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IGAI quer saber porque a polícia atirou a matar em Queluz

Investigação à atuação policial “tem natureza secreta” e um prazo de 45 dias para a sua realização. Este foi o segundo caso em dois meses de pessoas atingidas mortalmente por tiros das forças de segurança. Desde 2006, morreram 33 pessoas vítimas de balas da polícia

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) está a investigar a morte de um alegado assaltante a uma carrinha de transporte da valores que ocorreu em Queluz, na última sexta-feira, depois de uma operação policial.

Ao Expresso, o gabinete de Margarida Blasco refere que foi aberto um inquérito nesse mesmo dia, 29 de dezembro, aos factos "ocorridos na sequência de uma perseguição policial em que foi utilizada arma de fogo".

Ainda segundo a IGAI, trata-se de um inquérito que tem "natureza secreta", tendo sido fixado um prazo de 45 dias para a sua realização.

Esta terça-feira, o jornal "Público", avança que a morte está também está a ser investigada pela secção de homicídios da Polícia Judiciária de Lisboa. Uma informação confirmada pelo Expresso. A comissão dos direitos humanos da Ordem dos Advogados também já pediu explicações à Inspeção-Geral da Administração Interna.

O código interno das forças de segurança é bastante rígido em relação a este tipo de casos. Um agente da autoridade só deve disparar em casos de absoluta necessidade. Na operação também ficaram feridos agentes da PSP.

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) revela que foram detidos em flagrante delito, a 29 de dezembro, três pessoas na sequência da subtração violenta de valores transportados do interior de uma agência bancária, na Estrada do Paço do Lumiar, em Lisboa, para uma carrinha da Prossegur. Os assaltantes roubaram uma mala e dois sacos que tinham mais de 100 mil euros. "Os arguidos encetaram de imediato a fuga numa viatura Mini Cooper de cor branca, em direção à rua Diogo Cão, em Queluz de Baixo, onde viriam a ser detidos pela PSP, após violenta reação dos mesmos, o que motivou disparos com armas de fogo designadamente, pela PSP em resposta ao ataque dos mesmos arguidos", refere a PGDL.

Ainda de acordo com o Ministério Público, os suspeitos não tinham profissão e viviam da "subtração violenta de valores" nomeadamente através dos "assaltos em dependências bancárias ou dos CTT, de terminais de multibanco ou de carrinhas de valores".

Os outros dois detidos ficaram em prisão preventiva pela prática dos crimes de roubo qualificado, detenção de arma proibida receptação e furto qualificado. Existe o receio de continuação da atividade criminosa, de fuga, de perturbação do inquérito e da ordem pública.

Trata-se do segundo caso em dois meses envolvendo disparos mortais das forças de segurança. Em meados de novembro, uma mulher foi morta acidentalmente depois de uma perseguição da PSP a assaltantes de uma máquina ATM na Margem Sul.

São raros os casos de pessoas vítimas de balas da PSP e da GNR. Desde 2006, morreram 33 pessoas baleadas pelas polícias.

  • Morreu o assaltante baleado pela polícia em Queluz

    Um dos suspeitos do assalto a uma carrinha de transporte de valores, que ficou ferido na sexta-feira, morreu na noite de sábado, no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa. Outro assaltante está ainda em fuga e é procurado pelas autoridades.