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Presidente da Câmara do Funchal é arguido no caso da queda de árvore no Monte

homem de gouveia/ lusa

Processo que envolve Paulo Cafôfo relaciona-se com a queda de um carvalho centenário, em agosto de 2017, no Largo da Fonte, sobre a multidão que esperava pela procissão da Nossa Senhora do Monte, no Funchal. A queda provocou a morte a 13 pessoas e feriu perto de 50

Marta Caires

Jornalista

O presidente da Câmara do Funchal, a vereadora do Ambiente e um funcionário da autarquia foram constituídos arguidos no âmbito do inquérito à queda da árvore no Monte.

"Estou de consciência tranquila", diz o presidente da Câmara do Funchal a propósito do facto de ter sido constituído arguido no inquérito a queda a árvore que matou 13 pessoas no Monte

O presidente da Câmara do Funchal confirmou que foi constituído arguido no âmbito do inquérito a queda da árvore que causou a morte a 13 pessoas a 15 de agosto de 2017. No comunicado onde confirma que é arguido, Paulo Cafôfo diz ainda que está disponível para colaborar com a investigação e acrescenta que está de consciência tranquila. "Estou de consciência tranquila em relação à minha atuação e ao meu dever para com a segurança dos funchalenses".

No mesmo texto, lembra, ou melhor, reforça que sempre cumpriu todos os deveres que a função exigia. Além disso, Paulo Cafôfo sublinha que ser constituído arguido é normal em casos desta natureza erevelou que já foi ouvido em tribunal. O comunicado termina com palavras para as vítimas que, segundo o autarca, estarão para sempre na memória.

O inquérito à queda da árvore no Largo do Monte esteve envolto em polémica desde o início. Numa primeira fase, o Ministério Público autorizou uma peritagem da Câmara do Funchal ao local, mas ao fim de três dias vedou o acesso e foi nessa altura que entrou em acção a Polícia Judiciária. Durante vários dias os inspectores da Judiciária estiveram no local e usaram drones para fotografar a área.

A investigação da PJ terá sido entregue há pouco tempo à titular do inquérito, a procuradora Isabel Dias, que é também diretora do DIAP na Madeira. De acordo com informações veiculadas pelo JM-Madeira existem pelo menos três famílias das vítimas que se constituíram assistentes no inquérito.

Desde o dia da tragédia, a 15 de agosto, que se fala em possíveis responsabilidades públicas. Isto porque uns dias antes do início das novenas de Nossa Senhora do Monte a Junta de Freguesia do Monte solicitou através de um ofício uma vistoria ao Largo da Fonte por causa da queda de ramos de plátanos. A resposta da Câmara do Funchal foi de que seria feita quando fosse oportuno.

Na conferência de imprensa no dia 15 de Agosto, sete horas depois do acidente, Paulo Cafôfo alegou que o pedido tinha sido para os plátanos e não para o carvalho, a árvore que caiu e matou 13 pessoas. Na mesma conferência, o presidente da Câmara do Funchal mostrou documentos dos anos 50 do século passado que davam os terrenos onde estava o carvalho como propriedade da paróquia.

Um facto que levantou nova polémica, mas com a Diocese do Funchal que alegou sempre que não tinha registo do terreno como sendo seu. A questão é que, pelo sim, pelo não, durante os três dias que duraram as perícias pedidas pela autárquia, a Diocese teve lá um perito no local. Além disso, a Igreja lembrou sempre que quem tratava os jardins e cuidava dos terrenos desde o século XIX era a Câmara do Funchal.

A árvore, um carvalho centenário, caiu a 15 de agosto de 2017 no Largo da Fonte sobre a multidão que esperava pela procissão da Nossa Senhora do Monte. A queda provocou a morte a 13 pessoas e feriu perto de 50.

Notícia atualizada às 18h18