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Associação quer fim da mensagem de Natal do cardeal patriarca na televisão

António Cotrim / Lusa

Associação República e Laicidade considera que constitui “um privilégio incompatível com a laicidade do serviço público” e critica em específico a mensagem deste Natal, “que não se coibiu este ano de ser politicamente polémica ao tomar partido contra o direito à morte assistida”

Helena Bento

Jornalista

A Associação República e Laicidade defendeu esta terça-feira o fim da transmissão televisiva da mensagem de Natal do Cardeal Patriarca de Lisboa, alegando que constitui “um privilégio incompatível com a laicidade do serviço público” e, por isso, “deve terminar”.

Em comunicado divulgado no seu site, a associação sublinha que “já existe um espaço específico para as várias comunidades religiosas”, no programa “A fé dos homens”, na RTP2, e que por isso nada justifica que as mensagens do cardeal patriarca, Manuel Clemente, sejam difundidas anualmente “fora desse espaço” e “num formato semelhante ao de um tempo de antena”.

A nota da associação é divulgada dois dias depois de a RTP1 ter emitido a tradicional mensagem do cardeal, apresentada, diz a associação, “sem tratamento jornalístico nem qualquer outro tipo de moderação” e que “não se coibiu este ano de ser politicamente polémica ao tomar partido contra o direito à morte assistida”.

Além de lembrar os incêndios “que vitimaram muitas pessoas e destruíram habitações e outros edifícios” e a “grande solidariedade” que surgiu nesse período, Manuel Clemente sublinhou na sua mensagem de Natal a necessidade de cuidar dos idosos, que merecem ter uma “última idade de quase plenitude pessoal, mesmo quando fisicamente debilitada e carente”, e falou sobre os cuidados paliativos, citando o Papa Francisco: “Devemos e podemos sempre cuidar da pessoa viva: sem abreviar nós mesmos a sua vida, mas também sem nos obstinarmos inutilmente contra a sua morte. A medicina paliativa move-se nesta linha. Ela tem uma grande importância também no campo cultural, comprometendo-se a combater tudo o que torna o ato de morrer mais angustiante e sofrido, ou seja, a dor e a solidão”.

O cardeal patriarca sublinhou ainda a importância de “aprender com os mais idosos, acompanhando-os até ao fim natural das suas vidas”.