato de três anos. Conselho Geral Independente não confirma recondução de Gonçalo Reis e diz estar ainda a redigir as linhas de orientação estratégica para o futuro conselho de administração e a definir a modalidade de escolha da equipa para os próximos três anos. Decisões serão anunciadas em fevereiro

O atual presidente do Conselho de Administração da RTP, Gonçalo Reis, vai ser reconduzido no cargo para mais um mandato de três anos no operador público. Segundo informações recolhidas pelo Expresso, o convite formal será feito pelo Conselho Geral Independente (CGI) da RTP até ao fim da primeira quinzena de fevereiro, devendo posteriormente Gonçalo Reis constituir a sua equipa e submetê-la à aprovação do CGI - sendo que o administrador com o pelouro financeiro fica ainda sujeito a parecer prévio e vinculativo do ministério das Finanças.

Fontes ouvidas pelo Expresso dão como certo que além de Gonçalo Reis, também o atual administrador com o pelouro dos conteúdos, Nuno Artur Silva, deverá ser convidado para um novo mandato de três anos. Sorte diferente poderá ter a atual administradora com o pelouro financeiro, Cristina Vaz Tomé, que não terá ainda garantida a sua continuidade após o mandato atual, que termina na primeira semana de fevereiro.

Contactados pelo Expresso, tanto o atual Conselho de Administração da RTP como o Ministério da Cultura, que tem a tutela do operador público, recusaram fazer comentários sobre a nomeação da próxima administração: ambos remeteram quaisquer explicações sobre este processo para o Conselho Geral Independente, o organismo - criado em 2014 pelo então ministro Adjunto Miguel Poiares Maduro - que tem a incumbência de indigitar os membros do CA da RTP.

O presidente do CGI não esteve disponível para comentar este dossiê. Mas se fontes próximas da CGI não confirmam, para já, a continuidade de Gonçalo Reis e garantem que não existe ainda qualquer convite formal nesse sentido, também não negam que a recondução da atual administração é, neste momento, o cenário mais provável em cima da mesa.

Ao que o Expresso apurou, o CGI está neste momento a redigir as linhas de orientação estratégica para o próximo Conselho de Administração da RTP e tenciona concluir esse processo nas próximas duas semanas. Só depois da definição e divulgação pública dessas linhas estratégicas é que avançará formalmente o processo de escolha do conselho de administração.

Até ao final de janeiro será também definida a modalidade de escolha da próxima administração. Modalidade essa que, em tese, poderá passar pela simples recondução do atual presidente - convidando-o a formar uma nova equipa para prosseguir o projeto estratégico que está a desenvolver desde 2015 -, por convites diretos a outras personalidades no sentido de apresentarem projectos estratégicos alternativos para a RTP ou, por exemplo, pela abertura de um concurso público.

As fontes ouvidas pelo Expresso notam, no entanto, que as duas últimas opções - nomeadamente a abertura de um concurso público - arrastariam inevitavelmente o processo de escolha da próxima administração durante vários meses, o que seria contraproducente para a estabilidade do operador público. E tendo em conta a avaliação globalmente positiva que o CGI tem feito ao mandato do atual CA, todas apontam como mais do que natural o convite a Gonçalo Reis - e pelo menos a parte da sua equipa - para que prossiga o seu trabalho por mais três anos.

O calendário para o processo de nomeação da próxima administração da RTP acabou por ser indiretamente condicionado pela própria CGI, que só perto do final do ano ficou em condições de avançar para esse dossiê. Isto porque o organismo teve de renovar três dos seus seis membros a meio do mandato - conforme previsto na lei - e só em novembro, com a cooptação da professora catedrática Helena Sousa, ficou com a nova equipa completa, após a saída, por sorteio, de Ana Lourenço, Manuel Pinto Silva e Álvaro Dâmaso.

Os restantes dois novos membros são o diplomata Seixas da Costa, indicado pelo Governo, e o professor catedrático Vieira de Andrade, indicado pelo Conselho de Opinião da RTP. António Feijó (presidente do CGI), Diogo Lucena e Simonetta Luz Afonso mantiveram-se em funções para um mandato completo de seis anos.