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Oito cientistas a trabalhar em Portugal ganham bolsas de €16 milhões do Conselho Europeu de Investigação

Luís Barra

Portugal já recebeu 140 milhões de euros em bolsas milionárias desde 2007

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Sete cientistas de quatro centros de investigação de Lisboa na área das ciências da vida e uma investigadora da área das ciências físicas da Universidade do Minho ganharam bolsas do Conselho Europeu de Investigação (ERC) no valor de mais de 16 milhões de euros.

Os oito nomes estão incluídos num grupo de 329 cientistas que venceram o concurso de Bolsas de Consolidação 2017 do ERC, destinadas a a investigadores de excelência a meio da sua carreira, isto é, com sete a 12 anos de experiência. No total foram atribuídos 630 milhões de euros em bolsas.

Os investigadores premiados são Susana Lima, Joseph Paton e Michael Orger, da Fundação Champalimaud (FC); Ana Domingos e Luís Teixeira, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC); Mariana Pinho, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB-NOVA); e Luísa Figueiredo, do Instituto de Medicina Molecular (iMM). Cada laboratório liderado por estes investigadores receberá entre dois e três milhões de euros para financiar os seus programas de investigação nas áreas de neurociências, metabolismo e infeção e imunidade. Além destes sete investigadores, também uma investigadora da Universidade do Minho, Manuela Gomes, recebeu uma Bolsa de Consolidação do ERC na área das ciências físicas e engenharias.

“É com grande satisfação que vejo os mais recentes resultados dos investigadores em Portugal nas bolsas do Conselho Europeu de Investigação, que são exemplos de qualidade científica", afirmou o comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas. "Mais oito investigadores venceram agora a prestigiada bolsa "Consolidator Grants" e fico ainda mais contente ao verificar que cinco deles são investigadoras".

Bolsas individuais de 2 a 2,5 milhões de euros

Com bolsas individuais até 2 milhões de euros para as categorias de "Ciências Físicas e Engenharia" e "Ciências Sociais e Humanas" e até 2,5 milhões para a categoria "Ciências da Vida", os cientistas vão, com este financiamento, consolidar as suas equipas de investigação e desenvolver ideias inovadoras. Os projetos portugueses financiados por estas bolsas são os seguintes:

  • ChronosAntibiotics, que explora o ciclo celular das bactérias para ressensibilizar bactérias resistentes aos antibióticos, de Mariana Pinho, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica, da Universidade Nova de Lisboa.
  • FatTryp, que pretende identificar o ciclo de vida dos tripanossomas africanos e suas implicações em termos de progressão da doença de que são vetor, de Luísa Figueiredo, do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa.
  • MagTendon, que aborda tecnologias de engenharia de tecidos assistida magneticamente para a regeneração de tendões, de Manuela Gomes, da Universidade do Minho.
  • SympatimmunObesity, que pretende identificar os mecanismos simpáticos e imunológicos subjacentes à obesidade, de Ana Domingos, da Fundação Calouste Gulbenkian.
  • Wolbakian, que aborda a genética funcional da proliferação da bactériaWolbachia e proteção contra vírus, de Luís Teixeira, da Fundação Calouste Gulbenkian.
  • YinYang, que explora os circuitos hipotalâmicos na seleção de comportamento defensivo e reprodutor em fêmeas, de Susana Lima, da Fundação Champalimaud.
  • Dycocirc, que identifica o circuito de mecanismos dos gânglios basais subjacentes ao comportamento cognitivo dinâmico, de Joseph Paton, da Fundação Champalimaud.
  • Neurofish, que explora os circuitos cerebrais que controlam o comportamento visual e motor, de Michael Orger, da Fundação Champalimaud.

O Conselho Europeu de Investigação (ERC), criado em 2007, seleciona e apoia anualmente os melhores e mais criativos investigadores de todas as nacionalidades e idades, para a gestão de projetos na Europa. Este ano foram avaliadas mais de 2500 candidaturas, das quais 329 receberam financiamento. Este incentivo vai permitir a criação de 2000 postos de trabalho altamente qualificados. Desde a sua criação, Portugal já recebeu mais de 140 milhões de euros em bolsas do ERC.