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Aires Mateus vencem concurso para extensão do Musée des Augustins em Toulouse

Novo corpo para o Musée des Augustins proposto pelos irmãos Aires Mateus

Aires Mateus

O projeto para a extensão e nova entrada do museu foi escolhido entre as propostas de quatro concorrentes e prevê reformulação de várias funções já existentes

Os irmãos Aires Mateus venceram o concurso aberto pela Câmara de Toulouse, França, para a extensão e nova entrada do Musée des Augustins. A proposta de Manuel e Francisco Aires Mateus foi a preferida do júri que, na segunda fase, tinha ainda para apreciar os projetos dos arquitetos Rudy Ricciotty, de Marselha; Bernard Desmoulin, de Paris; Voichet & Architectes Associes, Toulouse/Paris.

Francisco Aires Mateus explica que, para a elaboração da proposta, foi aproveitada a condição particular de Toulouse, onde a generalidade dos grandes edifícios não são construídos em pedra, mas em tijolo. “Ao desenhar uma nova porta de entrada para o museu, entendeu-se que o material devia ser aquela pedra” da região de Tours, muito parecida com o calcário e que foi transportada de barco.

Outra particularidade tem a ver com as acessibilidades. O que despoleta o concurso, refere o arquiteto, é a disponibilização de verbas para tornar o museu mais acessível, sobretudo aos menos válidos. A grande decisão dos Aires Mateus foi inverter a ordem de prioridades e abdicar de uma zona especial para deficientes. Optaram por tornar todo o edifício igualmente acessível a qualquer pessoa, sejam quais forem as suas capacidades de locomoção. Não existem, assim, casas de banho especiais ou outro tipo de diferenciações. Todos os espaços são utilizáveis por todos.

Havia aí uma questão para resolver. Francisco refere que o claustro interior tem um desnível de 1,5 metros em relação à praça frente ao edifício. “Foi encontrada uma solução que faz com que, no percurso a efetuar, praticamente não se note esse desnível”.

A proposta agora aceite prevê uma reformulação de várias funções do museu existente, um dos mais antigos de França e caracterizado pela sua coleção de escultura e pintura desde a Idade Média até os alvores do século XX.

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Novo volume de acesso ao convento

É construído um novo volume de acesso ao convento quatrocentista, que foi quase destruído por um incêndio no século catorze. Depois de reconstruído, a partir do século XV funcionou normalmente até a extinção das ordens religiosas.

O Musée des Augustins sobrepõe-se ao Couvent des Augustins ao longo da história, mesmo com todas as modificações que foram feitas com o correr dos tempos, como a abertura de uma rua que o cortou, deixando o Claustro e as alas da igreja.

No sítio onde agora será construído o corpo projetado pelos Aires Mateus, na antiga ala sul do claustro, são recuperadas as dimensões da desaparecida Capela de l’Ecce Homo.

A nova entrada do museu será também a nova porta do convento, que, diz Francisco, “deverá abrir-se à cidade de forma evidente e virar-se para o claustro serenamente, respeitando os valores espaciais dos quais a estrutura conventual é depositária”.

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A nova entrada do museu será também a nova porta do convento, que, diz Francisco, “deverá abrir-se à cidade de forma evidente e virar-se para o claustro serenamente, respeitando os valores espaciais dos quais a estrutura conventual é depositária”.

De resto, impõe-se a particularidade de o claustro constituir sempre um local de passagem para quem queira regressar ao museu.

Na memória descritiva do projeto salienta-se que “a entrada do museu é evidente, marcada por uma abertura para o qual o visitante inevitavelmente se vira. Esta abertura revela um vazio mineral e profundo, que conduz o visitante até ao claustro. A orientação do espaço relaciona-se com a adjacente ala oblíqua do refeitório, estabelecendo o percurso mais longo possível entre a cidade e o claustro”.

Do lado do claustro, prossegue a exposição, “dois vãos murados são reabertos e iluminam a galeria. O primeiro vão, um grande arco em ogiva, é completamente reaberto, funcionando como ponto de passagem entre o novo edifício e o convento. O segundo arco é transformado em janela, ponto de iluminação e de descoberta visual do claustro a partir da zona de entrada. O grande espaço em duas águas da entrada comunica ainda com um segundo mais pequeno que monumentaliza a empena do edifício adjacente, deixando-se invadir pela luz refletida nos tijolos”.

Os arranjos exteriores, tal como os de toda a cidade de Toulouse, são da responsabilidade do arquiteto de Barcelona Joan Busquets, com quem os irmãos Aires Mateus estão em articulação para resolver a praça fronteiriça ao museu.