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Ricardo Salgado e mulher foram revistados no aeroporto

Nuno Botelho

Ex-líder do BES e a sua mulher foram parados no aeroporto de Lisboa, este verão, quando regressavam de uma viagem à Suíça. Maria João Salgado trazia extratos bancários que foram recolhidos na investigação da Operação Marquês, que suspeita que Ricardo Salgado tem fortuna oculta fora de Portugal

Ricardo Salgado e a sua mulher, Maria João Salgado, foram revistados no aeroporto de Lisboa na noite de 27 de junho deste ano, quando regressavam de uma viagem à Suíça. A notícia está na edição de hoje do "Correio da Manhã" e foi confirmada pelo Expresso junto de outras fontes.

Eram 21h30 quando o casal aterrou em Portugal, tendo sido surpreendido pela ação de revista da sua bagagem e haveres. A operação havia sido aprovada no próprio dia, mediante um despacho que autoriza a equipa do procurador Rosário Teixeira e que é citado pelo "CM": a deslocação à Suíça, argumenta o despacho, poderia ter sido "aproveitada para a obtenção de documentos de justificação de operações realizadas no passado ou para a movimentação de ativos decorrentes dos fundos que transitaram nas contas abertas naquele país".

Da operação de revista terá resultado a obtenção de extratos de três contas suíças no UBS, na posse de Maria João Salgado.

Panama Papers revelaram contas fora de Portugal

Recorde-se que, em abril de 2016, no âmbito da investigação jornalística internacional dos Panama Papers, o Expresso e a TVI revelaram que o ex-presidente do BES tinha 34 milhões de euros escondidos fora do país, que foi regularizando desde 2005, mas houve contas no Panamá e nas ilhas Caimão que nunca foram mencionadas ao fisco.

Na notícia de há ano e meio, que pode ser lida aqui, o Expresso escrevia que Salgado e sua mulher eram beneficiários desde os anos 90 de pelo menos duas empresas offshore, uma nas Bahamas e outra nas Ilhas Virgens Britânicas, que por sua vez eram titulares de contas bancárias nas ilhas Caimão e no Panamá.

A investigação do Expresso e da TVI permitiu ainda descobrir que, além de ter criado contas bancárias tituladas pelos dois offshores que nunca foram declaradas em Portugal, nem sequer nos processos de aministia fiscal RERT, os Salgado usaram estas empresas de fachada para comprar património imobiliário em Portugal. Na comissão de inquérito ao BES, em 19 de março de 2015, Ricardo Salgado dissera que nunca tinha tido contas offshore, designadamente nas Bahamas.

Ricardo Salgado a sua mulher, foto de arquivo

Ricardo Salgado a sua mulher, foto de arquivo

Tiago Miranda

As declarações de património que Ricardo Salgado fez ao fisco português ao abrigo dos vários programas RERT (Regime Excecional de Regularização Tributária) já revelavam que o ex-homem forte do Grupo Espírito Santo tinha uma carteira de investimentos com ações, depósitos a prazo e milhões de euros em ouro.

A investigação à Operação Marquês recolheu informações como as contas bancárias reveladas pelo Expresso e suspeita que Ricardo Salgado tenha uma fortuna escondida fora de Portugal, não só em ouro mas também em pedras preciosas. É o que está escrito aliás também no despacho que autorizou a revista ao casal Salgado no início do verão deste ano, citado na edição deste domingo do "Correio da Manhã": "Existem fundos depositados em algumas contas abertas na Suíça pelo arguido, ainda que em nome de entidades instrumentais, bem como que, a partir de fundos depositados nas mesmas contas, foram realizadas aquisições de bens de elevado valor, ouro e pedras preciosas, cujo destino final não foi, por ora, identificado".

Neste momento, no âmbito das medidas de coação no processo judicial, Ricardo Salgado não pode sair do país sem autorização.