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“The Guardian” questiona o motivo pelo qual o mundo não tem seguido o exemplo de Portugal na luta contra a droga

Marcos Borga

Apresentado como um caso de sucesso a nível mundial, o exemplo português na luta contra a droga é relatado num longo artigo do jornal britânico

“A política radical de Portugal contra a droga está a funcionar. Porque é que o mundo não tem seguido o exemplo?”, é a questão lançada no título do artigo publicado esta terça-feira pelo “The Guardian”.

Depois do “The New York Times”, desta feita é o jornal britânico a destacar o case study português, num texto da jornalista Susana Ferreira que efetua uma longa descrição, começando por apresentar os antecedentes de um “país fechado” e com “baixos níveis de educação” deixado pelo Estado novo – onde “a Coca- Cola era banida e para possuir um isqueiro era preciso ter licença – para depois descrever o modo “a marijuana e a heroína começaram a desaguar” num Portugal estava “totalmente não preparado” para lidar com o problema.

A partir dos anos 1980 o problema ganhou uma dimensão assustadora, tendo-se agravado até chegar ao ponto de um em cada 100 portugueses ter um problema de dependência de heroína, ao mesmo tempo que as infeções por HIV também disparavam, tornando Portugal no país com maior nível de infeções da União Europeia.

O artigo refere que o “primeiro instinto do Estado”, num “momento de pânico” foi “demonizar os consumidores” e “criminalizar ou punir espiritualmente”.

Até que em 2001 o país mudou radicalmente a sua abordagem para o problema e tornando-se no primeiro país a descriminalizar a posse e consumo de substância ilícitas: “Em vez de serem presos, aqueles apanhados com a sua dose podiam receber uma advertência, uma pequena multa, ou serem instruídos a comparecerem perante uma comissão local – um médico, um advogado e um assistentes social – sobre tratamento, redução de danos e de serviços de apoio disponíveis para eles”

Em sequência da nova abordagem “a crise opiáceos depressa estabilizou “ e as infeções por HIV “desceram dos números recordes do ano 2000 de 104,2 novos casos por milhão para 4,2 por milhão em 2015”.

O texto frisa que “a espantosa recuperação de Portugal, e o facto de ter-se mantido estável através de diversas mudanças de Governo – incluindo líderes conservadores que teriam preferido o regresso à guerra contra às drogas ao estilo dos Estados Unidos – não poderia ter acontecido sem uma enorme mudança cultural, e uma mudança no modo como o país via as drogas, a adição – e a si próprio”.