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“Uma trágica perda para a sociedade portuguesa”: as reações à morte de Belmiro de Azevedo

André Kosters/Lusa

“Uma das mais marcantes figuras empresariais do período democrático”, “um empresário e um empreendedor ímpar em Portugal”, “verdadeiramente visionário” e “exemplo de retidão e solidariedade”. Do sector político aos sectores económico, social, académico e desportivo, foram muitos aqueles que prestaram homenagem a Belmiro de Azevedo, que morreu esta quarta-feira, aos 79 anos

Uma “figura marcante” do meio empresarial e da sociedade portuguesa. Foi assim que Marcelo Rebelo de Sousa prestou homenagem ao empresário Belmiro de Azevedo, que morreu esta quarta-feira, aos 79 anos.

Num comunicado publicado no site da Presidência da República, o Presidente da República elogiou Belmiro de Azevedo, sublinhando as suas capacidades de “liderança, determinação, visão de futuro e empenhamento social e cultural” ao longo de mais de 40 anos.

“Uma grande perda para Portugal”

Também o ministro da Economia lamentou a morte do empresário português, que considerou “uma grande perda para Portugal”. “Acho que a sociedade portuguesa tem muitos aspetos de gratidão para com ele”, afirmou Manuel Caldeira Cabral, sublinhando que o grupo Sonae, liderado durante décadas “de forma inovadora” por Belmiro, “afirmou Portugal no estrangeiro”.

"O homem que elogiava a mudança”

Outro ministro a lamentar publicamente a morte de Belmiro de Azevedo foi Luís Filipe Castro Mendes, responsável pela pasta da Cultura. Castro Mendes salientou a “notável capacidade de trabalho” do antigo dirigente da Sonae, que “soube compatibilizar a sua dedicação aos negócios com o interesse pelas áreas da Cultura, da Educação, das Artes e da Solidariedade”. Interesse, acrescentou o ministro, manifestado “através da constituição da Fundação com o seu nome, em 1991”.

Descrevendo Belmiro de Azevedo como um “homem que elogiava a mudança e que dizia não acreditar num futuro sem trabalho”, Castro Mendes lembrou o papel do empresário na formação do jornal Público.

“Uma visão que ultrapassou em muito as nossas fronteiras”

“Agradeço muito a Belmiro de Azevedo tudo o que ele fez a Portugal”, disse, por sua vez, Pedro Santana Lopes, no final de uma audiência com a Conferência do Turismo de Portugal. O candidato à liderança do PSD sublinhou o contributo do empresário para a economia portuguesa e para “o emprego de muitos portugueses”, elogiando a sua visão que “ultrapassou, em muito, as nossas fronteiras”. Belmiro de Azevedo é “uma dessas pessoas que o país tem de respeitar e acarinhar”, concluiu.

“Um verdadeiro empresário”

Também Rui Rio foi peremptório na sua homenagem a Belmiro de Azevedo - se existissem mais homens com o perfil do empresário português, a “economia portuguesa seria muito diferente”. O também candidato à liderança do PSD recordou Belmiro de Azevedo como “um verdadeiro empresário”, que “criou milhares de empregos”.

“Uma das mais marcantes figuras empresariais do período democrático”

“Uma trágica perda para a sociedade portuguesa”. Foi desta forma que o PSD se referiu à morte de Belmiro de Azevedo. Em nota enviada à comunicação social, o partido descreveu o empresário como “uma das mais marcantes figuras empresariais do período democrático”.

Foi graças à “genialidade empresarial e empreendedora” de Belmiro que o Grupo Sonae se transformou num dos “mais proeminentes empregadores nacionais e um centro de criação de riqueza e de promoção do desenvolvimento social e económico nacional”, acrescenta a nota.

“Um empresário e um empreendedor ímpar em Portugal”

Também o CDS-PP, pela voz do seu deputado Luís Pedro Mota Soares, lamentou a morte de Belmiro de Azevedo, que recordou como “um empresário e um empreendedor ímpar em Portugal”.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, Mota Soares sublinhou o papel do empresário no setor da distribuição, mas também no setor da comunicação social.

Para o deputado centrista, Belmiro de Azevedo “demonstrou sempre que acreditava nas empresas portuguesas”, apostando na “internacionalização da economia, na inovação, na qualificação dos seus quadros”.

“Uma voz livre”

Com a morte de Belmiro, Portugal “perdeu uma personalidade marcante e uma voz livre”, afirmou, por sua vez, Aníbal Cavaco Silva, considerando que a economia portuguesa “beneficiou enormemente” com a “ousadia” e “visão” do empresário português.

Numa nota enviada à Lusa, o antigo Presidente da República destaca a “liderança inteligente e perspicaz e a sua aposta decidida na inovação”, que transformou o seu grupo empresarial “num dos maiores e mais relevantes” de Portugal.

“Uma marca indelével de determinação, trabalho e liderança”

A empresária angolana Isabel dos Santos recordou a marca de "capacidade de concretização e liderança" de Belmiro de Azevedo, com quem partilhou negócios.

Numa mensagem divulgada esta quinta-feira, a filha do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, considerada a mulher mais rica em África e com várias participações em negócios em Portugal, classifica a morte do empresário português como uma "perda enorme".

"Belmiro de Azevedo deixa no mundo empresarial português, e em todos os que consigo se cruzaram, uma marca indelével, de determinação, trabalho, capacidade de concretização e liderança", afirma Isabel dos Santos. Acrescenta, na mensagem que divulgou, que os seus pensamentos e palavras são hoje "para os filhos, mulher e netos", para quem "a dor é imensa": "Que o orgulho de terem convosco um legado tão forte vos dê a força que precisam neste momento".

Um homem a quem “ninguém conseguia ficar indiferente”

António Mota, presidente da Mota-Engil, recordou o empresário como “um homem de uma capacidade invulgar”, a quem “ninguém conseguia ficar indiferente”. A sua morte é “uma perda enorme para Portugal”, afirmou António Mota, destacando ainda o facto de Belmiro ter criado “um grupo que consolidou ao longo do tempo”.

Um “homem de visão e ação”, num país que “tantas vezes maltrata quem é desassombrado”

“Era um grande empresário, um homem de visão e de ação, corajoso, num país que tantas vezes maltrata quem é desassombrado, quem tem espírito de iniciativa e capacidade empreendedora”. Foi assim que Alexandre Soares dos Santos, antigo líder da Jerónimo Martins, se referiu a Belmiro, cujo desaparecimento representa uma “perda importante para o país”.

Numa declaração enviada por escrito à Lusa, o antigo presidente manifestou a sua “admiração e respeito” por Belmiro de Azevedo, com quem disse ter mantido “toda a vida uma boa relação, de cordialidade e simpatia”.

Um homem “muito corajoso” e uma pessoa “muito desassombrada”

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, recordou Belmiro de Azevedo como um homem "muito corajoso" e uma pessoa "muito desassombrada".

"Era uma pessoa muito desassombrada, dizia muito o que lhe ia na alma, o que lhe ia no peito, e tinha essa característica fundamental de ser um homem muito corajoso: não dizia aquilo que as pessoas gostavam de ouvir, dizia aquilo que achava que devia dizer, nos momentos certos, momentos apropriados", afirmou Rui Moreira aos jornalistas, que esta manhã passou pela Igreja de Cristo Rei, no Porto, para prestar uma última homenagem a Belmiro de Azevedo.

Para o autarca, Belmiro de Azevedo foi "um grande empresário", que após o 25 de Abril "construiu um império", que teve "muita importância para a região e para o Porto", tendo tido "esse papel fundamental".

“Um dos maiores empresários”

“Uma figura de grande relevância e um dos maiores empresários portugueses das últimas décadas”, sublinhou a Associação Empresarial de Portugal (AEP), de que Belmiro de Azevedo foi sócio honorário e foi agraciado com a Medalha de Honra daquela associação.

Em comunicado, a AEP destacou o papel de gestor de Belmiro, “nos negócios, na cultura e na identidade e valores que deixa para sempre ao mundo empresarial”, ao construir um “império multifacetado”.

Um “exemplo de retidão e solidariedade”

Também o reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, lamentou a morte de Belmiro de Azevedo, que descreveu como “um empresário verdadeiramente visionário”, que “percebeu muito cedo a importância da cooperação entre empresas e instituições do ensino superior em projetos de investigação, desenvolvimento e inovação”.

Numa nota enviada à Lusa, Sebastião Feyo de Azevedo considerou Belmiro, antigo estudante da Universidade do Porto e Doutor Honoris Causa, um exemplo de “empreendedorismo, retidão e solidariedade”.

Já a Associação Comercial do Porto descreveu Belmiro, sócio daquela associação desde 1985, como “um dos maiores empresários portugueses contemporâneos” e “o maior empregador do setor privado no país”. Em comunicado, Nuno Botelho, presidente, fez ainda questão de sublinhar que Belmiro colocou sempre a defesa do Norte como “uma das suas prioridades” e nunca se rendeu aos “interesses centralistas”.

Contributo de Belmiro para o setor da distribuição e retalho “é incontornável”

Também a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) manifestou o seu pesar pela morte de Belmiro de Azevedo, “personalidade ímpar e empresário visionário”, destacando o seu contributo “incontornável” para o setor da distribuição e retalho.

Em comunicado citado pela Lusa, a APED descreve o empresário como “uma figura de relevo com uma visão e audácia que em muito contribuiu para Portugal e para os portugueses”.

Artigo atualizado às 11h19