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Votação online: escolha o acontecimento nacional de 2017

Dando seguimento a uma prática iniciada em 2014, o Expresso desafia novamente os seus leitores a votarem as figuras e acontecimentos nacionais e internacionais do ano. Nesta terça-feira damos início à votação das personalidades e dos factos que marcaram 2017 em Portugal (na segunda-feira havíamos aberto a eleição das figuras e acontecimentos Internacionais)

A redação do Expresso, num plenário realizado na segunda-feira (4 de dezembro), escolheu as figuras e os acontecimentos nacionais e internacionais de 2017. Trata-se de uma das mais velhas tradições democráticas da comunicação social portuguesa (cujos resultados serão oportunamente divulgados), neste ano votada por quatro dezenas e meia de jornalistas.

Os artigos de fundo sobre os vencedores das quatro categorias (figura nacional; acontecimento nacional; figura internacional; e acontecimento internacional) serão publicados na edição semanal em papel de 23 de dezembro.

Agora, pela quarta vez consecutiva, vimos convidar quem nos lê a eleger as figuras e os acontecimentos do ano. Assim, até às 14h do dia 20 de dezembro, os leitores podem fazer a sua votação, escolhendo entre os mesmos acontecimentos e figuras que foram sufragados pela redação do Expresso. Periodicamente, faremos o ponto da situação do resultado em cada uma das categorias a votação.

Em baixo, pode votar no acontecimento nacional de 2017, escolhendo um dos nomeados.

Acusação a José Sócrates
O desfecho há muito aguardado da investigação do Ministério Público ao ex-primeiro-ministro José Sócrates e ao banqueiro Ricardo Salgado, com a acusação proferida em outubro contra ambos e contra mais 17 pessoas, confirma a Operação Marquês como o maior caso de corrupção da história de Portugal. Nunca antes no país um chefe de governo tinha sido acusado, e posto perante a circunstância de responder em julgamento por corrupção. Sócrates é acusado de 31 crimes: 3 de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, 9 de falsificação de documento e 3 de fraude fiscal qualificada. Segundo a acusação, terá recebido entre 2006 e 2009 (e com juros posteriores) 34,1 milhões de euros - a maior dos quais do universo Espírito Santo, mas também dos grupos Lena e Vale do Lobo.

Ascensão e queda da Altice
A Altice chegou de rompante em 2015, e arrebatou a outrora poderosa PT, fragilizada pelo colapso do GES. Além disso, a empresa partiu para a compra da Media Capital, dona da TVI, a televisão líder em Portugal, negócio ainda longe de estar concretizado. Entretanto, as coisas complicaram-se para a Altice. A queda a pique das ações da empresa, após os resultados desastrosos do terceiro trimestre, mostram que o grupo fundado por Patrick Drahi e o português Armando Pereira tem pés de barro. O império está assente numa gigantesca dívida de 49,6 mil milhões de euros. É cedo ainda para dizer que a Altice está a desmoronar-se, mas está debaixo de fogo dos mercados e muito pressionada para reduzir a dívida.

Assalto a Tancos
No final de junho, ainda estava o país ainda sedado pela tragédia de Pedrógão, novo falhanço dos serviços públicos, neste caso militares: o roubo de armamento dos paióis de Tancos. Um quartel com a videovigilância avariada, a rede a precisar de obras e militares a fazer rondas sem balas nas armas. O material seria recuperado em meados de outubro, porque foi devolvido (e havia uma caixa de petardos a mais em relação ao que se supunha ter sido roubado). Pelo meio, o ministro da Defesa, disse que poderia nem sequer ter havido furto. Uma história mal contada desde o início e que no momento da recuperação do armamento continuou sob muito fumo, com uma “guerra de polícias” que manteve a PJ à porta do quartel, impedida de entrar.

Crise dos media
2017 pode ficar para a história como o ano zero do futuro do sector em Portugal, com alterações nos principais grupos de comunicação social. A começar pelo maior negócio desde 2005, a venda do grupo Media Capital, dono da TVI, aos franceses da Altice (ainda dependente da Autoridade da Concorrência). A Impresa, grupo a que pertence o Expresso, foi forçada a alienar a sua área de revistas e promete reforçar a sua estratégia digital. As revistas deverão transitar para um novo 'patrão' dos media, num processo, em curso, a gerar supressão de postos de trabalho e convulsão laboral. Na Cofina (Correio da Manhã, Record e Jornal de Negócios), o grupo avançou com uma reestruturação, que incluiu a saída de 60 jornalistas e outros trabalhadores. Na Global Media (JN, DN e TSF), os investidores chineses da KNJ são agora os principais acionistas (com 30% do capital). Cume de uma pirâmide instável é a própria ERC, com um impasse da eleição da nova composição, só recentemente ultrapassado. Neste quadro, falou-se em 2917 mais do que nunca num cenário de apoios do Estado à comunicação social em crise. O próprio Presidente da República pincelou o sector com “cores escuras”.

Incêndios
Os fogos florestais de 2017 são a maior tragédia em Portugal, quando a vítimas mortais, desde as cheias de 1967. Entre o incêndio de Pedrógão, a 17 de junho, e as várias frentes de fogo que lavraram a 15 de outubro morreram 110 pessoas. No total, arderam neste ano cerca de 500 mil hectares. O primeiro choque ocorreu em Pedrógão Grande, com a morte de 65 pessoas, a maioria delas a fugir em desespero pela EN 236-1. O Presidente da República rapidamente percebeu o impacto da tragédia, o que demorou a acontecer com o Governo. A 15 de outubro, novo pesadelo, na região centro. Além de vitimarem 45 pessoas, os fogos atingiram empresas, destruindo o tecido produtivo e centenas de postos de trabalho. Em 2017, com as televisões em direto, nunca tantos portugueses observaram durante tanto tempo cenários de calamidade e de morte, com as pessoas do Interior indefesas. Mesmo os que nada perderam (vidas de familiares ou de amigos levadas para sempre ou feridas, ou ainda património) sentiram a tragédia como sua. A enorme onda de solidariedade após Pedrógão foi testemunho desse sentimento.

O boom do turismo
Portugal está na moda e os números de afluência de estrangeiros batem recordes. O ano do turismo vai terminar como o de “maior crescimento do século”, com uma taxa a aproximar-se dos dois dígitos (andará nos 10%, quando as previsões eram apenas de 8%). O turismo já representa 7% do PIB e 10% do consumo é já assegurado por turistas e visitantes. Lisboa é talvez o expoente da explosão do turismo. Na cidade, segundo as contas do presidente da Câmara, ele representa um valor económico que é três vezes o da Autoeuropa e quatro vezes o de todo o sector do calçado. Novos hotéis são construídos e muitos mais estão em projeto, o alojamento local é uma prática que se multiplica e desdobra, com o aproveitamento de praticamente todos os espaços disponíveis na malha urbana. Em consequência, a alta de preços (alimentada cada vez mais pelo glamour da cidade, que atrai famosos como Madonna) afasta da cidade muitos dos seus residentes e veta a entrada mesmo a muita da classe média.

O défice mais baixo da democracia
O número é de 2016 mas só foi conhecido este ano, quando o Instituto Nacional de Estatística divulgou a estimativa para o défice português. Portugal fechou 2016 em 2% do PIB, o mais baixo da democracia que bateu, inclusivamente, a meta de 2,2% fixada inicialmente pelo governo. O valor suscitou dúvidas, a Comissão Europeia insistiu por diversas vezes em medidas adicionais e num plano B mas, no final, o objectivo foi atingido com cativações ‘anormais’ e alguns efeitos extraordinários. E foi uma enorme vitória para Portugal e para o governo. Permitiu a saída do Procedimento por Défice Excessivo, a saída do rating ‘lixo’ numa das principais agências, o maior crescimento do século, emissão de dívida a 10 anos nos mercados com juros abaixo de 2% (o que nunca acontecera), numa onda de otimismo na economia que, este ano, bateu todas as expectativas.

O fim de uma era
No início de janeiro, com morte de Mário Soares, Portugal viu partir o político mais importante no período iniciado nas últimas décadas da ditadura e que depois percorreu os 43 anos de democracia. Em julho, morreu Américo Amorim, o empresário da cortiça que estendeu o seu império a diversas atividades, e que se tornou no homem mais rico de Portugal (fortuna avaliada em 4 mil milhões de euros). No final de novembro, foi a morte de Belmiro de Azevedo, o líder da Sonae, o maior empresário surgido após o 25 de abril. Foi um dos raros patrões da economia que manteve vincadas distâncias em relação ao Estado e à bolsa de favores que lhe está associada. (Às mortes do político e dos empresários, 2017 vê também partir D. Manuel Martins, o bispo que foi uma voz dissonante na hierarquia da Igreja Católica)

O fim do estado de graça do Governo
Em 2017, Portugal saiu do procedimento por défice excessivo, o crescimento económico lento, mas paulatino, tornou-se uma realidade, a diminuição do desemprego também, até uma agênciaa de rating retirou o país do 'lixo'. Até que... aconteceu o que não podia acontecer. Pedrógão, Tancos, o 15 de outubro, surto de legionela. O Estado falhou (e mesmo as falhas dessa entidade abstrata são sempre pagas pelo Governo de turno), mas muitas falhas foram da responsabilidade de estruturas dependentes do Governo, e outras do próprio Executivo e até do primeiro-ministro. Sobretudo no rescaldo dos incêndios, Marcelo fez marcação cerrada ao Governo, e este ficou numa situação mais frágil. Por outro lado, a contestação nas ruas voltou a ser uma realidade. É certo que o terceiro orçamento já foi aprovado, mas, depois deste verão, nada voltará a ser como antes. A possibilidade de a legislatura não chegar ao fim deixou de ser uma hipótese meramente académica.

O fim do passismo
Foram mais de seis anos na liderança do PSD, o que fez de Pedro Passos Coelho o segundo (depois de Cavaco Silva) que mais tempo ocupou essas funções. Contra o Governo de Costa persistiu em anunciar a vinda de diabos que os dados económicos reiteradamente contrariavam. Como se isso fosse pouco, as autárquicas vieram trocar-lhe as voltas, sobretudo os resultados em Lisboa e no Porto, cujos candidatos foram suas escolhas pessoais, Passos não teve dessa forma como escapar ao destino e anunciou que não será candidato no próximo Congresso do PSD, em fevereiro de 2018. A sua saída de cena permitirá ao partido libertar-se do fardo pesado dos quatro anos de austeridade que impôs ao país entre 2011 e 2015 (argumento explorado à saciedade pelo PS).

O mistério da empresa que vale 15% do PIB português
Em setembro, o país foi surpreendido, depois da “descoberta” feita por um professor da Universidade do Minho, de uma empresa, a Yupido SA, com sede em Lisboa, avaliada em €29 mil milhões. Ou seja, qualquer coisa como duas vezes o capital social da Galp ou 15 vezes o capital social da Sonae. Os seus fundadores e obreiros permanecem na sombra, mas pelo menos para o Revisor Oficial de Contas (ROC) que certifica as contas foram capazes de um verdadeiro toque de Midas. Eles criaram uma “plataforma digital inovadora de armazenamento, proteção, distribuição e divulgação de todo o tipo de conteúdo media”, que se destaca “pelos algoritmos que a constituem”, tão preciosa que foi avaliada em 15% do PIB português. Segundo o ROC, é mesmo “uma coisa do outro mundo”. Sem sair da terra, a PJ decidiu investigar a empresa-mistério da tecnologia secreta.

O regresso das greves
Depois de um ano particularmente calmo no plano sindical, o de 2016, este ano foi palco do regresso da contestação. Sobretudo na saúde (envolvendo médicos, enfermeiros e outros profissionais do sector), mas igualmente na educação e transportes. Pelo meio, a paralisação inédita da Autoeuropa. Ainda antes da autárquicas, nas quais o PCP sofreu séria derrota, o líder da CGTP, Arménio Carlos, ameaçou fazer complicar a vida ao Governo, caso este não respondesse ao caderno de encargos. O OE acalmou alguns ânimos (caso dos professores), mas ao mesmo tempo remete decisões para mesas negociais, adiou novos braços de ferro.

Papa nas celebrações do centenário de Fátima
A celebração dos 100 anos das aparições trouxe pela primeira vez a Portugal o Papa Francisco, que assim veio reconhecer a importância do culto de Fátima para a Igreja católica. O Papa canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco, numa visita que quebra a sua habitual agenda pastoral, que deixa de fora estados como Portugal e aposta nos países periféricos. Em Portugal, onde foi declarada tolerância de ponto, o efeito Fátima fez-se sentir muito para lá dos crentes, estendendo-se ao conjunto da sociedade, com a participação ativa das principais figuras do Estado Do estrangeiro afluíram muitos peregrinos.

Seca
Portugal vive a pior seca registada no país nos últimos 86 anos (depois de um verão particularmente quente, o outono é o mais seco desde 1971 e o que atingiu a temperatura mais alta desde 1931). A 30 de novembro, 97% do território continental encontrava-se em situação de seca extrema ou severa. A secura extrema da vegetação contribuiu para a tragédia dos incêndios deste ano e a falta de chuva levou a que várias barragens ficassem a menos de 10% da sua capacidade. O quase esvaziamento da de Fagilde obrigou a que o concelho de Viseu e outros municípios vizinhos tivessem de ser abastecidos por camiões cisterna. Se a seca se prolongar, as barragens nacionais não terão capacidade para assegurar o abastecimento público por mais de um ano.

Surto de legionela
No dia 31 de outubro foi declarado no Hospital de São Francisco Xavier, Lisboa, um surto de legionela, que viria a ser o maior da doença numa unidade de saúde em Portugal e um dos mais expressivos no mundo. Todos os testes indicam que a contaminação terá tido origem em uma das três torres de refrigeração do hospital, transmitindo para o exterior da unidade os aerossóis com legionela que viriam a contaminar 56 pessoas, seis das quais morreram. O surto foi declarado extinto no dia 27 de novembro.

Venda do Novo Banco
O fim de um ciclo com muitas pontas soltas. Três anos e três meses depois de o antigo BES ter sido alvo de uma intervenção e ter passado a banco de transição, o Fundo de Resolução vendeu o banco ao fundo norte-americano Lone Star. Mesmo depois de vendido, o risco do Novo Banco continua na esfera do Estado. Ou seja, os contribuintes poderão ser chamados a pagar a fatura. Bruxelas deixa a porta aberta para que o Estado possa nacionalizar o banco num prazo de cinco anos, caso este precise de capital e o Lone Star não o fizer. Se os processos que correm em tribunal contra a resolução e medidas entretanto tomadas pelo Banco de Portugal, colocadas por clientes, investidores e pequenos acionistas forem favoráveis a estes, será o Fundo de Resolução a pagar. Ou seja, até prova em contrário, serão os bancos do sistema a pagar a gestão danosa por parte dos antigos líderes do ex-BES.

  • Votação online: escolha o acontecimento internacional de 2017

    Dando seguimento a uma prática iniciada em 2014, o Expresso desafia novamente os seus leitores a votarem as figuras e acontecimentos nacionais e internacionais do ano. Nesta segunda-feira abrimos a eleição das personalidades e dos factos internacionais de 2017. Na terça-feira terá início a escolha das figuras e acontecimentos nacionais. Saiba tudo e faça as suas escolhas

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    Dando seguimento a uma prática iniciada em 2014, o Expresso desafia novamente os seus leitores a votarem as figuras e acontecimentos nacionais e internacionais do ano. Nesta terça-feira damos início à votação das personalidades e dos factos que marcaram 2017 em Portugal (na segunda-feira havíamos aberto a eleição das figuras e acontecimentos Internacionais)

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